Amor sufocante
E foi te amando imensamente que me esqueci de mim... Não importava o peso era invocação sem fim... Pouco a pouco como areia entre os dedos você foi escorrendo... E meu medo, Ah! meu medo foi crescendo... Insegurança intensa que a tudo destruiu sufocou o meu peito e você sem muito pensar... Partiu!
Coração remendado
E o amor fez morada em mim... o desejo de completude movia minha vida fiquei dependente E isso foi o fim... Invadida por um ciúme implacável tirou minha paz e autonomia e perdi tudo porque perdi a mim... Hoje percebo que esse sentimento que julguei ser amor só trouxera desgaste e dor... Sei que o sorriso voltará junto ao brilho dos olhos e o coração remendado Ah! vai amar de novo sim... Simone Moura
E era apenas um radinho
E era apenas um radinho E era apenas um radiozinho de pilha Ali no canto da sala Sempre às dezoito horas Vovô o ligava... E era apenas um radiozinho de pilha Que trazia notícias de fora De todo lado de nossa história... Os cantores da moda Sim, as moda de viola... E era apenas um radiozinho de pilha Meu avô; sorria enrolando o bigode... Viajava no pensamento Fechava os olhos de vez em quando Exercitando sua memória... E era apenas um radiozinho de pilha Tarde da noite ele o desligava Todos íamos dormir E no outro dia recomeçava Ora pra chorar, ora pra sorrir... O melhor era ouvir Aquela voz carinhosa Minha neta, por favor! Liga meu radinho de pilha... Simone Moura
Monstro mitológico
O amor é como uma Hidra Quando o cortamos Brota novamente Com mais força Causa um reboliço Que tira a paz E só conseguimos Pensar no ser amado... E as forças movem O universo No qual o caos Ora instalado Torna-se o recomeço Mais forte Mais intenso Vencendo até Mesmo nosso Próprio medo Esse medo perverso De perder Ou de receber desprezo... Simone Moura.
Amor
Ah! Como eu queria Ser livre desse amor Que me fez prisioneira Domina, minha vida por inteiro Ele é causa de minha Angústia e dor Quando deito ou me levanto... Não tem freio É devastador Ninguém entra Nem sai É sem critério E se no outro O amor encontra abrigo É invencível...
Procura-se
Coração abatido Partido em vários pedaços Chora aí dentro agora Porque foi rejeitado Coração brincalhão Ri de todas as desavenças Que a vida ocasionou Ignora de fato sua dor Coração injustiçado Tantas vezes ignorado Por que não aprende? Ah! Se um dia aprender Favor avisar Porque estou cansada De sofrer... Simone Moura
Bem acompanhado
Ficar sozinho é bom Refletir sobre nossa existência Nossa caminhada, O que somos e o que queremos Multidão não preenche É apenas barulho Muitas vezes inconveniente Ouça você! Ouça a sua intuição Ela te prepara Para a ação Te previne de desacordos Mostra o caminho E a solução... Simone Moura
Renascimento
DEZ, NOVE, OITO, SETE, SEIS CINCO, QUATRO, TRÊS, DOIS, UM! BUM! Bum! Pow! Pow! São os últimos segundos De um ano, e os fogos Saudando o novo... Esperanças que se fortalecem No anseio de que as coisas melhorem E a expectativa de que ainda temos tempo... Mas, será que temos? Abraços, sorrisos, beijos, Despedidas, gritos, música E muita bebida... É noite! A última e também a primeira Ambiguidade compartilhada. E se fosse a última noite O que você faria? Inicie o ano como se fosse o último Enterre as intolerâncias e o preconceito Ansiedade e o desrespeito Deixe de lado o orgulho desmedido Contemple a vida! E na próxima virada, Não chegue arrependido, Por não ter tentado ser Além do que poderia ter sido! Simone Moura