Lista de Poemas

ndugcts . 099

são 4h da manhã
bebo e escrevo
escrevo desenfreadamente
o que importa
nada importa
escrevo
antes que a luz se apague
sozinho
já quase bêbado
escrevo
4h 27 da manhã
continuo
assim louco
como sempre fui
aqui sentado
já bêbado
escrevo poemas
ás 4h 54 da manhã
106

ndugcts . 098

sentado no café
vejo
espero
creio
que haja muito
muito mais
a fazer
do que olhar o
movimento
das moscas e das pessoas
que se passeiam
141

ndugcts . 090

não queria que terminasse
apenas que o tempo parasse
e o relógio não andasse

queria ficar perdido no instante
ignorando todo o restante
num qualquer local assim distante

sem casa, sem sacola
sem dinheiro, vivendo de esmola
sem tudo aquilo que me amola

ás vezes eu só queria que o tempo
parasse, não andasse e nem terminasse
144

ndugcts . 087

os meus dias
morrem em varandas viradas ao sul
e o meu corpo
continua lá, no prolongamento do silêncio
na infindável segurança da morte
e a vida exausta
nada num mar de cinzas
no medo sagrado
do som dos canhões
que silenciam
o inimigo invisível
que se esconde sob o céu púrpura
113

ndugcts . 086

neste desterro onde já não amanhece
dedos encarquilhados
cansados da velhice
entrelaçam suaves taças
por onde se bebe o vinho
que mata a sede que não existe
e eu
apenas quero
morrer entre o espaço e o tempo
110

ndugcts . 093

depressão
falta o chão
flutuamos
voamos
não nos encontramos
144

ndugcts . 082

vivo instantes de glórias
amarradas aos meus pulsos
no tormento
das minhas lembranças
enterro no espaço
vago da minha alma
o vazio
que carrego no meu peito
suspiros quebram o silêncio
nesta noite fria e nebulosa
onde apenas quero
encontrar o lugar onde pertenço
108

ndugcts . 083

estou só
neste quarto escuro
de cor cinza
estou aqui
onde mora a escuridão
onde habita a solidão
nestes olhos banhados
por lágrima suicidas
habita em mim
uma tristeza sem fim
e grito ao vento
em noites calmas de silêncio
a dor aperta
sufoca
e o sonho
cada vez mais esquecido
e embora adormecido
permanece em pensamentos acordado
120

ndugcts . 088

a tua boca já não
me sabe a mar

sabe a fel e algodão doce
esse sabor agridoce

quão poluídos estão os rios
que correm em ti
132

ndugcts . 085

no natal
morre-se
ao contrário do que se possa pensar
no natal
não se nasce
no natal
morre-se
e a morte
bem
a morte
é fodida
115

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rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário. cresci a ouvir e a cantar à alentejana e gosto... choro e rio com facilidade... sou espiritual e espirituoso... amo intensamente a vida e vivo ao sabor dos meus caprichos... odeio hipocrisia e não suporto a arrogância... protejo aqueles que amo e busco incessantemente o meu caminho... sinuoso, imprevisível mas muito, muito rico... vivo no alentejo e partilho a vida com aqueles que me são queridos.”
desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”.
participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013, 2014 e 2015.
a convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto.
em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora.
um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras.
actualmente vive em brinches, serpa no alentejo, dividindo-se entre o trabalho a família e a escrita.
projectos não lhe faltam e tem em cima da mesa muitos que, espera ele, vejam a luz do dia num futuro próximo.
o último trabalho de originais reúne escritos dos últimos anos, onde o autor aborda os mais variados temas, no entanto, o amor é o leitmotiv de “fragmentos do meu pensar”.
a sua última participação foi na obra “talentos ocultos - vol.1”, que reuniu uma série de escritores de língua portuguesa, e que saiu em dezembro de 2014, sobre a chancela da ediserv.