O resto é silêncio
A lucidez
parece desaparecer
perante esse escuro.
Esse, não outros.
Ouço as vozes
por vezes
uníssonos murmúrios:
"O próprio sonho não passa de uma sombra."
Altos muros
de uma sanidade
sem pertinência.
Ente desnudo
unindo o amor
e a ausência.
A lucidez se assemelha
a areia de uma ampulheta
quebrada.
Ouço vozes
por vezes
dissonantes sofismadas:
"Dormir, dormir... talvez sonhar."
A morte é acordar.
Beekeeper - poema anos 2000
Ele a cada instante vê, e magia brota.
No coração, sonhos desabrocham,
Como um biólogo, enlouquecido a estuda.
Em seu universo, criação ideal,
Germinada na mente, seu sono embala,
Encarnada essência, primordial.
Nos lábios, o néctar da criação, traz
Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar,
Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.
Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama,
Inventando segredos, os escrevendo no ar
E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.
Assim, vive ele, poeta a pesquisar,
Inventando beleza onde sequer existe, para suportar
a dor de acordar de sonhos, que não deve sonhar.
Náufrago que é, no raso poço sem se afogar,
Segura a corda que sufoca seu pescoço
Como se fosse boia ao mar.
Nos seus pensamentos, a magia se encerra.
Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia
Objetos de estudo em meio à grande guerra.
Mas, acima de tudo
E todos,
Há uma rainha.
Que absoluta reina,
Figura etérea
Ou apenas, Ela.
Rainhas não comem merda.
Beekeeper - poema anos 2000
Ele a cada instante vê, e magia brota.
No coração, sonhos desabrocham,
Como um biólogo, enlouquecido a estuda.
Em seu universo, criação ideal,
Germinada na mente, seu sono embala,
Encarnada essência, primordial.
Nos lábios, o néctar da criação, traz
Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar,
Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.
Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama,
Inventando segredos, os escrevendo no ar
E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.
Assim, vive ele, poeta a pesquisar,
Inventando beleza onde sequer existe, para suportar
a dor dde acordar de sonhos, que não deve sonhar.
Náufrago que é, no raso poço sem se afogar,
Segura a corda que sufoca seu pescoço
Como se fosse boia ao mar.
Nos seus pensamentos, a magia se encerra.
Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia
Objetos de estudo em meio à grande guerra.
Mas, acima de tudo
E todos,
Há uma rainha.
Que absoluta reina,
Figura etérea
Ou apenas, Ela.
Rainhas não comem merda.
Lembra-me
Uma vaga, uma onda, uma ideia, uma lembrança.
Ela.
No infinito flutua, alma errante a vagar,
Buscando por algo, nos confins do sonhar.
No labirinto do tempo, sem rumo encontrar,
Entre sonhos e realidade, se vê desdobrar.
Em constelações dançantes, o ser se dissolve,
Entre Arcanos e inércia, a paixão se resolve.
O amor, platônico, a alma sublima e envolve,
Num intrincado jogo cósmico, o destino a absolve.
Já sem culpa, vaga.
Entre véus e mistérios, anseia a verdade,
A luz etérea, guia da terna jornada.
Mas a paixão a consome, carnal e encarnada,
Perdida na vasta e imensurável eternidade.
Como chama etérea que nunca se apaga,
Sua essência irradia, nas sombras propaga.
No derradeiro ato, épica saga,
Repete os primeiros versos, como uma lembrança vaga.
Ainda sem rumo, ainda sem nada.
Jazz
Na penumbra, o jazz ecoa
Solitude, o vazio devora
Palavras perdidas, noite sem lei
Luzes piscam, blues na aurora
Consciente na doce solidão
Navegando a maré da desordem
Palavras dançam, saltitantes, na mente
o dadaísta e as emoções latentes
Amor peculiar, sem parâmetros
Uma pintura surreal, se transmuta
Tons dissonantes e harmônicos lutam
Caos organizado, que me arrebata e seduz
Na penumbra do jazz, ressoa o eco
Da solitude que devora, insaciável
Palavras dispersas, na noite sem lei
Luzes cintilam, eu sou o blues que se recria
Fuck off
Não precisa ser impuro
podre, pobre, burro,
decadente e nem à margem de.
Pra ser obscuro, tênue
subcutâneo e inerte.
Não precisa ser muro,
murro, rota sem rumo
e nem àgua ardente.
Pra ser uno, louco,
nulo e indecente.
Pode apenas ser
surdo, incerto, puro
e inseguro.
Pra ser rente, fingir que é
chegar perto, impreciso e urgente.
Eu te aceito, assim, sem precisar.