olharomar

olharomar

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uivos

Sinto que do outro lado do silêncio

outra alma perdida surgirá

e despertará de novo este corpo ausente

como se seu corpo fosse.

Trará nas veias o seu uivo de silêncio

e rasgará meu peito com rajadas de amor

invadindo minhas veias,

a sua alma alcançando a minha.

Mas o meu caminho não acaba aqui

o meu abismo não terá fim,

o desfiladeiro continuará a espera do meu regresso,

mas esta noite, sim esta noite

terei alguém ao pé de mim

uivando juntos á mesma lua,

quando o negro da noite de novo chegar

sfsousa/olharomar

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Poemas

179

maresia me despindo

Versos de calma em frente ao mar,
Maresia me despindo
Em teus braços de sal me transforma
Me roubando minha defesa e meu ar
Deixando que a água me possua
Me levas a passear no teu mar
Tal sereia cantando, bela e nua
És sereia aos sonhos resgatada,

E nessa imensidão de arrepiar
Essas estrelas que a teus olhos sua luz dedico
Me acordando neste meu mar sentido
Me deixam sossegar,
Nesse mar se deitando
E nas tuas águas agitadas de dor
Partilhas essa dor comigo
Em tuas águas de amor navegando

1 038

dança

E eis que a vez da nossa dança chega,
nesta noite de todas as noites
peguei em teus braços e corpo e rodopiei,

os sentimentos à flor da pele
neste aconchego que são os nossos corpos,
atraindo todas as melodias da sala,

rodopiamos em passos arrepiantes,
passos arrojados e destemidos
tão cadenciados que não os entendo
1 044

Escuto


Escuto teus sons angustiados
Escuto sereias em migração
Escuto gente ferida
Escuto angústias e medos
Escuto guerras sem sentido
Escuto almas perdidas em vão

Escuto outros lados teus
Escuto jardins sem flores
Escuto cigarras cantando
Escuto luas com dores
Escuto gente inocente
Escuto gargalhadas reais
Escuto fomes e ais

Escuto guerreiros sem armas
Escuto políticos sem razão
Escuto crianças de armas na mão
Escuto vontades amordaçadas
Escuto pedidos em vão
Escuto discórdias de irmãos

Escuto todos os seres do mundo
Escuto canhões sem sentido
Escuto fome em muitos corpos
Escuto ajuda que não vem
Escuto avareza de quem tem

Escuto canções de embalar
Escuto sonos por acordar
Escuto outros ventos
Escuto muitos lamentos
Escuto homens sem vontade
Escuto países sem rumo
Escuto bonanças que não virão
Escuto continentes á deriva
Neste mundo sem razão


1 147

o outro lado da janela

Neste outro lado da janela
Sobre a qual estou debruçado,
Das saudades me despeço
Um pássaro de cores brilhantes
Brilhou nos ares e se foi
Em fumo de pesar que não dói

E ao longe,
Do outro lado dessa janela
Pela qual repartimos nossos olhares,
Me arrepio de seu pio deslumbrante
Tal silvo estridente
Que só os sentidos perseguem
E sem saudades acabam
1 012

gostava falar de amor

Gostava de falar de amor,
daquele amor que não se vê,
nem se pode esquecer,
daquele amor que não sabemos como
mas ele aparece,
aparece sem que te apercebas,
aparece sem saberes que existe,
é esse amor que um dia quando sais de ti
encontras na rua,
no sorriso de todos,
em cada gesto desprendido,
é amor quando não passas nesta calçada
mas eu oiço teus passos,
esse amor que nos toca a todos
e não é possível recusar,
é amor de musica composto
sem saber que nota tocar
1 029

em busca de pequenos olhares

Sinto a cabeça estoirando
em busca de pequenos olhares
que não voltam
porque te foste e te perdeste
e eu louco em desespero
neste céu vermelho
me desvaneço



1 109

deixa-te levar

Deixa-te levar por esse amor
ao alcance da tua mão,
no aconchego do teu leito
e perdoa
se ele não sabe bailar
mas levanta e voa
pois sempre juntos
mesmo entre tormentas
de ondas fortes e violentas
alcançarás o rumo perdido
e tudo... tudo fará sentido
1 052

folha

Um pássaro uma folha me trouxe,
folha no tempo perdida
à espera de ser encontrada

nas asas de nova primavera chegou
o sol escondido nessa folha há muito esquecida
voltou

é folha que já não está perdida
o meu coração a aconchegou

sfsousa
1 125

São Pedro da Cova - MINAS

És S. Pedro da Cova
terra negra e amiga
devorada de tanto negro

de gente simples
malteses enrolados
nas suas mantas descoloridas

sem casa nem lar
só trabalho e vida para dar

os corpos
sobre as cinzas negras destas terra,
seguem
os ruídos das águas da mina,
nas picaretas em uníssono
dos metais em desatino,

as mulheres de negro vestidas
suas almas chorando
dor e raiva nos peitos contidas
seus homens esperando
que cabisbaixos sangravam

no fundo da mina
um pedaço da vida largando
em mais um dia
a saúde em agonia
em carvão a vida esvaziando

finalmente as grilhetas abertas
a mina fechou
outra vida chegou
a dignidade desperta
soltou medos e voltou

http://rosadesangue.blogspot.com
1 190

se pudesse

Se te pudesse amar sairia correndo
E acorrentaria o vento

Se te pudesse amar sairia voando
E as marés em sossego ficavam

Se te pudesse amar sairia de mim mesmo
E ordenaria que parasse o tempo

Se te pudesse amar sairia de azul
E os céus em mim mergulhavam

http://rosadesangue.blogspot.com
1 176

Comentários (2)

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joaoeuzebio

Fantastico este outro lado do silencio invandindo minhas veias viajei dentro de cada palavra parabéns amigo um abraço

Marnielly

Que linda poesia,realmente me tocou