AMOR A LOUCURA
Amo-te loucura minha,
Que a mim liberta, que rompe as correntes.
Que me alucina, mas me faz ser gente
Que não aceita regras, nem se adéqua aos mandos
Que a dor não se entrega, nem aceita os danos
Que não venera o medo, nem os preconceitos
Que só obedece a alma no que lhe é direito
Que não se incomoda se é errada ou certa
Mas nada vê de longe, tudo apalpa e aperta
Que não vê o dolo em conhecer a vida
Nem aos desaforos, ampara ou abriga
Que não conhece cercas para a liberdade
Mas vive livre e plena em sua insanidade
Se alguém a condena, critica e apedreja
Não passa de escravo, a morrer de inveja
OBRAS DO ACASO
Por uma questão de habito, o Sr Wiliian Rosh guardava sempre m sua casa pequeninas peças de toda a natureza, sob a argumentação de um dia elas lhe seriam úteis em algum serviço. Habilidoso como ele era, não raras vezes recorria à sua caixa de bugigangas na busca de alguma determinada peça que lhe prestasse a um reparo específico, ou mesmo para reabastecê-la com os destroços de algum eletrodoméstico desmanchado. Com o passar dos anos, a caixa do Sr. Rosh tornou-se um verdadeiro arsenal de bagulhos tais como: porcas, parafusos, filamentos, molas, resistências e tantas outras, das quais ele nunca sobe quais eram as suas funções específicas.
Após a sua ultima mudança, O Dr. Wiliian Rosh Univac, como mais tarde ficou conhecido internacionalmente, recorreu a sua velha caixa em busca de um treco que substituísse um pino que desaparecera de seu guarda-roupa. Que surpresa! Com o movimento da caixa, as pequeninas peças haviam se rearranjado de tal forma que constituíram um aparelho que passou a ser chamado de calculadora de bolso, capaz de efetuar as quatro operações aritméticas, as funções trigonométricas, além da radiciação e a exponenciação. Tal fato revolucionou o mundo científico da época, iniciando a ciência da cibernética e dando origem aos primeiros computadores que foram lançados no mercado com o nome de UNIVAC.
Por mais ignorantes que fôssemos, em termos dos princípios científicos que regem o funcionamento de uma calculadora, não hesitaríamos em afirmar, categoricamente, que não é verdade o fato acima descrito. É simples, não cabe na nossa mente que um visor luminoso, um teclado codificado e conciso, um mecanismo de alimentação energética e um conjunto de circuitos microscópicos de magnetização lógica, dentre outras coisas, possam ter sido formados e se organizados logicamente ao acaso. Antes sim, deduzimos que ele é fruto de um projeto cuidadoso, construído e analisado por uma equipe técnica altamente qualificada, a qual previu e ponderou todas as interações dos componentes eletrônicos ali encontrados.
A calculadora, embora deslumbrante à nossa vista, não passa de um caco velho quando comparada com a obra que coroou a criação divina, quando no sexto dia, disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. As funções realizadas pelo corpo humano, como a capacidade de questionar e decidir, de amar e odiar, o senso de lealdade e de direito, de reprodução e criação de utensílios, como a própria calculadora, são provas de que o ser humano e a vida não são frutos de uma junção aleatória de aminoácidos, que sob a tensão elétrica de descargas de relâmpagos, constituíram, há milhões de anos, a primeira célula viva e dela os demais seres vivos e suas espécies, como afirmam os evolucionistas. Não há dúvidas, a vida não é obra do acaso, mas sim o fruto da mente gloriosa de Deus, que na sua imensa grandeza fez, não só o homem, mas todo o universo.
SENTIMENTOS
Conselhos em sentimentos não se empresta
Pois que toma a decisão, sua alma arresta
E a todos os seus desencantos leva amarrados
Em cordas de lembranças e manchas do passado
LUVAS DE CETIM
Depois de meses na enfermaria
A velha por fim agonizava
Dilacerada em dor, gemia
Porém nada mais ela falava
Não que a sua voz tivesse acabado
Ou que não se lembrasse mais das falas
É que sagradas eram as vozes do passado
E não queria vê-las agora perturbadas
Gemia assim, triste e sozinha,
Não mais clamando a dor da morte
Mas por ver, assim, quão mesquinha
Podia ser a vida em sua sorte
Mãe dedicada de oito filhos
Todos em lágrimas e dor criados
Mas dela há muito, já todos esquecidos
E por seus próprios destinos obcecados
Foi quando por fim ouviu a enfermeira
- Chega-te aqui Senhora, até a cabeceira
Dê a ela a sua mão neste último momento
Será por certo um bálsamo ao sofrimento
Num esforço final, a velha disse com voz turva
Eu quero é a sua mão, por favor, retire a luva
Depois clamou por fim: Esta mão não é Maria
A mão dela, eu lembro, tinha alma, pois eu sentia
MORRE ROMA
Quando o trabalho é descartado por despojos
E a violência é cultuada em versos e coro
Quando o sangue dos oprimidos já não importa
O desamor passa a habitar dentro das portas
Quando a justiça e a moral fogem dos trilhos
Os pais morrem pelas mãos dos próprios filhos
E quem ensina a alçar poder a qualquer custo
Cedo defronta com o vil punhal do filho Brutus
LEMBRO-ME DE TI
Não nos presentes que recebi, sem regar datas ou horas
Nem no atrelar de mãos em jornadas fúteis mundo afora
Nem nos cabelos sedosos que acariciavam meu corpo
Nem na beleza daquele olhar, que jamais vi num outro
Nem na sonora voz do teu clarim a acordar-me a alma
Nem na serenidade tua, que a toda a angústia acalma
Nem as faceiras noites de amor a dar inveja à lua
Nem nos delírios néscios ao ver-te linda e nua
Nem nos abraços ternos quando a esperança era vazia
Nem no silêncio seco e austero de quem a dor partilha
Nem nos olhos cansados e tristes em vigília de mágoas
Nem no secar do pranto que em lágrimas desagua
Nem no sorriso desvairado que me tirava do sério
Nem no adornar do quarto em doces ritos de mistério
Nem nos sonhos construídos em dunas de cumplicidade
Mas no abismo deixado por um triste vazio de saudades
A DANÇA DA HIPOCRISIA
Vestimentas de sangue, na violência a dançar
Cospem e zombam da vida, quem vai se importar?
Legalistas hipócritas, assassinos de irmãos
Fingem que repudiam, mas não mexem suas mãos
É um menor de idade, está o hipócrita a falar
Só porque hoje a vítima, não saiu do seu lar
Mas já chegou hoje o dia em que a nossa nação
Gasta mais com bandido do que com o cidadão
É uma dança de e escárnio, orquestrada no paço
Quem tem medo da forca, nunca faz bem o laço
Pouco importa quem morre, ou quem sofre a dor
Legislam para os bandidos, pois lhes devem favor
Quem apoiou sua campanha, quem pagou os seus votos
Se os diabos do inferno, a eles já se fez devoto
Vendem a vida dos homens e a esperança de infantes
São escórias de homens a vestir togas e turbantes
LAMPEJOS DE VIDA
Tenho medo,
Não da dor, a esta sempre suportei resignado
Não da velhice, ela é para poucos privilegiados
Não da deformidade, nunca pousei de manequim
Não dá solidão, há muito aprendi a andar sozinho
Não da debilidade, ela ensina-nos o que de fato somos
Não da morte, minha vida em Deus tem o seu dono
Temo muito,
Deixar de ser quem sou por vis lampejos
Partir antes da hora por de alguém desejo
Ao nojo que sempre sucede aos interesses
De que a fé que me sustenta, eu a perdesse
As companhias que são mantidas a contragosto
Ser aos que amo, um peso e os seus desgostos
Admito,
Respeito o abutre que da carne podre come a carcaça
Mas enoja-me o carcará que a carne viva estraçalha
Prefiro despacho abrupto a estancar rios de sonhos
Que a partida lenta regada em gotas de desengano
A FILHA DA BABÁ
A menina da babá nasceu em casa
Seu pai e mãe têm vidas ocupadas
Nasceu em berço de ouro, é abastada
Mas afeto só recebe da empregada
Novinha, este mês fez cinco anos
Com massa corporal sobrepujando
Em chiclete e sanduíches viciada
Pronúncia e dicção na forma errada
Já dança o funk, o axé e o pisadinho
Sabe tudo das novelas e do Ratinho
Adora ver TV e ouvir música brega
Conhece fast-food e o disk-entrega
Ninguém em casa diz que a filha é dela
Mas brinca, come e dorme só com ela
Seu sotaque, trejeito e voz espelha
Já em alma, gosto e jeito é a Marcela
FINAL DO DIA
A dor sempre foi mal educada, não pede licença, invade a casa. Mas, quem abriria a ela as portas? A dor e vento sempre entram pelas frestas. Assim é a vida, os ventos que trazem os netos são os que levam os avôs. Poeira nós somos, como a poeira voamos e aos poucos ao pó nos integramos. Dói em nós saber quão curta é a vida, mas, por mais a espichássemos talvez ainda não desse em nada, pois não é o tempo que é pouco, talvez sejamos nós que nos apequenamos demais e não conseguimos desfrutar toda beleza da jornada. A gente pode em pouco viver muito ou em muito viver nada. Confiemos em Deus, não abramos espaço ao lamento, pois muitos dos que veem a tarde preferiam ter partido cedo. Meus sentimentos aos entes e lágrimas de solidariedade.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza