Lista de Poemas

ndugcts . 035

a realidade
é falsa
e feia
as pessoas vivem na mentira
em que se acomodam os fracos
e a diversão
bem, a diversão é apenas um risco

momento de pausa (silêncio...)

a areia desliza na ampulheta da vida
sinto-me tonto
sinto-me tolo
ok, agora é tarde, vou dormir
242

ndugcts . 037

na reflexão do momento
sou o refúgio
do tempo
interpreto o meu papel
coloco a máscara
sou fiel
revelo a essência dos sonhos
depois de ingerir
alguns medronhos
deixo a minha imaginação voar
entoando cânticos ancestrais
nas escarpas junto ao mar
em noites solitárias
viajo sem ter medo
partilho o meu segredo
noites assim sombrias
noites gélidas
noites frias
ah! poeta sofredor
219

ndugcts . 036

a velocidade é uma coisa do caralho
e eu quero parar
poder observar
sugar o tutano da vida
fornicar até amar

quieto, sem pressas, sem nada

quero tomar café
quero fumar um cigarro

e nos intervalos desta dormência
observar a minha mulher
passeando-se em frente aos meus olhos
onde se esconde esta vontade louca de a...

depois
quero apenas sentir o sabor de um livro e
libertar o "pássaro azul"
até à lua azul

e aí, seguir manhã dentro
beijando as extremidades desse corpo morno
196

ndugcts . 039

vivo

no nevoeiro nocturno
que habita na floresta
na náusea
de um vómito pútrido

aí vivo

no fio da navalha
que arrepia
este corpo estranho
e se entranha

de forma tamanha
202

ndugcts . 026

nesta vida de ilusões
a realidade é blasfémia
o céu ruindo
sobre os mortos que clamam
suas existências perdidas
tenho de ir
antes do astro rei se levantar
tenho de ir
antes que os outros vejam a minha arte
precisamos viver
mas levantar da cama hoje em dia é pecaminoso
sinto uma fome imensa
preciso matar
este orgulho que me domina e corrompe
preciso matar
este mal que nos destrói
mas... onde estou?
o meu lugar não é aqui
200

ndugcts . 031

tenho a alma... cheia... de nódoas
são muitas as noites
poucas as noites sem pesadelos
e o dormir?
o dormir parece já não existir como existia
202

ndugcts . 033

vejo tubos de néon vazios
que queimam a palma daquela
mão desnuada

deixam um traço
um sinal divinatório
e elaboram um mapa do céu sem fim

por breves momentos
desaparece sobre a luz pálida
do sol adormecido

a hera trepa as paredes
neste sono vigilante
atingindo a varanda da alma
de onde espero poder ver
a tua carne crepitar
233

ndugcts . 027

neste teatro de efémera existência
teu semblante será sombra
tua face entorpecida, excêntrica
de cores umbrosas
serás tu a alquimia
a magia da ópera
cujo vento assobia
na negra noite
escreve a tua biografia na lua nova
une as estrelas
efígie abençoada de ti
és tu o apogeu
das negras inspirações
musa de apetites e lampejos
tu és diva
és sedução
és tela intemporal
pinta o céu a sangue
emoldura-o de negro
pinta também o desejo
num crepúsculo de volúpia
lábios de sangue
negros como a morte
186

ndugcts . 032

palavras escorrem do lado mais obscuro da mente
em cada frase profética
escorre a força da vida
que brota da alma

cada pontuação
é um pouco do meu ser
que escorre dolorosamente
numa dimensão perfeitamente parafraseada

pequenos milagres
acontecem em guardanapos por todo o mundo
278

ndugcts . 030

a caneta desliza
a tinta escorre sobre o papel
saem palavras
frases
certas, erradas
diferentes
indiferentes
deixo-as repousar
volto
saem palavras
palavras erradas no momento certo
194

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rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário. cresci a ouvir e a cantar à alentejana e gosto... choro e rio com facilidade... sou espiritual e espirituoso... amo intensamente a vida e vivo ao sabor dos meus caprichos... odeio hipocrisia e não suporto a arrogância... protejo aqueles que amo e busco incessantemente o meu caminho... sinuoso, imprevisível mas muito, muito rico... vivo no alentejo e partilho a vida com aqueles que me são queridos.”
desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”.
participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013, 2014 e 2015.
a convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto.
em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora.
um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras.
actualmente vive em brinches, serpa no alentejo, dividindo-se entre o trabalho a família e a escrita.
projectos não lhe faltam e tem em cima da mesa muitos que, espera ele, vejam a luz do dia num futuro próximo.
o último trabalho de originais reúne escritos dos últimos anos, onde o autor aborda os mais variados temas, no entanto, o amor é o leitmotiv de “fragmentos do meu pensar”.
a sua última participação foi na obra “talentos ocultos - vol.1”, que reuniu uma série de escritores de língua portuguesa, e que saiu em dezembro de 2014, sobre a chancela da ediserv.