Shantall Tuiche

Shantall Tuiche

Jornalista, artista plástica, escritora, membro da Academia Jahuense de Letras.Vivendo da arte, ousando ser além de apenas existir. Mãe de pet e colecionadora de histórias.

n. 0000-00-00

Perfil
13 482 Visualizações

Ideias sequenciais de um eu-âncora indexado no Planeta de Gavetas Bagunçadas




main NOP

gavetas bagunçadas
mente de gavetas bagunçadas
cidade das gavetas bagunçadas
alma das gavetas bagunçadas

tudo rui ao redor
ruidosamente
tudo rui
ruidosamente nessa mente
de gavetas bagunçadas

device null

rios que não fluem
em um eu fora de mim
estrangulado
um outro eu fora de si
ruindo ruidosamente
controlado

escritos e tratados
engavetados
mente bagunçada
e engavetada
ventos que não movem nada
ou quase nada

tempestades neurais

R1 P1 R2 P2

árvores plantadas no ar
sou eu
galhos neurais
transtornos obssessivos compulsivos
sou eu
- Já já vai passar, meu bem.

gavetas bagunçadas
Nanotecnofagia - disse ela

dados indexados que não fluem
em um eu-âncora fora de mim
um eu-satélite artificial
um simulacro mais real que o real
um bem querer não mais que o que mesmo?

"Santa Clara Poltergeist" - estava escrito no Converse da garota

thundervideodrome
- Fiat Lux - disse a máquina
ruidosamente engavetada

- Eu não ligo se você não ligar.
transtorno dissociativo de personalidade
multiusuário
multitudinário
Luther Blisset ex machina
Era isso e mais nada.

viu? eu disse... ideias bagunçadas.

ideias projetadas
no planeta das ideias ancoradas

gavetas bagunçadas
mente de gavetas bagunçadas
cidade das gavetas bagunçadas
alma das gavetas bagunçadas

logoff

Ler poema completo
Biografia

 

Poemas

5

Sobre Madeleine ( e um pouco sobre Ronnie)


ISTO
impulso
atividade cognitiva
irracional,
"Você está bem, meu bem?"

Termos deprovidos de relação
formas incongruentes.
"O que é que você tem?"


Do outro lado do espelho,
ALGUÉM.
um sonho.
Quadrado preto sobre o branco - ausência
Quadrado preto sobre o preto - ausência da ausência.
Atitude beligerante, belicista, surreal e delicada.
Soberania de um pensamento encarnado no desejo
elemento de coesão, rota de colisão.
tempo, tempo, tempo, tempo
"Ela nunca pegou na sua mão, meu bem."


Planeta hostil
colonizado por afetos
projeções, ilusões, destino.
Institucionalização do instinto paranoico
e hostil, ilusório e hostil.
Instauração do espaço comum impróprio
corpo hermetico e instável
órbita irregular.
"ELA NÃO EXISTE."


Nunca será um objeto de apropriação.
Ela é sua Tereza da Praia.
impaupável.
Afetos complementares,
incidiosos,
dessituados da estrutura do tempo,
desprividos de rotina e tormento.
"ESQUEÇA!"

O que não é representável,
não é inexistente.
Inadequado, talvez.
Inseguro, talvez.

Como confiar no que não se constituiu?

Indesejavel? Jamais.
Indefectível? Jamais.
Desnecessário? Jamais

Existia nas fendas do tempo,
esquecimento, e memórias auditivas.
No ínfimo espaço vazio entre duas mãos,

guerra e paz.
mesmo coração
batendo uníssono
ensurdecedor.

Alguns chamariam de amor.
Todos chamavam de ilusão.

550

Além dos horizonte de eventos



- Glicose

Podia-se afirmar,
com um grau alto de certeza,
que era doce,
violentamente doce.
Como todas as abelhas rainhas deveriam ser.

- Temperatura

O sonho habitava o estreito limite entre o gelo e a lava.
Não havia meio termo,
não havia o café adoçado de maneira insuficiente,
não havia meia palavra entre os dentes,
qualquer coisa haveria de ser coisa alguma se assim fosse.
E era.

O calor dos lábios
outrora fora substituído
por horas,
incontáveis horas separando o sol de um outro sol,
estrela nua..
Uma colisão sem luz, sem graça,
sem a extrema desgraça da beleza mais brutal, mais singela,
E binária.

- Pulso

Toda busca inútil por autoconhecimento
deveria começar com a observação das veias esverdeadas,
dos tendões sobressaltados
e reativos aos impulsos.

Poderia ficar horas e horas e horas e mais algumas horas
observando os ponteiros correndo em um relógio sem pertinência. 
Existia uma vida ali, correndo, agindo e reagindo,
doçura e demência
"e de nada valeria acontecer de ser gente", sabe como é.
O pulso deveria ser a entrada para outro lugar desconhecido.
E era.

O pulsar gira e gira e gira e gira,
anda de mãos dadas com a vertigem
uma estrela de neutrons qualquer que se preze 
aceita o colapso, como fato.
Toda busca é inútil se não começar olhando para o que está na sua cara.
O que faz seu pulso pulsar?
Pulsar como um farol girando e girando e girando.
Era a frequência pela qual se apaixonava, pelas mesmas coisas de sempre.
E sempre, inesperadas.

O  jeito certo de segurar alguém é pelos pulsos
Toda aquela tempestade vai passar e carregar tudo 
para qualquer outro lugar, desconhecido,
e nada vai ser o mesmo, além do que sempre foi como antes.
Eu, inútil




- Respiração, saturação e consciência

Por definição ordinária respiração é um substantivo feminino
que designa o ato ou efeito de respirar,
movimento duplo dos pulmões, 
inspiração e expiração;
fôlego.

Na prática foi diferente, 
tudo estava funcionando, 
mecanicamente perfeito,
inspiração, expiração,
o ar entrava, o ar saía,
então porque a vista escurecia?
porque o coração batia perfeito? 
perfeito, acelerando cada vez mais, mas perfeito.

sabe o que é um coração batendo perfeito no momento da sua morte,
poetas ousariam rimar com sorte, mas era só, defeito.
a vista escureceu, o corpo amoleceu, e desfaleceu,
caiu,
lentamente, caiu
faltou o que fazia falta, o ar, e caiu.
Faltava o sentido da vida.
No corpo, que cai.

Tudo ficou escuro e quieto.
Mas havia ainda um pensamento,
um último instante de pensamento: “Morri”.

Um morri, curiosamente consciente 
sem desespero, sem conforto também, isso é verdade.
Em meio a escuridão um pequeno ponto de luz apareceu,
foi aumentando e havia ainda um pensamento,
e em haver ainda um pensamento havia um conforto:
“Ok, existo.”
Não importava onde.

O corpo desfalecido, em repouso,
necessitou menos oxigênio,
o pouco ar que entrava agora,
fora suficiente para recobrar a consciência.
A luz foi aumentando, a imagem se formando a partir do centro,
era uma luz 
luz do poste à frente, à cima 
sem túneis, sem eternamente.

Éter... o éter...pobre éter já não mais admitido pelos físicos.

Por definição: Viva.


- Pressão

Livro III: menciona o coração e os vasos sanguíneos.
Era uma imagem escondida debaixo de um bolso de coração costurado a mão, 
fatto a mano. 
Um nó na garganta percorrendo 20km de veias e artérias até chegar ao zênite. 
O corpo celeste mais brilhante do céu naquele instante. 
Estradas bloqueadas, quatro pistas bloqueadas, 
sol reluzindo nas partes metálicas dos carros à frente, 
e tudo bloqueado. 
Artérias, arteríolas, vênulas, veias e capilares, 
vias coletoras, vias arteriais, vias expressas, 
vias locais, tudo parado. 

Minutos, horas, dias, meses, 
anos, annus mirabilis, tudo parado. 
Tudo. 
Parado.

Só a vida andava à revelia, 
as coisas aconteciam, 
iam e vinham,
 automático, automatizado, 
fazendo bem o seu trabalho, 
cumprindo bem o seu papel. 
Papel em branco, 
asurado 
de um corretivo que não corrigia nada. 
Ou quase nada.
Tudo 
errado, 
embora parecesse o mais correto.


- Dor

Dor, dor...
a dor que precede o sofrimento.

Dia-após-dia, um poema,
um lamento,
presente,
falando de ausentes e distantes,
fazendo não mais ter sentido 
aqueles retrato na estante.

Tudo passa, e passou.

Sobre o sofrimento eu não sei.
Sei 
das noites e dos gritos de susto.
Sei 
dos dias e dos instantes de medo
Sei 
que era tarde ainda sendo tão cedo.
Sei 
que debaixo de tudo que conto guardo um segredo.

Fui uma estrela de neutrons.
647

Nanotecnofagia - O futuro já não precisa de nós

645

Imantado

632

atração ( variável oculta )




a vontade era menor
que a velocidade de escape
calor, suor, entrelace

aquele olhar
singularidade inapropriada
o traço branco na linha d'água

um horizonte de eventos
nunca dantes explorados
inócuos 
ondulatórios
simultâneos
instantâneos
ilusórios
marginalizados



- o poeta - a caneta - o abismo - 

lineares
olhares desviados
similares a ensaios 
sonhos
soslaios

a vontade era menor
que a velocidade de escape
inserindo valores indeterminados.

emaranhados
sem escape
ensimesmados
e sem escape

principiando a incerteza
e sem escape
de quando em quando
e sem escape


um traço branco na linha d'água
a vontade era menor
que a velocidade de escape

659

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Silene
Silene

horrivel infantilizada