Acordar
No hinduísmo, renascer
No budismo, despertar
Para Nietzsche, deixar morrer
Para Aurora é cantar
Em corpo crístico procure entender
O que é em sua exatidão
Ser ou deixar de ser
Se perder na imensidão
Na astronave viajar
Em multidões se esconder
Da tristeza se embriagar
De si se esquecer
De diferentes modos, posso dizer
O que é esse processo?
Sempre volta a aparecer
Sempre cai em retrocesso
Talvez só caiba a intenção
Tudo o que basta é recomeçar
Abre-se uma nova dimensão
Procura-se um novo lar
Vago
Procuro profundamente
Procuro entender
Caminho intensamente
Quero a minha alma reacender
A vida me deixou ansiosa
Tudo aos poucos me entristece
Encarecidamente despretensiosa
Procuro entender o que acontece
Não olhei perto o suficiente
Na verdade estava dormindo
Meu estado era inconsciente
Da verdade estava fugindo
Só, estabeleço uma conexão comigo
Penso, paro e tento
Na ausência de um amigo
Sinto novamente o vento
Não fico nervosa
Nada há de restar, afinal
Há uma alma caridosa
E com ela me encontrarei no final
Morrer
Hei de morrer um dia
Talvez esse dia chegue em breve
Não quero que o sofrimento me persiga
Deixarei que a energia me leve
Hei de morrer um dia
Não conseguirei me entristecer
Talvez esteja lá para ver
Meu verdadeiro eu, conhecer
Me pergunto como seria
Tudo escuro, paz completa
Êxtase e uma luz veria
Tudo certo, coluna ereta
Hei de morrer um dia
Talvez velhinha estarei
Hei de sentir alegria?
Ora, pelo menos tentei
Enquanto penso em minha morte
Ora, penso como seria
Talvez com um pouco de sorte
Com vida, sairia
Ser que habita em mim
O ser que habita em mim
Me pega desprevinida a qualquer hora
Veio como um mal súbito ruim
E logo foi embora
Ele é meio desajeitado
Ainda que seja amigável
Meu corpo tomou emprestado
Minha alma tornou amável
Tomou conta de tudo por um instante
Me tirou o ar, também
Tive de tomar um calmante
Sua caminhada era um pouco além
Com um chacoalhão foi embora
Foi um aviso do Universo
E como vai sem demora
Partiu-se sem verso
Me lembrou de algo importante
Me lembrou e foi embora
A tudo que há em um instante
Estive no agora
Uma parte de mim
Sinto sua falta
Já não a sinto tão boa
Já não a sinto tão alta
Por um deslize te perdi
Em meio ao caos, chorei
Em tiras, reparti
E um pouco mais cortei
Não consigo mais falar,
Ainda que tanto amei
Não consigo mais cantar
Ainda que tanto tentei
A pior das mortes é a que vivo
Meio viva, viva-morta
Não sei mais se consigo
Ainda te espero na porta
2018
Pensei que não voltaria
Depois de tanto problema que causou
Ao citar Ustra, ria
Nosso país deslizou
Procurando os direitos do Brasil
Olhava para o céu amedrontado
Em seu estado mais pueril
Enquanto um ria o outro, calado
Recentemente jogaram os pontos
Seu envolvimento estava notável
Marielle entre os mortos
Seu crime, justificável
Indígenas mortos, florestas devastadas
Estavam cegos o tempo inteiro
Conservando sangue de tribos destroçadas
Tudo o que importa é dinheiro
Abduzido
6
Por milhares de segundos, uma voz ecoa
Traga de volta nossa nobre pessoa
Já fazem milênios que não vem
Estariamos esperando um ser do além?
Fernando fora abduzido!
Ora, será que está ferido?
Hei de encontrar o meu marido!
Dona Rosa mal sabia
Esperançosa, ela ria
Depois de tantos anos
Tamanha felicidade não se cabia
Novamente, a voz ecoou
Em sua sórdida existência, Dona Rosa chorou
Fernando nunca existira
O remédio o matou
Perdeu-se
Perdida estava em seus caminhos
Há tempos que não visitava sua morada
Seus pés andavam sozinhos
Como era feliz sua caminhada
Visitava agora terreno estrangeiro
Tudo o que ficou, sumiu
Em seu perfume lisonjeiro
Na caminhada da sorte, subiu
Como quem sente cheiro de mato,
A paz esboçava-se em seu ser
A caminho de cometer o ato
Tudo esperava desconhecer
Por descuido do acaso, tropeçou
Caiu e não sabia onde encontrar
O caminho, recomeçou
Agora desaprendia a falar
A brisa sentiu em seu peito
Acalmava o coração
Não conseguia pensar direito
Tudo era uma ilusão
"Por aqui hei de ficar"
Em meio a relva mergulhou
Logo começara a procurar
Logo perdera o que começou
Há pouco, desaprendeu
O que na mente tanto cabia?
Seu eu então morreu
Algo novo renascia