Poemas
16cavalgada
não podemos negá-los
não podemos deixar de vê-los
entre suas pernas os cavalos
com todas suas crinas e pêlos
não podemos deixar de vê-los
entre suas pernas os cavalos
com todas suas crinas e pêlos
578
aquário
quando o peixe o aquário olha
não o vemos e ele chora
ele muda e respira doutra forma
e nos olha de volta quando escolhe
e quando nos olha submerso
emerge um outro peixe
mais errático, até absorto
quem sabe: enfático? outro peixe
a deslindar o aquário, não o dele
a dizer que as formas são várias
de prisões enclausurantes
nenhuma delas ordinária
embora todas distorçam o de dentro
e digam que o fora
é a prisão do outro lado - lá dentro -
outro peixe aflora
não mais o que é visto agora
- apaziguado no vibramento aquático -
mas o que de dentro para fora
se diz singularmente isento.
não o vemos e ele chora
ele muda e respira doutra forma
e nos olha de volta quando escolhe
e quando nos olha submerso
emerge um outro peixe
mais errático, até absorto
quem sabe: enfático? outro peixe
a deslindar o aquário, não o dele
a dizer que as formas são várias
de prisões enclausurantes
nenhuma delas ordinária
embora todas distorçam o de dentro
e digam que o fora
é a prisão do outro lado - lá dentro -
outro peixe aflora
não mais o que é visto agora
- apaziguado no vibramento aquático -
mas o que de dentro para fora
se diz singularmente isento.
595
amar é eterna dúvida
amar é eterna dúvida
entre
entregar-se indubitavelmente
e garantir o sofrimento
na descrença de tê-lo
amar é o amor ao fluído
à fumaça da dor
é saber duvidando
que amar é o amor
entre
entregar-se indubitavelmente
e garantir o sofrimento
na descrença de tê-lo
amar é o amor ao fluído
à fumaça da dor
é saber duvidando
que amar é o amor
661
pássaro primitivo
não sou eu quem te observa
nem ninguém pra ser teu olho
se teus olhos vêem névoa
os meus vêem teu vôo
ou se o solo fosse abaixo
quando o pouso é estadia
todo o céu envolto em nada
é lugar e moradia.
que pássaro eterno plana
sobre as cabeças dos que te olham?
que retração ilógica emana
da plumagem que não vemos influir
sobre o vôo e te protege o corpo?
que lugar intuitivo ocupas
quando levantas teu sopro ancestral?
quando declamas o ar orgânico...
quando resolves ocupar o teu reinado...
limitas-te num ser completo
e em tua glória és secreto
tão secreto o teu pedido.
nem ninguém pra ser teu olho
se teus olhos vêem névoa
os meus vêem teu vôo
ou se o solo fosse abaixo
quando o pouso é estadia
todo o céu envolto em nada
é lugar e moradia.
que pássaro eterno plana
sobre as cabeças dos que te olham?
que retração ilógica emana
da plumagem que não vemos influir
sobre o vôo e te protege o corpo?
que lugar intuitivo ocupas
quando levantas teu sopro ancestral?
quando declamas o ar orgânico...
quando resolves ocupar o teu reinado...
limitas-te num ser completo
e em tua glória és secreto
tão secreto o teu pedido.
606
Vale da Lua
ao enamorar-se do a
b
i
s
m
o
.
.
.
gritou
e ouviu sua voz distante-tante-ante-te-e-e-e...
b
i
s
m
o
.
.
.
gritou
e ouviu sua voz distante-tante-ante-te-e-e-e...
719
amestrado
o que pode encontrar o homem
no vasculhar de uma vida vazia?
o que pode ele objetar? quando lembrarmo-lhe
aquele enígma tão insolúvel
aquela hora tão aguardada e inútil
que num espanto fez seu lance e passou
o que pode encontrar o homem
ao comparar sua vida com outra, repetida?
quando em casa e acoado
estiver esperando pela última hora prometida
afim de poder observar de longe sua herança
e notar que os pássaros comeram o trilho de pão...
onde poderá estar o homem
em cuja história esqueceu-se de si?
e de se seguir.
no vasculhar de uma vida vazia?
o que pode ele objetar? quando lembrarmo-lhe
aquele enígma tão insolúvel
aquela hora tão aguardada e inútil
que num espanto fez seu lance e passou
o que pode encontrar o homem
ao comparar sua vida com outra, repetida?
quando em casa e acoado
estiver esperando pela última hora prometida
afim de poder observar de longe sua herança
e notar que os pássaros comeram o trilho de pão...
onde poderá estar o homem
em cuja história esqueceu-se de si?
e de se seguir.
618
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.