Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Amável amor desvelo da minh'alma, Deslumbra meu coração em tua avidez, Desperto sentimento de asas infinitas, Radiante estrela cintila meu desejo, Afável anjo de faces aprazíveis, Selando em meu peito tua eternidade.
Os teus olhos me revela enamorado, Gotejando dos teus lábios confidências, Poético florir de pétalas vaidosas, Perfumando as palavras de tua boca, Sussurrando-me entre emoções, Nua declaração de afeto.
Poetizo o cair da noite em teu céu, Amplidão complacente aos teus versos, Versejando nossos corpos em estrofes, Líricos sentimentos delineado amor, Arte finita de generoso viço, Metrificando-nos no silêncio de amar.
180
Eclipse
Não me aprisione com esta solidão doída, O mundo gira e amanhã poderá ser diferente, Preciso sair desta tempestade que sufoca, Encontrar o farol que está lá, Sobre a pedra do meu destino, Lançando raios de luz na escuridão.
Num barco a deriva está o meu sorriso, Balançando no meio do oceano, Este teu mundo de rosas negras, Tão frias quanto sua forma de amar, Lançando sobre o mar a sua ironia, Lúgubre ritual de despedida.
Há tanto sobre mim que ajoelho, Mas não é uma prece que faço, São suas mãos invisíveis que me ferem, Acorrentam-me ao seu vício, Este laço mortal de sua alma, Beijando as cinzas do meu corpo.
Não me aprisione com esta perfídia, Chegará o resgate que me libertará, Morrerá engasgado com o seu veneno, Terei de volta meu riso farto, Dançarei com a felicidade sob sua face, Serei simplesmente amor nesta jornada.
Não aceitarei menos do que mereço, Sua lembrança apagarei da memória, Darei meus lábios ao gêmeo amor, Dançarei ao silêncio sob a chuva, Sorrindo para a liberdade tão vaidosa, Seduzindo a alegria que me enamora.
230
Momentos
Hoje, e até quando o seu amor quiser amar-me, Desejarei a tua verdade absoluta em meus braços, Sem pressa, no contexto suave dos teus lábios, Esta emoção preliminar do meu desejo, Medida certa desta paixão tão sublime, Fôlego do meu minucioso querer.
Desperto meus sentidos ao teu perfume, Pareço estar além das estrelas ao seu toque, Danço feito criança de braços abertos, Brincando no meu interior cheio de fantasias, Óbvios sinais do que me cativa, Além da imperfeição que nos anima.
A fascinação de tua beleza é meu destino, Admiração que me conforta ao total convite, Deste seu sorriso meigo sedutor, Saudade constante em louca paixão, Escolha plena entre mim e você, Sementes do hoje, frutos do amanhã.
151
Falando de amor
O amor é um jardim de flores infinitas, Repleto de cores, aromas e formas, Beijando o tempo com suavidade, Sem se importar com os vendavais, A impelir as pétalas no solo d'alma, Casta esperança da perenidade.
Há um momento de respirar, Ganhar fôlego em meio a selvageria, Paragens de estranhas emoções, Aflição de momentos angustiantes, Gritando para que desista de ser feliz, Impulso da humanidade ferida.
O amor é a forma do que é contido, múlti plural congruência presumida, Ao ser que o estimula em teu seio, Metrificando a própria existência, Casuística liberdade consentida, Ao coração que se escraviza.
Há tantas vozes traduzindo o amor, Sem reconhê-lo na casta simplicidade, Delirando-se em impressões vazias, Enquanto se perdem em ilusões, Velando o caos em lágrimas entediadas, Cheios de si definhando no nada.
202
Repúdio
Há um vestígio sobre mim esta noite, Diante do espelho ofuscado, Vejo apenas o planger dos meus olhos, Talvez seja a miragem dos sentimentos, Fronteira do nosso perdido amor, Aroma das nossas lembranças.
Há algo intenso queimando meu peito, Predileção do meu livre destino, Tocando as tuas mãos imaginárias, Tão frias quanto tua pena, Indulgência ao teu coração descabido, Desbotando a tua beleza fria.
Diga-me onde se perdeu a tua humanidade, Nestas vestes de tua alma fugidia, Transformando paixões em pedras, Insensíveis visões da felicidade, Cárcere mórbido do teu selvagem querer, Engodo desejo que te condena.
164
E daí?
Daí se somos diferentes? Se você anda de carro importado, E eu ando a pé? Se adoro fumar quando tenho vontade, Tomar um bom uísque, Ou quem sabe uma boa cachaça, Seja em casa ou num botequim? Qual o problema se ando de carro velho, Se estou fora de moda, Se falo palavrão ou não? Fora daqui com tanta hipocrisia, Vida de aparências para agradar o freguês, Esta louca vida de insanidades, Nas camadas sociais de intempéries, Repletas de esquisitices chatas. Mulheres são mulheres, Homens são homens, Travestidos ou não de suas escolhas, Estamos todos fadados a velhice, Toda sorte de emoções, Com a morte a caminhar ao nosso lado, A esperar o momento exato, Ou atender os apressados. Com rima ou sem rima, Métrica ou sem métrica, Se é um poema ou não, Pouco me importa as convenções, Nesta confusão de verdades vazias, Nudez das massas revestidas de santidade. Risos, muitos risos para este mundo, E seus artistas de mil faces, Palmas para os desavisados, Os sãos e suas certezas, Bebendo-se da sua imortalidade, Na imbecil clareza dos seus atos. Daí se esta poesia não faz sentido? Saiba que também não me importo, Pare de ler antes que enlouqueça, Ou me chame de energúmeno, Beijando minha ignorância aos seus olhos, Contamine a sua razão(Risos). Há coisas que importamos sem precisar, Outras que deveríamos nos importar, E simplesmente não ligamos, Nosso tempo é apressado demais, Até mesmo para continuar vivendo, Sob tanta pressão de ser gente. Vou parar por aqui, Faltou alguma coisa a dizer? Daí, o que me importa? Siga as suas conclusões, Há muitas coisas a dizer, Mas não sou dono da verdade, Estou apenas tentando quem sabe, Me rebelar num provável poema.(Risos)
334
Vórtice
Minh'alma segue o meu coração, Esta estrada de rotas infinitas, De encruzilhadas rotas multiformes, Balançando feito as folhas no outono, Caindo ao chão feitos sonhos, Refazendo-se ao longo da existência.
O vento suave, divagações da tempestade, Afaga a possível solidão alquebrada, Imenso deserto de oásis angélicos, Auspicioso suspiro verte o martírio, Guerras furtivas dos meus eus, Combatendo entre as estações silenciosas.
Ingênuo porvir arremete-se aos olhos, Contrapartida das dores oclusas, Mar em fúria do espírito em suas vozes, Murmurando entre as falésias humanas, Recitando tragicomédias aos surtos, Banalização sagaz da vida e da morte.
Minh'alma segue aqui e ali, Manejando figuras moribundas, Enquanto a realidade implacável, Molda a evolução entre os pares, Cadenciando a marcha dos mesquinhos, Observando o relógio do mundo.
235
Admiração
Este teu sutil olhar é pura poesia, Me enlouquece no êxtase dos teus braços, Metrificando meu desejo nesta roupa tão linda, Purificação dos meus sentimentos ao teu perfume, Surpresa do meu corpo em tua elegância, Tremor do meu mundo até as estrelas.
Todo teu te farei feliz sendo minha, Sublime beleza de forma tão simples, Boca que desatina o meu juízo, Noturnal caminho dos meus olhos, Incrível sorte se aninha, Prova luxuriosa do meu destino.
A tua beleza sustenta meus sonhos, Sorriso que me expressa ao expressar você, Sentidos de vários sentidos de um beijo, Leveza de almas ao nosso céu, Professa saudade de ausência ansiosa, Portentoso amor conquistado.
208
Perdão
Nossos corações vulneráveis se feriram, O sol se pôs entre nós antes do tempo, Deixe que eu carregue este fardo, Leve em meus braços até o perdão desejado, Somos imprevisíveis apaixonados, Pétalas de uma única flor. Posso sentir o murmúrio em teus lábios, Gritando o meu nome chorando baixinho, O meu sofrimento ecoando ao teu, Imagem ofuscada do teu olhar penetrante, Quando nos beijamos a última vez, Envolvidos num sorriso pleno. Sonhos foram construídos neste amor, Enquanto tuas mãos tocavam meu rosto, Promessas de almas inseparáveis, Vivendo teus melhores dias em felicidade, Enganados pela ilusão da soberba. Precisamos desatar os nós do orgulho, Sentir a paixão que nos queima, Vivermos a nossa vida indubitavelmente, Olharmos juntos o nascer do dia, Dissipar a noite de escuridão fustigante, Seguir de mãos dadas até o fim de nossas vidas.
181
Exuberância
Distante de você beijei a lua em poesia, Tomei teus lábios em versos de saudade, Cantei a brisa leve meus sentimentos, Olhando o céu e as estrelas, Imaginando-te por inteira em meus braços, Dando-me teu colo, aconchego da felicidade.
Todas as noites busquei-te com doçura, Dancei ao vento abraçado ao teu corpo, Imaginária sensação da tua presença, Gracioso anjo de asas invisíveis, Cobrindo-me com o celeste véu do amor, Elísio da minh'alma em teus aposentos.
Ouvi os sussurros da noite vaidosa, Trazendo aos meus ouvidos o teu nome, Ecoando feito música vibrante, Pulsando meu coração silente, Aromático perfume do teu ser encantado, Na solidão do meu quarto.