Lista de Poemas

ndugcts . 029

caminho lentamente por um labirinto
húmido
escuro
escorregadio
tento o equilíbrio até ao beco sem saída
somos os convocados
convocados a viver
tormentos
instantes
esperanças
desilusões
conflito interno
cansaço
breves momentos de alegria
sonho
felicidade
paz
acordas
de olhos semicerrados olhas em volta
o labirinto
sem saída

dói muito estar vivo!
185

ndugcts . 034

não procures no meu quarto
os meus segredos
não estão aí... fechados
estão guardados em mim

mas um dia
um dia serão libertados
na mais pura e profunda explosão de cólera

ou então
ou então
num beijo agreste
261

ndugcts . 028

sinto nos teus olhos sombrios
o sofrimento agressivo
dos dias que passas em silêncio
vejo nesses olhos
gritos de agressividade histérica
que me repudiam
que me julgam
e me afastam
de olhos semicerrados
vejo as tuas roupas
rasgadas
ridicularizadas
pela ingenuidade de um romantismo
antiquado
ultrapassado
sei que gostas de me ver passar
sei que gostas de me olhar
mas não te escondas do mundo
pois o mundo sou eu
259

ndugcts . 023

encontro-me na luz do teu olhar
para depois me perder nessa selva sombria

procuro no labirinto da tua mente
o meu descanso

perdido em ti
nessa floresta sem fim
procuro a luz

grito
aflito

mas só as brumas
que assombram a minha solidão
me escutam

e continuo perdido
nessa floresta
neste labirinto escuro
sem fim
206

ndugcts . 025

frente a ti
reflicto a minha imagem
transparente, dormente
mergulho no meu olhar
perdido no imenso infinito
sinto a carícia das minhas lágrimas
sinto o vento nos meus cabelos
acendo um sorriso
varro a tristeza do rosto
limitado por esta moldura
aqui vivo cativo
sozinho
até ao fim dos meus dias

ah!... estes meus olhos...
198

ndugcts . 024

a tua singela nudez
seduz a minha timidez
e esse teu olhar
dá-me o passaporte para sonhar

dispo-te e visto-te e volto a olhar-te
estás diferente?
ou estarei inconsciente

gosto da cor
e do sabor

volto a despir-te
deito-te
beijo-te

dispo-me
enrolo-me em ti
transporto-me para ali

para outro mundo

o paraíso

e tu, vais... comigo?
eu vou contigo
até ao infinito
172

ndugcts . 022

as trevas envolvem-me os pensamentos
frios
negros
sombrios

a verdade está no fim dos tempos
esquecida
perdida

contemplo na noite
os desejos sagrados que flutuam
calmos num oceano vermelho

o sol já dorme
no seu silêncio ardente

contemplo a noite
as trevas onde habito

e viajo
sob mil luas
sem saber para onde ir

procuro Deus
perder a fé é um crime
206

ndugcts . 021

e porque todas as estradas que temos que percorrer são tortuosas
e todas as luzes que nos levam até lá nos cegam
há muitas coisas que eu gostaria de te dizer
e que não posso

talvez porque
no final de tudo

nada está terminado
202

ndugcts . 020

fito os teus seios
desnudos, redondos, quentes
cheios de amor, exigentes
carregados de luxúria, vibrantes
onde me perco em gula, seios escaldantes
seios maduros, seguros
cheios de desejos
impuros
seios onde me afago
em delírio
sinto o calor na minha língua
estremeço em desequilíbrio
no encalce do teu amor
assim
submisso
sem pudor
200

ndugcts . 019

lobos uivam
à lua cheia
vampiros
bruxas
saem dos seus covens

uma brisa suave
desce do céu
pontos vermelhos cintilam
à distância de uma trovoada

nada é mais agradável
do que ver o mundo à noite
193

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rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário. cresci a ouvir e a cantar à alentejana e gosto... choro e rio com facilidade... sou espiritual e espirituoso... amo intensamente a vida e vivo ao sabor dos meus caprichos... odeio hipocrisia e não suporto a arrogância... protejo aqueles que amo e busco incessantemente o meu caminho... sinuoso, imprevisível mas muito, muito rico... vivo no alentejo e partilho a vida com aqueles que me são queridos.”
desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”.
participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013, 2014 e 2015.
a convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto.
em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora.
um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras.
actualmente vive em brinches, serpa no alentejo, dividindo-se entre o trabalho a família e a escrita.
projectos não lhe faltam e tem em cima da mesa muitos que, espera ele, vejam a luz do dia num futuro próximo.
o último trabalho de originais reúne escritos dos últimos anos, onde o autor aborda os mais variados temas, no entanto, o amor é o leitmotiv de “fragmentos do meu pensar”.
a sua última participação foi na obra “talentos ocultos - vol.1”, que reuniu uma série de escritores de língua portuguesa, e que saiu em dezembro de 2014, sobre a chancela da ediserv.