Sofiarocha

Sofiarocha

n. 1980 PT PT

Se os olhos são o espelho da alma, os poemas são o ser a nú. Ficará a saber mais de mim lendo-os do que em meia dúzia de linhas autobiográficas que aqui possa escrever. Obras Publicadas: "Um Poeta nas Trincheiras"; " A Conspiração Das Criaturas".

n. 1980-07-28, Lisboa

Perfil
7 732 Visualizações

Mais ou menos poema de amor

Não sei escrever poemas de amor

 
Ainda que tenha a quem ame de verdade

E não é porque nunca tenha amado

Não é porque não saiba o que é a dor

De perder ou de sair magoado

Não é porque não conheça o vórtice

O buraco negro, a tempestade

Que no peito se agita

Na pele se eletriza

E por todo o corpo se grita

Enquanto todas as lógicas

São amordaçadas por uma vontade


Conheço a magia, a fantasia,

A alegria, a realidade

Experimentei toda uma palete de tons de amor

E ainda que não me sinta pintora

Jamais largarei o desejo de pintar com intensidade

 

Mas escrever…

Não sei escrever poemas de amor

 
Tenho na verdade uma ambição maior

Espero saber amar aqueles a quem amo

Da forma que precisam de ser amados.
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Poemas

3

SOLTO, SUBO, SOLTA

Solto pedaços de mim
Em verso

Feitos pesos que por fim
Liberto

Voo daqui para lá
Sem onde

Leve leve subindo
Sem volta

De asas abertas eu sigo!
Já solta!
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Medo da Chuva

Nos céus, se agregam gotas
Em sílabas

No ar eletrizantes e luminescentes
Palavras

Trovões rugem em fúria
Nas mentes das gentes
Coisas que apenas permitem pensadas

Em dádiva arco-iris de diferentes cores
Desenhando mensagens
De vários sabores

No chão Homens e Mulheres diferentes
Umas abrindo os braços à chuva
Dando vivas à vida que alimenta
Outras fugindo, resguardando-se
Da dádiva maldizentes

Perante o medo das gotas, dos relâmpagos
Do arco-iris
Protegem-se e reclamam inconvenientes
Enquanto outros se banham
Sentem e deixam molhar
Sem se incomodar

Vivem o momento que fica
Certos de que em tempo certo
A água irá secar
Mas já com algo dentro de si

A germinar…
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O QUE EU QUERO


Tenho uma imagem de mim
Que se move, que se esconde
E que volta a surgir já diferente
Uma ideia ideal que tem vida própria

Que se aquece no Verão e recolhe no Inverno
Como se recolhe tantas vezes
A minha vontade com o frio e com o curto
Curtíssimo tamanho dos dias

Por vezes a imagem move-se mais devagar
Quando me concentro realmente nela
E consigo vislumbrar o que sou
E o que quero ser
Quando acontece, acontece sem data marcada

Como o seria com a passagem dos meses do ano
Mas em dados momentos e cada vez mais
Isto de me querer ver mais a fundo, ganha vida
E como toda a vida… creSCE

Todos os dias mudo
Sem alcançar a real amplitude das mudanças
E assim como não notamos
A passagem da infância quando somos crianças
De repente, notei que já não era

Como um vento que não vejo
Mas que súbitamente me tira o equilibrio
E me obriga a um gesto de protecção
Só que por mais abrigada que esteja
O vento passa na mesma

Tenho uma imagem de mim
Que mistura nas suas cores
Diferentes tonalidades
Conforme sinto e já senti

Tento firmá-la cá dentro
Numa tentativa sem fim
Para poder manipulá-la
Para transformar o esboço em obra bem feita

Tento,

Pois não pára quieta esta miragem
Que é viva

Sei onde quero chegar
Mas saber o “como” é inutil tentar
Perde-se o tempo e falha-se o momento

Por vezes consigo definir um traço
Uma forma, uma pequena parte
Que dá à musa na tela uma impressão diferente
Mais próxima do que quero
De mim própria
 
Entretanto vou vivendo
Sendo boa e má, fraca e forte
Corajosa e cobarde
Sendo humana,
Sentindo-me mais humana do que àqueles
A quem não conheço as falhas

Tentanto encontrar os tons certos 
E dar-lhes a definição pretendida
E no dia em que morra...
(Óh Deus,  já agora…uma morte bem morrida)

Poderei olhar a obra e sentir paz
Se a imagem na tela revelada
Mesmo que imperfeita 
Ou inacabada
Me trouxer simplesmente 
A realização de que fui fiel
Ao que senti que queria criar

Aquela que é  
E que imagino que serei

Mas que seja de qualquer forma
E em qualquer formato
Verdadeiramente EU
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Comentários (10)

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devoto

Oi Sofia, grande sensibilidade nos teus poemas. Parabéns

sofiarocha

Muito Obrigada Wilson :) É sempre bom ter feedback.

CORASSIS

Olá Sofia Gosto muto do seus versos Parabéns

sofiarocha

Octaviano, que bom que gostou! Para além das descobertas que vamos fazendo sobre nós próprios, não há nada melhor que sentirmos que inspiramos alguém. Obrigada. Cumprimentos.

Octaviano Joba
Octaviano Joba

Inspiradora...