Esse amor...
E o amor que desmedido Não era possível de aferir Explodia e enchia o espaço todo De inefáveis desejos Extrapolando a realidade... O anseio de almas perdidas de amor De desejos, devaneios... Embebidos no cálice do desejo Que esvaziava-se em cada encontro E enchiam-se na ausência... Sabendo que no passado não existiu No presente intensamente E no futuro, outros desavisados Completarão os seus, baseados Nos nossos sentimentos... Que agora só são registros Da intensidade incompreensível De seres carnais que se amaram Muito além da alma... Simone MOURA
Quando te vejo...
Quando te vejo Meu coração dispara Minhas mãos tremem Aumenta meu desejo Ah! É uma visão especial Sempre a busco No pensamento Para ver se consigo realizar No semblante tão lindo Nos quais meus olhos repousam Encontro equilíbrio Que me faz tranquilo Só assim... E se foges de mim? O que seria? O fim...
Coração remendado
E o amor fez morada em mim... o desejo de completude movia minha vida fiquei dependente E isso foi o fim... Invadida por um ciúme implacável tirou minha paz e autonomia e perdi tudo porque perdi a mim... Hoje percebo que esse sentimento que julguei ser amor só trouxera desgaste e dor... Sei que o sorriso voltará junto ao brilho dos olhos e o coração remendado Ah! vai amar de novo sim... Simone Moura
Amor
Ah! Como eu queria Ser livre desse amor Que me fez prisioneira Domina, minha vida por inteiro Ele é causa de minha Angústia e dor Quando deito ou me levanto... Não tem freio É devastador Ninguém entra Nem sai É sem critério E se no outro O amor encontra abrigo É invencível...
Procura-se
Coração abatido Partido em vários pedaços Chora aí dentro agora Porque foi rejeitado Coração brincalhão Ri de todas as desavenças Que a vida ocasionou Ignora de fato sua dor Coração injustiçado Tantas vezes ignorado Por que não aprende? Ah! Se um dia aprender Favor avisar Porque estou cansada De sofrer... Simone Moura
A riqueza da chuva
O vento vem soprando bem suave Devagarinho... As nuvens rapidamente O céu vem cobrindo Os pássaros se escondem A terra aos poucos se encharca Da lama brota vida Se espalhada a semente A fartura logo vem Desse fenômeno abençoado Que é simplesmente Pela natureza controlado!
DECEPÇÃO
Sensações no peito afloram Apertam firmes agora Por um romance torpe Ruído, acabado... Não há contrariedade Nem amor Só ansiedade E falta de valor... Julgas-te superior Não és nada És apenas mais um Vai-te embora! Não o quero mais Agora... Simone Moura
Monstro mitológico
O amor é como uma Hidra Quando o cortamos Brota novamente Com mais força Causa um reboliço Que tira a paz E só conseguimos Pensar no ser amado... E as forças movem O universo No qual o caos Ora instalado Torna-se o recomeço Mais forte Mais intenso Vencendo até Mesmo nosso Próprio medo Esse medo perverso De perder Ou de receber desprezo... Simone Moura.
Amor sufocante
E foi te amando imensamente que me esqueci de mim... Não importava o peso era invocação sem fim... Pouco a pouco como areia entre os dedos você foi escorrendo... E meu medo, Ah! meu medo foi crescendo... Insegurança intensa que a tudo destruiu sufocou o meu peito e você sem muito pensar... Partiu!
E era apenas um radinho
E era apenas um radinho E era apenas um radiozinho de pilha Ali no canto da sala Sempre às dezoito horas Vovô o ligava... E era apenas um radiozinho de pilha Que trazia notícias de fora De todo lado de nossa história... Os cantores da moda Sim, as moda de viola... E era apenas um radiozinho de pilha Meu avô; sorria enrolando o bigode... Viajava no pensamento Fechava os olhos de vez em quando Exercitando sua memória... E era apenas um radiozinho de pilha Tarde da noite ele o desligava Todos íamos dormir E no outro dia recomeçava Ora pra chorar, ora pra sorrir... O melhor era ouvir Aquela voz carinhosa Minha neta, por favor! Liga meu radinho de pilha... Simone Moura