Sofiarocha

Sofiarocha

n. 1980 PT PT

Se os olhos são o espelho da alma, os poemas são o ser a nú. Ficará a saber mais de mim lendo-os do que em meia dúzia de linhas autobiográficas que aqui possa escrever. Obras Publicadas: "Um Poeta nas Trincheiras"; " A Conspiração Das Criaturas".

n. 1980-07-28, Lisboa

Perfil
7 732 Visualizações

Mais ou menos poema de amor

Não sei escrever poemas de amor

 
Ainda que tenha a quem ame de verdade

E não é porque nunca tenha amado

Não é porque não saiba o que é a dor

De perder ou de sair magoado

Não é porque não conheça o vórtice

O buraco negro, a tempestade

Que no peito se agita

Na pele se eletriza

E por todo o corpo se grita

Enquanto todas as lógicas

São amordaçadas por uma vontade


Conheço a magia, a fantasia,

A alegria, a realidade

Experimentei toda uma palete de tons de amor

E ainda que não me sinta pintora

Jamais largarei o desejo de pintar com intensidade

 

Mas escrever…

Não sei escrever poemas de amor

 
Tenho na verdade uma ambição maior

Espero saber amar aqueles a quem amo

Da forma que precisam de ser amados.
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Poemas

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VEJO-TE

Esculpida nessas tuas carnes rijas e tesas
Paraliticas demais para soltar
Quaisquer movimentos dotados de expontâniedade
Está cravada a forma da mais profunda cicatriz
De rigidez e introversão
Caminhas de cabeça em tombo
Ancorando os olhos ao chão

Os teus braços presos e extendidos
De tanta opressão já doridos
Teus punhos pesados, cerrados
Sem movimentos de oscilação
Apontam-se mudos ao chão,
Teus ombros teimosos se dobram 
Seguindo a mesma direcção

Dirigem-se à terra que te cuspiu de um útero
Que teve de te cuspir
Por ti estarias ainda para ser
Afinal tanto te escondes que não és
Nunca foste
Criatura que se permite crescer

Planta que rasga a terra só para ver o que há mais além
Nunca foste
Tens medo de tudo
Pensas que tens medo dos outros. Não tens.
Tens medo de ti. De sair da tua concha. De ir por aí.
Sem uma rota traçada, préviamente estudada.
De preferência por outrém

Para que não te possas perder
Não confias na tua própria visão
Para caminhar e viver
Por mais clara e cristalina que essa visão possa ser
Sentes que o mundo é solidão
Por que não te permites ver
Manténs os olhos no chão
Até quando o vais fazer?

Se sozinho não consegues
Procura ajuda em quem te ame
Não tem de ser amor romântico
Só precisa de ser sincero.
As formas de amar são mais númerosas que as aventuras de Omero
Sim, deixa vir junto de ti a quem
Te deixe seguro e ao mesmo tempo te abane

Quem te toque o corpo e dê conforto
Quem te tire do centro e te escute por dentro
Procura quem te ame e deixa-te ir um pouco
Solta teu punho e dá uma mão
Permite que alguém espreite dentro de ti
E que como um espelho possa reflectir
Todas as coisas que em ti escondes
E que precisam de sair

E depois com jeitinho e dedicação
Te ajude no caminho sem ordenar direcção
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MEDO DE DIA FUTURO

Quantas vezes imaginando um dia futuro
Não amedrontei o meu dia presente
Acreditando em promessas vãs de maus augúrios
Coisas tristes e aflições, capazes de esmagar
O mais salutar pulmão, esgotando o ar e a razão
Mas sem nunca chegarem a ser
Mais do que uma simples visão

Quantas vezes imaginando um dia futuro
Ignorei todas as coisas que me amedrontaram no passado
Sem que algumavez tivessem chegado
A uma concretização
É natural pensar nas coisas
Mas o medo de castelos no ar
Tolda o discernimento
E impede a lógica de brilhar

É sempre bom lembrar que tudo passa
E que até mesmo na desgraça
O princípio mantém-se
É que não raras vezes, mais do que a festa futura
O grosso da emoção, se vive em sua antevisão

Respira fundo
Fecha os olhos
E lembra-te das soluções
Que tantas vezes se manifestaram
Onde não vias quaisquer opções

Respira fundo e repara
Que como a água se evapora e o fogo se apaga
Como a terra se movimenta e o vento esvoaça
Um dia destes lá mais à frente
Quando fores ver, vais perceber
Que com o tempo, o que quer que chegue a ser
De alguma forma, tudo passa

E se na pior das hipóteses
Coisa ruim acontecer
Permite-te então relativizar e procura ressignificar
Pois a força de qualquer situação
E o significado de um tormento
Se ele chegar a acontecer
Será a que lhe escolheres dar
Pois todos temos esse poder!
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Comentários (10)

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devoto

Oi Sofia, grande sensibilidade nos teus poemas. Parabéns

sofiarocha

Muito Obrigada Wilson :) É sempre bom ter feedback.

CORASSIS

Olá Sofia Gosto muto do seus versos Parabéns

sofiarocha

Octaviano, que bom que gostou! Para além das descobertas que vamos fazendo sobre nós próprios, não há nada melhor que sentirmos que inspiramos alguém. Obrigada. Cumprimentos.

Octaviano Joba
Octaviano Joba

Inspiradora...