Saul Leiva

Saul Leiva

n. 1997 BR BR

Creio que ao escrever, deixamos impresso um pouco de nós, cada palavra, um pouco de experiencias, sentimentos ou dúvidas. Objetivo da arte, ademais de expressão, é a conexão, sermos um pouco menos estranhos um pro outro. Se quiser conversar, estarei aqui.

n. 1997-06-04, Ponta Porã-MS

Perfil
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Rei em seu trono

Inspiração vem como sono

Sinto-me rei em seu trono

Ordenando as letras ao meu gosto

Decretando todo tipo de imposto,

Cada canto e recanto de papel

São como terra, tudo é meu

As vezes passeio por elas

Para espalhar letras belas,

Minha caneta é minha coroa

Pois ela me faz rei, poeta

Meus soldados são as palavras

Nada de corrupção, tudo às claras,

Monarquia correta e sincera

Farei o começo da nova era

Onde viver de prosa e poesia

Não passe de mera quimera

Os muros do reino serão versos

Com pedras de pesadas rimas

Nossos tesouros ricos e diversos

com métricas vívidas e caríssimas

farei meus discursos rítmicos

Rei trovador com coração lírico

Recitando leis com muito romance

Poesia chegará onde a voz alcance

O povo se alimenta de literatura

Sei que haverá prosperidade pura

Pode parecer apenas fantasia

Mas tudo existe, onde existe poesia.

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Poemas

4

O canalha que todos querem do lado.

Boçal e impertinente canalha

Mas aquele que queres do lado

Bobo da corte que diverte quando fala

E poeta, especialmente quando cala,

 

Sou aquela piscina de futilidade

Quando o calor do tédio ataca

Maturidade é divergente a idade

O trovador de piadas da casa,

 

Aquele mal necessário da rotina

Quando a seriedade aparece

Riso inquebrável igual platina

Que de más energias carece,

 

Livro todos da monotonia diária 

E tudo isso faço de graça

Deixando a vida mais hilária

Verdadeira alma milionária.

307

Nuvens

Sentindo a leveza das nuvens

E o suave vento que as levam

Apenas sentimentos bons surgem

Com a magia que elas possuem,

 

 Amorfas e imaculadas

Deixam que a vida as levem

Lindo quando há demasiadas

No uso da beleza se atrevem,

 

Cubram-me por completo

Cansei da sujeira do mundo

Quero sentir paz, estar pleno

Livrar-me deste meio inquieto,

 

 

311

Frente ao espelho

Como dominar tudo que sou?

Se toda emoção é independente

Meu livro de poemas queimou

Apenas cinzas da minha mente,

 

Quem sou na frente do espelho?

Seria um estranho ou conhecido?

Preciso de qualquer conselho

Pra este demônio ser contido,

 

Devaneio esquizofrênico

Com o corpo inquieto

Gritando fico afônico

Sou o próprio antagônico,

 

Minha mente que mente

Sendo cruel comumente

E é mais pútrido

Com seu sarcasmo prepotente,

 

Já o matarei com próprio veneno

Creio que não me resta muito tempo.

325

Dono de nada

Achei que tinha algo nas mãos

Mas sempre estiveram vazias

Orgulho e ego eram órgãos

Dias bons eram utopias,

 

Para que o fogo me consuma espero

Imperador de cinzas estilo Nero

Nem sei ao menos o que quero

Sempre destruindo meu império,

 

Os Deuses já não me escutam

Mas o que mais poderia pedir

Meus soldados e povo lutam

Mas nunca chegaram a existir,

 

Nobreza e riqueza ilusória

Toda história foi inglória

Tudo que tive foi escória

Que vida de escassa vitória.

328

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