gótica de coração
Mesmo usando a mais viva cor
Sou a mais gótica
Não é preciso preto
É só preciso rancor
Ser gótica
É ser caótica no interior
Obscura e sem amor
Coração sombrio
Mesmo usando o mais ordinário branco
Serei sempre a mais gótica
A Mais confusa e psicótica
Estou interiormente ofuscada
Não importa o quanto esteja eu iluminada
Não há cura para o escuro do meu coração
Não há quem me valha
Não tenho possível salvação
Vivo em ilusão
Vivo sem conformação
Sou gótica de coração
emotiva
Não sei o que quero
Nem o que espero
Vivo todos os dias
Sem aparente razão
Não tenho ninguém que me espere
Ninguém que valorize a desgraça
Que me consume e me amassa
Dia após dia sem descanso
Quanto mais viver me custa
Mais eu emotiva eu danço
Sem título
Transbordo covardia
Sofrer já é mania
Por maior que seja a desolação
Ao teu lado tudo é ténue (suave)
Não há dor que me faça chorar
Não há dor que me faça falar
Não há mais espinho que se crave
Nestas minhas costas já tão cravadas
Depois de tantas mágoas sentidas
Quero te deixar para trás
Quero de volta a minha paz
Não sei se tamanha revolta vem de dentro de mim
Ou se vem de dentro do rapaz
Sem Título
Talvez me cruze com alguém com modos que realmente me agradem
Para se juntar a mim e às minhas desolações,
Às minha inúteis reflexões
Durante os longos invernos e repentinos verões
Partilharíamos cigarros
Pensamentos bizarros
Enumeraríamos cometidos erros passados
Falaríamos da arte
E talvez do amor
Falaria da dor que foi amar te
E do vazio que sinto desde de que decidi deixar-te
SEM TÍTULO
Diz o meu pai
Para estar mais presente
Mais viva e menos ausente
Diz que não adianta o mundo às costas carregar
A sociedade vai sempre deixar a desejar
Não tem sentido levar comigo tanta dor no coração
Diz que tenho que me abstrair
Da desilusão que a vida é
E da dificuldade de apenas existir
Diz que já bastam as minhas desolações
As minha próprias interrogações
Estou incomodada com o fraco dos outros
E as suas descabidas decisões
Como se fizesse a mínima diferença
Diz o meu pai que há gente feliz de nascença
Mas com a felicidade vem a ignorância
Como a arte ,cresceu em mim a arrogância
Há gente inútil
Há gente fútil
Mas no entanto invejo
A inutilidade e a futilidade desses
Porque ainda assim não estão tão perdidos na profundidade
Do vazio como eu
Um nada sem fim que se propaga pela infinidade
Quem me manda ter uma mente que não se adequa à minha idade?
jazz
É devastador
Pensar tanto
Em tudo o que me rodeia
E em toda a minha dor.
Não há dias de descanso,
Para o meu fatigado coração
Ao som de jazz danço
Bailo eu e a minha desolação
Valsa longa e infinita
Menina triste e bonita
Sozinha no salão
Transborda ela uma imensa solidão
Talvez
Não me compensas
Todas as tristezas que proporcionas
Dizes que não amas
Mas simplesmente não te permites
E desconheces como tu próprio funcionas
Olha me para eu te olhar
Escuta me para eu te escutar
Não me amas mas deixa me eu te amar
Eu venero te deixa me contigo ficar
Canta me o que tu triste à noite estás a cantar
Fala me de tudo que te faz chorar
Compaixão fazem estes meus olhos brilhar
Quando te vejo e noto tamanha solidão
Eu não te valeria, eu nada mudaria
Sou oca e vazia
Não curo o meu próprio coração
Mas o teu talvez curaria
Cântico final
Talvez um dia terás lugar para mim
Talvez um dia me procures novamente
Quando estiveres ciente,
Do quão tu és ausente
Por agora, deixa-me ir embora
não temo como temi outrora
certamente que nenhuma história terá um final feliz
certamente que não ficarei para ver o nosso final
levo comigo as memórias que sempre quis
memórias essas que contigo fiz
antes que tenhámos um triste fim
entre a nossa alegria parto eu assim
lágrima escorre pelo canto
coração deixo-o contigo
para deixar de sentir tanto
Enquanto
Procuro-te na escuridão
és me paz,
és a minha salvção,
és equilíbrio e simultâneamente instabilidade,
és a minha verdade,
confortei-me na tua frieza
e nela ando a amar-te
enquanto que tu fores meu
eu serei arte
Sem título
Entre a desgraça
surge na inconstânçia
por breves segundos
a felicidade que se opõem à ânsia
de te amar mesmo não querendo,
de te agarrar mesmo te temendo
E que importa se ele me beija
como se estivesse mergulhado na loucura da paixão
quando para ele o amor não passa de um fardo
que os solitários carregam para haver menos solidão
é algo para ele sem sentido e razão
dispensável ,irracional e fingido
para mim eterna mágoa por o ter compreendido