Lista de Poemas

O poema tardio

Nos meus arquivos, encontrei um poema.
Um que devia ter sido enviado,
devia ter sido lido,
devia ter sido sentido 
faz tempo.
Um poema escrito com a ternura da alma e um profundo sentimento.

Julguei que o tempo me esperaria,
mas ele, impaciente, seguiu sem mim.

Prometi a mim mesmo: ‘Depois eu mando.’
E o depois virou nunca.  

Hoje, reencontro essas palavras caladas,
e percebo que cheguei tarde;
não por falta de amor,
mas por excesso de espera.

Se o tivesses lido...
Talvez soubesses do silêncio que me pesava,
dos sorrisos que fingia,
dos dias em que quase escrevi teu nome
no lugar da minha assinatura.

Se o tivesses recebido...
Talvez me ouvisses sem precisar falar,
talvez descobrisses que entre uma vírgula e outra
eu dizia: ‘fica’.

E se eu tivesse enviado?..
Enfim, não enviei.
O poema ficou aqui,
preso entre a dúvida e o medo,
escondido entre os rascunhos que o coração esqueceu.

E eu segui.
Ou fingi que segui.
Porque há passos que se dão com os pés,
e outros com coração e fé.

Às vezes penso:
se tivesse enviado,
terias ficado?
Terias entendido as entrelinhas?
Ou lido apenas mais um poema inofensivo entre as linhas?

Hoje envio, mesmo tarde.
Não pra mudar o passado,
mas pra libertar o que ficou preso em mim.

Se chegar a ti, que seja leve.
Se não chegar, ao menos estarei leve.

Porque há palavras que não foram feitas pra serem lidas
foram feitas pra serem sentidas.

Por: Sebastião Xirimbimbi

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O poema que nunca mandei pra ti.

Queria ser o primeiro a dizer:
Feliz aniversário, mãe querida.
Saiba que:
O meu amor por ti cresce todos os dias,
É diário, é vida.

Te amarei enquanto estivermos vivos,
E torço para que realizes todos os teus sonhos,
Que alcances os teus objetivos,
E que floresças sempre como florescem os campos nos dias bonitos.

Não precisas dar-me presentes, não és o Pai Natal,
A tua presença é o maior presente, és: Especial, essencial, e maternal.

E os presentes que me dás, não os dás com objetos, como o Pai Natal costuma dar,
Mas com afeto, cuidado e amor de lar.

Fico feliz quando dizes que sou o motivo do teu sorriso
Maroto, contagiante, lindo.

Enquanto eu respirar, mãe, eu te amarei.
E seja lá onde eu for,
No meu coração, sempre te levarei.

Enquanto eu existir,
Farei de tudo pra te ver sorrir.
Pois o teu sorriso é o meu favorito,
Ele torna o meu mundo mais colorido e bonito.

Tu tens valor, não tens preço.
És bênção divina,
E por seres minha mãe, a Deus agradeço.

Tu és única, preciosa.
Por ti, faço poesia e prosa.
És inspiradora, talentosa,
Mulher abençoada, virtuosa.
És o jardim inteiro; 
Não és apenas uma rosa.

Vales mais que diamantes,
Mais do que qualquer pedra rara.
Tens os olhos brilhantes,
Mais do que o brilho da aurora 
Criaste-me com o carinho de mãe,
E a sabedoria de uma excelente professora.

Sempre foste guerreira,
Descendente de Nzinga 
Mulher forte, batalhadora.
Amiga a qualquer hora.

Vales muito mais do que imaginas.
Tens um brilho único 
Nada apaga essa luz que carregas.
Tu tens os requisitos de uma princesa,
É isso que penso,

Mesmo que palavras sejam só palavras…Espero que sintas, mais do que leias,
O amor transmitido nestas linhas.

Esse poema era pra terminar assim:
“Feliz aniversário, mãe.”
Mas a demora em chegar até ti
Transformou o final em:
“Descansa em paz, mãe.”

 

Por: Sebastião Xirimbimbi

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ARMA DO POETA

Escrevi esse poema com muita calma,
Pois decidi expressar aquilo que me corrói a alma

Decidi falar do que vivo, vejo e penso
Falar do meu povo e do seu sofrimento imenso

Inspirado por Samora, Sankara, Nzinga e Mandela
Decidi usar os poemas como armas e lutar por uma Africa unida e bela
lutar pela dignidade e integridade do meu povo
lutar por um mundo novo
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Emigrante

Emigrante não se sente em casa,
Saudades aumentam à medida que o tempo passa.
Ele emigra, não porque deseja,
Mas por sobrevivência; pela vida que almeja.

Vai em busca de um pão mais seguro,
De um amanhã menos duro.
De um futuro onde o filho sorria,
E a esperança não morra todo dia.

Mas o preço é alto, pesa no peito,
É deixar o lar, mesmo sem jeito.
Levar nas mãos o sonho e a dor,
E seguir distante, sem perder o amor.

Sem perder o amor pela pátria,
Sem perder a fé e a esperança,
De ver a nação melhorada, próspera,
Com bom sistema de saúde, educação e segurança.

Pois mesmo longe, o coração não emigra,
Fica preso à terra que o criou.
O emigrante parte, mas não foge;
Ele sonha o que o país ainda não realizou.

E quando voltar, trará consigo a semente,
Do saber vivido, da força presente.
Erguerá com as mãos aquilo que o tempo feriu,
E mostrará que o amor pela pátria nunca se extinguiu.

Porque ser emigrante é ser ponte, não distância,
É levar na alma a dor e a esperança.
É partir para regressar mais forte,
E ajudar a mudar o rumo da sorte.

Por: Sebastião Xirimbimbi

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Comentários (2)

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Miguel Luheto
Miguel Luheto

A perda de pai e mãe é imensurável.

José Xirimbimbi
José Xirimbimbi

Muito bom poema