Rui Serra

Rui Serra

n. 1972 -- --

rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário.

n. 1972-11-19, Serpa

Perfil
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ndugcts . 075

acordo
cansado
da cidade
dos carros
das luzes
das pessoas
do barulho
sem saber
para onde ir
que caminho percorrer
por agora
só tenho a opção
de apenas ser
Ler poema completo
Biografia
rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário. cresci a ouvir e a cantar à alentejana e gosto... choro e rio com facilidade... sou espiritual e espirituoso... amo intensamente a vida e vivo ao sabor dos meus caprichos... odeio hipocrisia e não suporto a arrogância... protejo aqueles que amo e busco incessantemente o meu caminho... sinuoso, imprevisível mas muito, muito rico... vivo no alentejo e partilho a vida com aqueles que me são queridos.”
desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”.
participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013, 2014 e 2015.
a convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto.
em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora.
um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras.
actualmente vive em brinches, serpa no alentejo, dividindo-se entre o trabalho a família e a escrita.
projectos não lhe faltam e tem em cima da mesa muitos que, espera ele, vejam a luz do dia num futuro próximo.
o último trabalho de originais reúne escritos dos últimos anos, onde o autor aborda os mais variados temas, no entanto, o amor é o leitmotiv de “fragmentos do meu pensar”.
a sua última participação foi na obra “talentos ocultos - vol.1”, que reuniu uma série de escritores de língua portuguesa, e que saiu em dezembro de 2014, sobre a chancela da ediserv.

Poemas

105

ndugcts . 052

eu já não vivo
parti
deixei o mundo das quimeras
das ilusões desgastantes
das correrias desenfreadas
na procura constante
desta paz que hoje tenho
266

ndugcts . 046

sorrio
porque escrevo sem mágoa
e vivo comigo
e choro comigo
e riu comigo
e com a minha alma
e a verdade que possuo é só minha
267

ndugcts . 047

descansas hoje
no desassossego inquieto
do meu olhar
estranho-me em ti
estou intranquilo
sinto um arrepio
frio
gélido
vazio
estranhamente encantador
aqueces o meu ser
neste dia de inverno
e despertas em mim
a paz
na tranquilidade da tua voz
253

ndugcts . 043

o que ocultam
os teus olhos vazios
o que oculta
o teu coração?

o que escondes
no teu sorriso
frio de saudade

observo o teu ser
num espelho
que me "transmite" agonia

morres lentamente
definhas

agora
já não sonhas
213

ndugcts . 045

escrevo
letra a letra
de folego em folego
o sangue percorre esta vasta casca biológica
e vai
de célula em célula
quero ousar transcender as leis da natureza
quero mudar esta minha condição
e deixar de ser quem sou

mortal
240

ndugcts . 044

eu queria escrever um poema
breve e triste
inventado, reinventado
até mesmo plagiado
não deveria ser lido
mas gritado
num choro
convulsivo
retorcido
como guitarras que gemem em surdina
e dos olhos frios do leitor
deviam escorrer lágrimas
nervosas com sabor a mar
199

ndugcts . 036

a velocidade é uma coisa do caralho
e eu quero parar
poder observar
sugar o tutano da vida
fornicar até amar

quieto, sem pressas, sem nada

quero tomar café
quero fumar um cigarro

e nos intervalos desta dormência
observar a minha mulher
passeando-se em frente aos meus olhos
onde se esconde esta vontade louca de a...

depois
quero apenas sentir o sabor de um livro e
libertar o "pássaro azul"
até à lua azul

e aí, seguir manhã dentro
beijando as extremidades desse corpo morno
210

ndugcts . 038

não
o amor não nasceu para o poeta
o demónio não nasceu para ser Deus

o poeta nasceu
para... sofrer
sentir
escrever

o poeta nasceu
amaldiçoado

gemendo nas esquinas
de uma qualquer folha pouco imaculada
229

ndugcts . 039

vivo

no nevoeiro nocturno
que habita na floresta
na náusea
de um vómito pútrido

aí vivo

no fio da navalha
que arrepia
este corpo estranho
e se entranha

de forma tamanha
214

ndugcts . 037

na reflexão do momento
sou o refúgio
do tempo
interpreto o meu papel
coloco a máscara
sou fiel
revelo a essência dos sonhos
depois de ingerir
alguns medronhos
deixo a minha imaginação voar
entoando cânticos ancestrais
nas escarpas junto ao mar
em noites solitárias
viajo sem ter medo
partilho o meu segredo
noites assim sombrias
noites gélidas
noites frias
ah! poeta sofredor
233

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