Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Pálida ilusão do mundo, Este caos multifacetado, Covil de seres primitivos, Travestidos de humanos boçais, Gesticulando para morte, Do profundo abismo d'alma. O inferno paira nas mentes, Estado visível da histeria, Ócios do corpo em catalepsia, Putrefato odor dos hálitos, Serpenteando a boca dos defuntos, Deitados em seus caixões, Idílios dos mortos-vivos, Velando a si mesmos.
414
Renascimento
Naufraguei, Juro que pensei que fosse amor, Toda promessa de nossos momentos, Pensei que seu coração se unisse ao meu, Que tantas vezes me disse te amo, Com os olhos em lágrimas, Acariciando meu rosto com ternura. O tempo segue seu curso, Vou com ele apaixonadamente, Esquecendo de tudo, Apagando sua imagem em mim, Impressões de um engano, Da morte e da vida, Renascendo a cada combate, Agora sei quem sou, Dentro do amor de raízes profundas.
403
Murcha a flor...
Murcha a flor da humanidade, Pétalas caem silenciosas, Lágrimas de sangue vertidas, Horrores de uma guerra absurda, Obscuros gritos da desigualdade, Oriundos das massas encolhidas, Gritos ensurdecedores da liberdade. A fome exibe suas bocas vazias, Os túmulos, A dor da inocência; As ruas a decadência, Injustiças sem endereço, Honra ultrajada em malevolência, Aristocracia venenosa, Enfurecendo a plebe, De faces introvertidas, Embriagadas de medo, Juízos de razões ensandecidas. Murcha flor da humanidade, Sementes vazias em terra de ninguém, Ervas daninhas do preconceito, Escondida entre as pedras da falsidade, Classe de gentes do falso amor, Pútrida superioridade ignóbil, Dissimulada caridade da morte; Murcha a flor, Da humanidade.
385
Domínio
Este sol em seu olhar, Tanto brilho que me causa espanto, Não há solidão que dure, Diante desta face luzidia, Arrebatada de encantos. O seu corpo baila ao meu desejo, Âmago silente do meu amor, Inebriado pelo fogo do seu beijo, Que de tão doce me suaviza, Sussurrando a beleza da noite, Paixão poética em núpcias.
349
Afeto
De tanto querer, Esqueci de mim, Feito alma leve, Sem medo de sonhar, Livre como o vento, Soprando aonde quer. De tanto te amar, Me transformei em flor, Desabrochando todos os dias, Na primavera eterna, Infinito de nossas almas, Acesa chama que arde, Aquecendo o amor que nos anima. De tanto querer, abracei a sua jornada, Sua dor, alegria e esperança, Sem olhar para trás, Mirando somente a felicidade.
237
Purificação
A causa primeira que me germina, Neste corpo enamorado de si, Tão cheio de alento que chega a verter, Um rio de lágrimas dos olhos cegos, Desta alma suicida, Perdida no deserto do infortúnio, Igual um pássaro de asas quebradas, Sem saber se voltará a voar. Tantas dores de um destino, Espadas afiadas da derrota, Cortando lentamente o coração, Perverso suplício da solidão, Numa estrada repleta de espinhos, Onde sangrarei até purificar-me, Buscando o meu outro eu, Escondido no silêncio.
369
mortem
Não tenha medo, Desembainhe a espada, Revista-se de coragem, Lute contra estes monstros, Devoradores de almas, Ao longo dos séculos, Mostre onde está a sua honra, Rompa as barreiras da escuridão, Além da consciência do abstrato, Reverenciando o altar da luz, Bebendo no cálice da imortalidade, Enigmática flor da continuidade, A vida em seus paralelos, Segredo universal do infinito, Não tenha medo, A batalha será vencida, Ainda que não compreenda, A dor será sua liberdade, Fé absurda aos olhos dos loucos, Paralelo de mundos complexos, Visão suprema do inexplicável, Lúgubre passagem para eternidade.
340
Júbilo
A luz da tua face que me adoras, Este colo meigo que me aninha, Lampejos do paraíso em teus braços, Cada vez que nossos lábios se tocam, Imitando o silêncio de tanta suavidade. Teu coração é um deleite, Castelo de afetos infindáveis, Onde me abrigo repleto de amor, Poetizando a eternidade dos teus versos, Rimas do teu eu que me revela, Na beleza dos sentimentos vívidos, A desabrochar entre as estações.
383
Fruto
Além de mim, Lá estão em algum lugar, Os tesouros celestes, Em suas matizes infinitas, Vozes do espaço-tempo, Sussurrando eternidade, Enquanto viajamos destemidos, Sem saber aonde vamos. Nosso hoje incógnita do amanhã, Desabrocha a semente, No imenso cosmos, Vida formando vida, Movimento perene ignoto, Universos entre universos, Na simplicidade de uma partícula.