Lista de Poemas

ndugcts . 008

procuro-te
no silêncio
do espaço frio
que habita em mim

chamo por ti
nos ecos
do passado

procuro-te
encontro-te

afinal vives em mim

agora sei o que me mata
292

ndugcts . 007

não tentes ser
quem tu não és

um mero pesadelo

não tentes ser
aquilo que não és

uma escolha efémera

existe
sem seres triste

és o arrepio de um beijo
és tu mulher
que me completa
nesta minha demanda de poeta

agora deixa-me nesta minha apatia
viver alimentado pela poesia
313

ndugcts . 005

já escrevo na penumbra
desta vela que se consome
vais embora
partes
triste
caminhas na solidão
do vazio que em ti existe
e nesta escrita cuneiforme
descansam mágoas
seladas com as lágrimas
de um "ate já"
283

ndugcts . 006

gosto de ir
adoro ir
ir para qualquer lado
sozinho
acompanhado
pouco (me) interessa
gosto de ir

e voltar

voltar é que já não sei se volto

levas-me contigo?
347

ndugcts . 004

eis o silêncio das palavras
que bailam no pêndulo dos dias
eis que sem ti
me perco na idade das manhãs

sei agora os segredos dos trilhos
por onde caminho com o vento
onde na ausência do silêncio
abraço os tormentos esquecidos

abandono-me às palavras
estranhas
que crescem como chamas
neste lugar onde mora o esquecimento

renascem das cinzas
pétalas brancas

lágrimas
carregadas de vontade

dispo-me das sombras
que na penumbra da noite
me afagam

desamarro-me do silêncio
e escrevo
sobre ti
sobre mim

palavras apenas!!!
apenas palavras!!!
350

ndugcts . 003

no silêncio
do sono que não chega
das horas que não passam

vive a loucura

que engasga
sufoca

uma lágrima que cai
perdida na memória
do sonho esquecido

na noite infinda
na solidão da madrugada

no silêncio

o desabafo com Deus
291

ndugcts . 002

não me deixes despertar
para o amanhecer do mundo

não deixes que
nos tirem a demência

e que os horrendos ponteiros das horas tardias
nos roubem o tempo

que as mordaças da solidão
me roubem de ti

e, se... a teimosia da noite
não nos revelar um novo dia

que o calor da manhã
misture o nosso perfume

e a relva molhada
acolha e acalme
o cansaço dos nossos corpos

que os teus olhos
não desistam dos meus

que a pureza do orvalho
gotejado nas folhas das manhãs
revele a malícia do nosso amor!!!

assim... seja como for...
328

ndugcts . 001

detesto começos
em cuja distância
até ao fim
é apenas um
abismo

343

felicidade

e eis que chega 2017, e com o novo ano, sempre a esperança de uma nova vida, uma vida que não tem necessariamente de ser a trabalhar para pagar as contas e depois morrer. com este ano que agora começa, inicia-se também um ciclo de trinta e seis anos sob a regência de saturno. como em tudo na vida também o tempo se rege por ciclos, sejam eles noite/dia/noite; outono/inverno/primavera/verão/outono, etc. no campo da astrologia o mundo é regido por períodos de 36 anos. tudo na vida tem um início, um meio e um fim, que se traduz num novo começo.
o ciclo que agora se inicia e que ao ser regido por saturno, faz com que assistamos a um período de questionamentos sobre o sistema do governo e a forma como este é gerido, podendo mesmo assistir a grandes mudanças governamentais. entramos também num período de austeridade, de responsabilização e de compromisso para com o próprio, numa busca pela felicidade interior, deixando de lado o materialismo que nos trouxe o sol, que regeu o período passado. temos neste período e em oposição à ostentação do passado, uma busca pela contenção e obediência a uma sabedoria superior mais sublime e espiritual. renúncia ao material e seriedade do ser humano, essas são as prerrogativas de saturno.
é agora que devemos manter a nossa perseverança e lutar por aquilo em que na realidade acreditamos. o crescimento interior advém da luta em prol dos nossos ideais, das nossas convicções. o verdadeiro segredo da tua felicidade reside em ti, reside na capacidade que tens de fechar a boca e não contares nada da tua vida. que importa ter um iphone de última geração se não se tem pão na mesa. a ostentação dos bens materiais, dos bens terrenos, jamais levará à felicidade, à verdadeira felicidade. para muitos de nós importa ostentar uma vida que não temos nem conseguimos manter, apenas para sermos integrados num tipo de sociedade que não existe, pois é efémera. assim como a inveja é perigosa, também o é a capacidade do ser humano achar que chegou a algum pódio e ser aplaudido. essa felicidade é uma quimera sustentada por aqueles que vivem uma vida atrás de uma máscara onde são capazes de tudo, tudo menos encarar a vida e ser felizes. que felicidade obtiveste hoje com a fotografia que colocaste no instagram ? que felicidade obterias se ao invés ajudasses os mais necessitados, nem que fosse com uma simples palavra de amor e afecto. quais os valores que comportam a tua felicidade? ter um carro xpto, um smartphone de última geração ?
deixo-vos aqui uma meta para este ano: ficar em silêncio. meditar no verdadeiro, no derradeiro significado do que é a vida. como já atrás o disse e volto a repetir, não contes a tua vida para ninguém e sê feliz.
ser feliz é uma escolha. mais dia menos dia teremos de enfrentar os nossos demónios, de dizer não só porque o sim nos trazia aborrecimentos, de negar alguma coisa, de nos alhearmos das lágrimas de crocodilo daqueles que se fazem de coitados para nos magoar e obter de nós aquilo pelo qual não sabem lutar nem dar valor. a verdade liberta-nos, garante a nossa sobrevivência e a nossa felicidade.
viver em sociedade é complicado e requer um exercício contínuo de tolerância para não sermos levados à demência, um desgaste inútil com base em valores que não são os nossos. ao nosso redor vivem pessoas que pensam, agem de forma diferente de nós, não olhando a meios para atingir os fins. tenta manter a calma, respira fundo, sê gentil para contigo e para com os outros, tentando nunca os machucar e acima de tudo cobre-os com o teu amor, pois o amor falará sempre mais alto que qualquer arrogância. a felicidade está em ti, não abras mão dela.
"a mais profunda forma de desespero é escolher ser outro que não si mesmo."
- soren kierkegaard (1813-1855)
275

O infiltrado

Nuno estava visivelmente alterado. Gesticulava efusivamente para um dos ocupantes do autocarro, que não o percebendo, apenas encolhia os ombros. "Nunca mais acaba esta chuva horrenda." Exclamava enquanto procurava um lugar vago para se sentar. Sentou-se junto da janela para ver chover e esquecer aquele dia. "Nunca mais deixa de chover, este ano não há primavera." disse para o colega do banco do lado. "Pois é nunca mais chega o verão." E a conversa manteve-se com base na meteorologia por alguns minutos. Pouco tempo depois chegava ao seu destino. Saiu, colocou o chapéu para se proteger da chuva miúda que teimava em cair e seguiu em direcção ao edifício governamental.
Tinha transposto os primeiros degraus quando ouviu o seu nome. Virou-se e deparou-se com o amigo de longa data, o Carlos Eduardo. "Então Edu que fazes por aqui?" "Vim tratar de uns papeis, vou candidatar-me à policia." "E tu, que fazes todo aperaltado. Parece que vais a uma festa." "Pois é, é mesmo isso, vou a uma festa." Eduardo estranhou o amigo, que lhe parecia evasivo. "Olha, tens o botão de cima desabotoado. Se vais a uma festa ao menos vai decente." Eduardo abotoou-lhe o botão e despediu-se. Nuno ficou a pensar. Será que o amigo se apercebeu de que o botão era uma minicâmara?
362

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rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário. cresci a ouvir e a cantar à alentejana e gosto... choro e rio com facilidade... sou espiritual e espirituoso... amo intensamente a vida e vivo ao sabor dos meus caprichos... odeio hipocrisia e não suporto a arrogância... protejo aqueles que amo e busco incessantemente o meu caminho... sinuoso, imprevisível mas muito, muito rico... vivo no alentejo e partilho a vida com aqueles que me são queridos.”
desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”.
participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013, 2014 e 2015.
a convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto.
em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora.
um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras.
actualmente vive em brinches, serpa no alentejo, dividindo-se entre o trabalho a família e a escrita.
projectos não lhe faltam e tem em cima da mesa muitos que, espera ele, vejam a luz do dia num futuro próximo.
o último trabalho de originais reúne escritos dos últimos anos, onde o autor aborda os mais variados temas, no entanto, o amor é o leitmotiv de “fragmentos do meu pensar”.
a sua última participação foi na obra “talentos ocultos - vol.1”, que reuniu uma série de escritores de língua portuguesa, e que saiu em dezembro de 2014, sobre a chancela da ediserv.