olharomar

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uivos

Sinto que do outro lado do silêncio

outra alma perdida surgirá

e despertará de novo este corpo ausente

como se seu corpo fosse.

Trará nas veias o seu uivo de silêncio

e rasgará meu peito com rajadas de amor

invadindo minhas veias,

a sua alma alcançando a minha.

Mas o meu caminho não acaba aqui

o meu abismo não terá fim,

o desfiladeiro continuará a espera do meu regresso,

mas esta noite, sim esta noite

terei alguém ao pé de mim

uivando juntos á mesma lua,

quando o negro da noite de novo chegar

sfsousa/olharomar

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Poemas

17

CARINHO DE AMOR


Foge a alegria das minhas mãos
Para a enviar saudosa
Com carinhos repartidos em cada viagem
E a eles peço que libertem toda a sua magia e cor
As dores que cada dia nos chegam
Adormeçam maldades
E nos tragam eternas liberdades

Vi o céu descendo
Querendo se entregar à terra
Trazendo na sua aragem
A promessa que me fizeste
E num rodopio de sentimentos
Voltei, corri para ti
Senti o teu suor
Repartido em cada carinho

Só sei que me lembras os meus passos
Que fogem e se perdem
Sempre que penso em ti
No teu suor
No inferno de cada carinho
Repartido com nuvens de prazer
291

Lavadeiras e cantadeiras

Hoje, ao ver umas fotos dum passeio á beira rio, de paisagens fantásticas, verdes inimagináveis, bem perto de nós, lá para o lado da Foz do rio Sousa, os moinhos adormecidos mas, não esquecidos, me fizeram lembrar algo que escrevi há tempos sobre este tema e que aqui os disponho para que todos os que queiram, os possam apreciar com o mesmo carinho com que os escrevi…recordando as mulheres do povo e dos lugares mais distantes da freguesia (Mó e Carvalhal) que se dispunham a lavar roupa para os grandes senhores da terra, a troco de muito poucos cobres, nas margens do rio Ferreira, que serpenteia a nossa freguesia e desagua no rio Sousa.

No rio
a água corre
moinhos velhos movendo
farinha nova
vida pobre
trabalho árduo
água correndo

Dois lugares
um só pensamento
vinte cestos
montes de roupa
dez lavadeiras
nem um lamento
mãos embalando
uma voz rouca

Moinho velho
triste e só
na mó
seu leito gemendo
água do rio
farinha em pó
nas casas
familias sofrendo

Tantas voltas
uma cantadeira
uma bacia
para tanta roupa
dez cestos
cinco lavadeiras
mãos chorando
a paga tão pouca
 
 
 
278

HOJE....

HOJE


Gostava de poder escrever
Hoje
E dedicar-te todos os meus versos 
Mas trariam rimas tristes e impotentes 
E não seriam os meus versos
Mergulhados em palavras doces e quentes
Livres de todos os medos

Gostava de poder dizer ao céu que és minha
E cantar, 
Cantar a dor dessa viagem 
Do amor que está tão longe 
Moendo esta saudade 
      Que de novo se acerca       
E do coração não parte

Gostava de dedilhar-te nestes versos
Hoje, 
Mas seriam versos tristes de dor, 
O céu já não sorri em azul 
É despedaçado noutra cor
… Jaz no amor lua em corpo celeste

Gostava de dedicar-te meus versos, 
Hoje
...antes que o amor se acabe
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AMANHEÇO...



Amanheço 
No fundo dos teus olhos 
E sonho inventar teu aroma 
Em meus desejos

Adormeço nos teus lábios 
Que chegam a esconder carícias 
Perdidas no tempo 
Em recordações que não voltam

Amanheço 
                                   No fundo dos teus olhos                                      
Morrendo por inventar uma noite azul
E teu mar em meus desejos,

Renasço nos teus lábios
Que escondem caricias perdidas
Na tua voz de cristal

Resgatada aos teus ardentes beijos
São caricias perdidas no tempo
Em recordações que não voltam 
318

Há amor...2

Há amor em todos nós 
Há amor em cada ser perdido 
Há amor perdoado e ofendido 
Há sempre amor mesmo que não queiras 
Há amor sem barreiras 

Pois amar é pedir 
É sofrer e sentir 
Que não voltarei 
A te perder 

É este amor que chega 
Sem querer 
E me desperta 
Para todo este céu 

Que me ilumina 
Me acolhe 
E seu vento 
Sussurra de dor 

É amor o que ficou 
E não trouxeste 
É amor o que tens 
É amor o que sentes

O que no vento vai 
E no meu coração cai
Em todo o esplendor
Aí sim… há amor!
276

Há amor


Há amor que não chega 
Há amor que desperta 
Há amor que não mente 
Há amor que vem e fica 
Há amor que entra e sai

Em cada despertar duma flor 
Há amor
430

ÉS SONHO LINDO

 
És sonho lindo
Por realizar
És virtude escondida
Mal amada
Incompreendida

És lâmina com gumes de amor
Ardendo desesperada
Por um sinal de vida

Que do meu peito salte
E bem alto
Ao mundo grite

Eu amo assim
E nada mais
Amo como sou
Amo de desejo
Ardente e fatal

Será pedir demais
Este meu feitio
Esses meus amanhãs
Com que sonho

Esses gestos
Essas ternuras não realizadas
Esses pedidos de amor
Não alcançados

O amor que te dou
E me é devolvido
Não sendo amor retribuído
É amor desvairado
Não compreendido

A ti me entrego
Sentindo o meu medo
Desse amor
Que não renego

É meu, partilhado ou não
É meu simplesmente
E assim amo
...Perdidamente
 
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Comentários (2)

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joaoeuzebio

Fantastico este outro lado do silencio invandindo minhas veias viajei dentro de cada palavra parabéns amigo um abraço

Marnielly

Que linda poesia,realmente me tocou