Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

n. 1972 BR BR

Um homem apaixonado por poesia.

n. 1972-04-14, Minas Gerais

Perfil
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Teu olhar


Ao teu olhar meu coração se aquece, 
Fogo que minh'alma incendeia, 
Abrasar contínuo de tal afeto, 
Que não se acaba com a morte, 
Consorte de amores de afago finito, 
Memórias da eternidade, 
Joia do amor padece. 

Ao teu olhar, 
Basta-me o teu querer, 
Solene confissão da intimidade, 
Segredando a beleza, 
Desta existência em vendavais, 
Imitando a serenidade das coisas, 
Nos ventos incompreensíveis. 

Ao teu olhar me encontro, 
Reinvento-me feito poesia,
A cada verso afeito em sonhos,
Em seus paralelos humanos, 
Premissas dos borbotões da vida,
Descalços pelo caminho.

Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
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Biografia
Abre a mente ao que eu te revelo e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri) Um homem apaixonado por poesia. Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)

Poemas

7

Volúvel querer

Amor fora do tempo não é amor,
É um desamor a si aviltado,
Na solidão doída infame rascunho,
Meneio do livre arbítrio oprimido,
Chorando desejos angustiantes,
Ferido pela razão enlouquecida.
Amor verdadeiro sem sentido,
Além das explicações,
Implicação do implacável destino,
Adestrando o caminho da felicidade,
Sentimento de faces eloquentes,
Pautando a vida aprazível admiração.
O amor aquece a alma,
E o coração apadrinha seus encantos,
Enlevo profundo do juízo amado,
Lisura do espírito que o concede,
Leveza do corpo num êxtase fiel.
Indômito animal é o corpo em chamas,
Abrasado pela compunção tardia,
Ao deitar-se num estranho leito,
Obsequiando a túrbida compleição,
Numa rendição capciosa.
210

Peregrinação

Sigo arfante por esta estrada,
Levando na algibeira o pão da alma,
Feito com minhas mãos calejadas,
Com o trigo plantado na seca estação,
Sob o suor do meu rosto castigado,
E meus pés cansados de tanta lida.
Olho para o céu timidamente,
Pela aba do meu chapéu furado,
E depois para o chão meu último leito,
Num clamor silencioso do meu peito,
Sufocando o meu riso,
Escondido pela esperança corajosa,
Mulher companheira que me atina,
Na solidão do caminho cravejado de sonhos,
Feito pedras de todas as cores,
lavrada pelo vento sob o sol escaldante,
Límpidos tesouros atestados pela chuva,
Figura altiva das lágrimas vertidas,
Quando o canto tornou-se pranto,
No silêncio da noite de muitos versos,
A traduzir o infinito das coisas,
Nos áditos transitórios da vida.




187

Dicotomia

Pingos d'água sobre minha cabeça, 
Caindo sorrateiros,
Fragmentos da vida feito lágrimas, 

Sinais de um coração tecido de sonhos, 
Ilusões transitórias da morte, 
Óbvios semblantes impetuosos, 
Travestidos de felicidade. 
Rasga-se o vento em mil segredos, 
Adejando vozes aos desatentos, 
Estropiando as entrelinhas das dúvidas, 
Pedras da incerteza livres no caminho, 
Causando seus tropeços quase invisíveis, 
Atirando a alma no deserto de si, 
Murchando a flor excitada. 
A respiração ofegante do medo, 
Estrangula a humanidade perdida, 
Indagando a consciência tresloucada, 
Insultando a casta beleza da existência, 
Insistindo que voe e redescubra, 
A certeza da própria voz sem fronteiras.
235

Recomeço

Após tanto tempo as flores brotaram,
Haviam murchado quando você partiu,
Levando meu coração em sua ausência,
Estremecendo minh'alma de solidão,
Deixando nas lembranças lindos momentos.
O brilho da lua tornou-se ofuscado,
Todas as vezes que eu olhava o céu,
Sentindo na memória o gosto do seu beijo,
Alegria dos meus lábios desejosos,
Cada vez que estávamos juntos.
As coisas mudaram com o tempo,
Seus olhares se tornaram distantes,
Sem o brilho do primeiro encontro,
E a leveza que tantas vezes dividimos,
Se perdeu  no meio do caminho,
Nos lugares mais incríveis de nós.
Até que um dia o sol se pôs,
A escuridão tomou conta de mim,
Ao dizer-me que iria embora,
Começar uma nova vida,
Não me amava mais,
Virando-se de cabeça baixa,
Partiu sem olhar para trás,
Sem nenhum arrependimento.
Meu mundo desabou,
Prossegui te amando até aqui,
Onde um novo amor floresceu,
Recuperou meu sorriso,
Devolvendo-me a felicidade,
Que outrora havia ressequido,
Quando me perdi no seu desprezo.
221

Atração

O meu corpo dança no teu,
Se abre feito flores na primavera,
Cujos poros serpenteiam entre si,
Cadenciando as emoções ditosas,
Beleza do olhar marcado,
Sinal fogoso da paixão vertida.
O seu corpo se abrasa,
Nossos braços se abraçam,
Ventura lábil ao que se ostenta,
Rosácea poesia lasciva,
Cícios melódicos em harmonia,
A versejar os ais silenciosos,
Encantos carnais beijando a alma.
Brada a concupiscência atrevida,
Nesta viração tempestuosa,
Provocante solstício rebuscado,
Desenhando no tempo tal furor,
Ímpeto adorável afago,
Reinventando íntimos sabores. 
252

Lume

Corpos que se procuram,
Versos entre os poros,
Constelações sob a noite,
Imitando os lençóis brancos,
Repouso pleno dos cânticos,
Vibrações da virtuosa pele,
Enlaçada aos portões da alma,
Inaudito jardim invisível,
Exalando perfume ansioso.
Desabrocha a rosa ao suntuoso beijo,
Fiel desejo a lubricidade afoita,
Distinto fogo regido,
Queimando o caprichoso amor,
Apaixonado em seus codinomes,
Copiosa flama dos desejos,
Embarcando amantes,
No imenso mar das ilusões.

Sirlânio Jorge Dias Gomes
250

Lânguido amor

Ao teu amor encanto do meu desencanto, 
Deixo o meu verso triste ao luar, 
Desaguando no silêncio entre o rio e o mar, 
Figura altiva do meu olhar em desalento, 
Desenhando no meu rosto abatido, 
As lágrimas angustiosas do meu leito. 
Aos meus sentidos calou-se o tempo, 
Quando nas estrelas busquei consolo, 
Desejando a morte quase infinita, 
Tão distante e tão próxima, 
Na infinitude do celeste véu, 
Beijando minh'alma íntima flor. 
Ao meu infortúnio sangrei, 
Abracei as pétalas da saudade, 
Virtude do meu coração enobrecido, 
Enamorado das noites silenciosas, 
Cativeiro insano da minha liberdade, 
Embriagado do meu eu libertino. 
271

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Zuleica
Zuleica

Palavras que saem do coração

dionesbatista

Belos escritos. Adelante!