Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Néscios em seus claustros, Embevecidos de loucura.
304
Beijo
Beijo o amor em teus lábios, Céus asas do desejo, Ocluso olhar confidente, Corpo em delírios, Voando em pensamentos, Íntima alma afagada, Suspirando delícias, Beijo o teu querer, Ardente afeto idílico, Sussurrando intensidade, Meneios do coração, Vislumbres difusos, Afagos da paixão eclodida.
1 262
Alencar
Há uma flor, Deserta em meio ao jardim, Selvagem sem o ser totalmente, Perfumada igual a plumeria, Amante do amor em silêncio, Beijando o infinito da vida, Na eternidade multicor, Imperativos de uma rocha, Invólucro coração clemente. Há uma flor, Enigmática alentada, Acalentando o destino, Apreços da resiliência, Feito versos em poesia, Rimando o tempo, Na beleza de um porvir, Imitando a tempestade, Na timidez de uma calmaria, deleitando-se na grandeza de ser. Há um flor, Semente de outras flores, Ataviando a rocha do caminho, Sutil grandeza em timidez, Denodos do corpo, Gritando ao universo, Enquanto a alma, Vestida de elegância, Jorra numa fonte bendita.
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Autenticidade
Destinos imprevisíveis, Momentos feito páginas, Brancas, rasuradas, Escritas além de tudo, Submissão da vida, Prantos de emoções, Aos olhos atentos, Sedentos de esperança, A cada dia vivido. Desatam-se os nós, Pontes de novos laços, Sementes da alma, Ao longo do caminho, Sob os encantos do tempo, Sublime imperfeição, Soprando nos corações, Borrascas e brisa leve. Entre manhãs e noites, Açoites e ledices, Vai o amor adindo, Flores e dissabores, Rastos tênues, Reinventando passos, Abraços, olhares e beijos, Sondando o tudo e o nada, Ensaios da vida, Meneios da despedida, Vazio singular da saudade.
527
Fado
Atrevido ócio me ostenta, Ruidosa selva amedronta, Mácula feroz amofina, Intenso pesar me afronta, Retiro insolente aprisiona, Desvario n'alma tortura. Amei cruel loucura, Rapto soturno sobeja, Lírico trovejar nauseabundo, Ignóbil verso matreiro, Trova o gentil cavalheiro, Ao infortuno abandono, Rimas nefastas ao vento. Firam-me os astros, Condigno destino de um pária, A mercê da morte, Amada donzela da liberdade, Confidente do meu último suspiro, Ao encontro da fina flor, Paraíso da minha esperança. Doce elísio me abraça, Sigo arfando ao meu fim, Venha doce senhora, Atenha-me em seu colo, Meus lábios espirituais, Beija-lhe a face tão amada.
345
Enlevo
Amor além do olhar, Qual o teu segredo? Chegas de mansinho, Vendaval silencioso, Emoção desperta, Risos que choram, Prantos que poetizam, Abrasado coração solidário, Aflorando o tino. Possua-me paixão amena, Luxúria de dois nós, Leve-me além de mim, Ansiosa fantasia latente, Clamor solícito da felicidade, Acariciando meus sonhos, Acalentados em sussurros, Sedução solene adorna.
263
Apego
Afeição terna afago, Versos perenes enlevo, Desejos em pétalas, Amada flor perfuma, Asas do amor, Plácida alma inebria. Amado amor bendito, Faces de mim em ti, Enredado afeto aporta, Ao resoluto cais infindo, Beijando o distinto mar, Cujos lábios me veleja. Sou amor do teu amor, Puro desvelo do céu, Casto idílio das nuvens, Imitando meus pensamentos, Ao buscar-te no vento, Leme dos meus encantos.
1 148
Tumba
Pobre alma o corpo deixa, Báratro confesso em si, Inconteste manjar, Ao silêncio ignóbil, Beijo do esquecimento, Flores fino manto, Palia o odor da morte, Sob lágrimas confusas, Gestos do último adeus. Na dor as ilusões deixam, Invisíveis rogos aos incautos, Exortação da temerária vida, Prélios fatídicos destinos, Haurindo os sopros dos homens.
267
Nuances
Quantas noites sangrei,
No silêncio vertente,
Alma descendo pelo corpo, Desejando partir,
De tanta solidão doída,
Feito flor selvagem,
Longe de tudo,
Ao fim da primavera.
Quantas vezes morri,
No grito estridente,
Aos lânguidos ouvidos surdos,
Dos meus ais emudecidos,
Sopro de vida ao fio da espada,
Do meu surreal exílio,
Feito um barco a deriva.
Quantas vezes revivi,
Nos paralelos indubitáveis,
Sonhos imensuráveis,
Após longa estiagem,
Desta rebelde humanidade, Repleta de passos enfadonhos, Precisos em seus labirintos, Cadinhos de álibis finitos.
402
Cólera
Ataviei a serenidade, Pretensa morte, Jogos da vida, Folhetins da alma, Herméticos umbrais, Árvore do destino, De raízes esfíngicas, Solitária no deserto, Imperfeita miragem. Tantos risos perdidos, Meus lábios tremem, Ao falar ao vento, Tedioso discurso de mim, Aos eus da minha existência, Tentando convencê-los, Que sonhar ainda é possível, Ainda que os pesadelos revelem, Os fantasmas do medo. Humano regozijo alerta, Louca inanidade assentida, Carregada de tolices, Fardo ignoto dos perdidos, Escravos da falsa vida, Regurgitando insanidades, Podre manjar maldito, Veneno do século, Aos filhos da luxúria.