Samuel Knevitz Silveira
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n. 1995-06-12, Porto Alegre
Poemas
33Fraco em mim, forte em Cristo
Amor remissor
Laroyê, minha senhora
É um pobre coitado, uma alma iludida
Achou que na moça encontrara uma amiga
Tomou uma rasteira que abriu a ferida
Aprenda comigo, pois já fui traída
Tem muito olhar que esconde a mentira
Tem muito sorriso que range de ira
Enquanto tu pensas que fez um amigo
Eu piso na cobra, afastando o perigo
É muito abraço de quem te apunhala
É muita arrogância de quem muito fala
De tanta inveja, tu ficou de cama
De gente querendo te ver na lama
Não penses que foi uma única vez
Que a falsa amizade, ela que desfez
Enquanto te forjo te pondo a prova
Tem muito invejoso cavando a tua cova
É duro encarar a verdade que afronta
Que tira cegueira e o falso aponta
Das sombras do engano eu te resgatei
Eu sou tua senhora, nunca te enganei
Na calada da noite, tu se lamentava
Pedindo a minha ajuda na tua caminhada
No pé do ouvido eu te sussurrava
"Receba o Axé!" da minha gargalhada!
Cáli-ce
Cometi um pecado
A tal da iniquidade
No meu vinho pus um gelo
Pra abrandar minha ebriedade.
Hocus Pocus
Sua língua, cortará
Do seu sangue, beberá
Nele, então, se afogará
Pois veneno o será
Desta forma, aprenderá
A mim não mais julgar.
Hipócrita bem-aventurado
Eles dizem:
- Corte esse cabelo, renuncie a vaidade!
(Afinal, um colarinho é o que garante a eternidade)
Eles dizem:
- O varão que é sozinho jamais será feliz!
(Não percebem o adultério bem debaixo do nariz)
Eles dizem:
- Tenha filhos, tenha filhas; são heranças do Senhor!
(Terceirizam, nas escolas, paternidade ao educador)
Eles dizem:
- Sê fiel e generoso, só assim vais prosperar!
(Mas esquecem da viúva a quem a lei vai deserdar)
Eles dizem:
- Não aceite a realidade, seja um idealista!
(Vivem de declarações num meio sensacionalista)
Eles dizem:
- Apóstata insolente, como ousas expressar?
(Tua verdade que fustiga quem só sabe condenar)
Tio Hugo
Esta noite eu acordei
O sol ainda ausente
O choro já presente
Foi então que recordei
na memória, uma canção
Uma dor no coração
Para a infância trasladei
Vi seu rosto, sorriso doce
Nostalgia que me trouxe
Nas lembranças eu vaguei
Sua grave voz a ressoar
Canção do meu primeiro lar
À sua casa me acheguei
onde dei primeiros passos
Entre quedas e abraços
À sua mesa me sentei
Sempre assíduo anfitrião
Da família, brincalhão
Ali, contigo eu carteei
Entre naipes e cigarros
De tragos a baralhos
Ao seu lado me sentei
Posto a ouvir versos e rimas
Do pai de minhas primas
E, quando enfim lhe visitei
Revivi a velha infância
Aconchego da estância
Naquela tarde lhe abracei
No olhar, a despedida
Num abraço de partida
Ao meu leito retornei
De uma onírica viagem
A uma lúcida miragem
Esta noite eu acordei
O sol ainda ausente
E, você, não mais presente.
Comentários (1)
ameiii!!!