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Alfa e ômega

O amor é a primeira explosão obscena criada por Deus, a segunda é a consciência.
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Poemas

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Alfa e ômega

O amor é a primeira explosão obscena criada por Deus, a segunda é a consciência.
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Água viva ou possessão

 

Rezo ao eu-íntimo, insólito e louco,
Como água-viva em mar aberto,
Movendo-se em espírito sob flor.
Corpo hospedeiro de Deus .
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Nuvens venusianas

Quando a madrugada chega, sinto que me comunico com o mais íntimo de mim mesma, os feixes de luzes da lua que sobre o telhado desajustado refletem sobre o espelho que está localizado no lado esquerdo da minha cama. O mesmo espelho que reflete  minh'alma, onde a luz e a escuridão conversam entre si. Ao lado do abajur está o meu cigarro—apenas um cigarro.Acendo pedindo aos astros para esquecê-la como quem implora mais uma chance para viver.Meu desalento é nítido . Meu coração está se rompendo,cada pedacinho é como um cristal que acabara de quebrar.
 No entanto,ainda acreditava no amor —mas ah!quem se apaixonaria por uma meretriz? o fato é que o amor correspondido não ficou para  todos os seres, somente aqueles escolhidos a dedo por Deus. Ainda assim, rogo, imploro e peço um pouco de compaixão a divindade —quero me sentir amada!Da minha cama eu sinto o frescor do vento tocando delicadamente sobre a minha pele, é um sinal de Deus.O telefone está tocando sobre a escrivaninha velha e de súbito dou um pulo da cama na esperança que fosse ela, entretanto, o amor decidiu da sua forma mais cruel dilacerar o meu coração que ainda insiste em bater.
  Desgraçadamente estou apaixonada, recordando o tempo em que passamos juntas sobre esta mesma cama que estou escrevendo agora, a mesma cama que ficou o seu cheiro de perfume francês.
  Nuvens venusianas derramem sobre mim uma intensa chuva rosada de amor. — Diana, tem compaixão pela tua devota, eu imploro!.Faço uma pequena oferenda para a deusa, fecho a janela do quarto e deito delicadamente sobre a cama com uma única certeza;  ela vai voltar.
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Da insignificância a salvação

Meu olfato aguçado me transportara para as minhas mais íntimas memórias. Na finitudo do meu espírito onde hábita o meu eu interior, a criança sagrada que há dentro de cada um de nós. O cheiro forte do  incenso de mirra que pairava sobre o ar, as vela no candelabro que acabara de acender e o cigarro no cinzeiro. Sentia o vento tocar  em minha pele, como quando uma parturiente acabara de ver o seu bebê pela primeira vez . As vezes Deus é generoso com um formiga, mas só as vezes. Sentado na beira da cama com seu pijama xadrez , fitava a chama das velas quase como um transe hipnótico, onde nada era mais importante que o caminho do iniciado até a tocha sagrada. 
 No entando, era umas  3 horas da madrugada. Olhando ávido a chamada das velas que mais pareciam estarem me observando, onde eu era o objeto e a as velas o sujeito. Não hesitei em apagá-las; Foi quando ao ouvir à sétima trombeta eu era a formiga, a frágil e insignificante formiga. 
  Ao me levantar da velha cama de madeira , aquela mesma cama de 10 anos que suportara meu corpo sobre ela, eu pensei : Qual será a benção ou a punição que Deus estara tramando em minha vida? — Ah, Deus não erra! Era tudo tão dramático como uma  cena de novela mexicana ao qual eu decidi não ser o protagonista e deixar ao Deus dará. Minha sorte agora dependerá do diretor.
 Quando horas depois, ao sentir o cheiro de mirra e as energias estarem diluidas sobre o ambiente, eu morri. A mesma morte de uma formiga ao qual julgam ser tão insignificante, uma criação de Deus, entretanto, sem compaixão alguma para com a pobre, frágil e inútil formiga. 
 Na minha ânsia para desfrutar o paraiso, eu  vou de encontro com o  que há de mais puro em mim, a criança interior . A mesma criança interior que a psicologia tanto fala. Sentí o êxtase do amor incondicional, o amor  verdadeiro, o amor de Maria pelo seu filho diante da cruz. E eu então, formiga, senti por alguns instantes que fazia parte do universo.
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Não é segredo, Deus é quem sabe.

Os pregos da cruz perfuram minha

alma e só depois é que sinto a dor na carne.
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Iemanjá me deu um barco de presente

Quando despertei, submerso por águas salgadas, mamãe Iemanjá me colocou em seu barco maternal coberto de flores brancas e cheirando a alfazema. Cuidou de mim, me banhou nas tuas águas, eu, tão frágil nos braços da rainha do mar. Tuas lágrimas escorrem e caem no meu rosto, fecho meus olhos e volto a dormir no útero da Deusa.
58

Pulsão

Eu não fui domesticado ao nascer,

Meus instintos têm exigido muito de mim.
55

Fantasia humana: uma galinha lunática

Estou completamente louca, submersa de desejos em lua cheia, sinto-me oca, sobretudo, ponho ovos.
52

Pré-história do ovo

Costumo existir aos poucos,

Me escondo quando me olham,

Outrora era apenas um ovo,

Hoje sou uma deusa.
57

No plano astral minha dor é a mesma

Ainda em paralisia do sono, despertei.

Oca, sólida, paixão ardendo no peito.

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