tallesmedeiros

tallesmedeiros

Perfil
878 Visualizações

Alfa e ômega

O amor é a primeira explosão obscena criada por Deus, a segunda é a consciência.
Ler poema completo

Poemas

3

Da insignificância a salvação

Meu olfato aguçado me transportara para as minhas mais íntimas memórias. Na finitudo do meu espírito onde hábita o meu eu interior, a criança sagrada que há dentro de cada um de nós. O cheiro forte do  incenso de mirra que pairava sobre o ar, as vela no candelabro que acabara de acender e o cigarro no cinzeiro. Sentia o vento tocar  em minha pele, como quando uma parturiente acabara de ver o seu bebê pela primeira vez . As vezes Deus é generoso com um formiga, mas só as vezes. Sentado na beira da cama com seu pijama xadrez , fitava a chama das velas quase como um transe hipnótico, onde nada era mais importante que o caminho do iniciado até a tocha sagrada. 
 No entando, era umas  3 horas da madrugada. Olhando ávido a chamada das velas que mais pareciam estarem me observando, onde eu era o objeto e a as velas o sujeito. Não hesitei em apagá-las; Foi quando ao ouvir à sétima trombeta eu era a formiga, a frágil e insignificante formiga. 
  Ao me levantar da velha cama de madeira , aquela mesma cama de 10 anos que suportara meu corpo sobre ela, eu pensei : Qual será a benção ou a punição que Deus estara tramando em minha vida? — Ah, Deus não erra! Era tudo tão dramático como uma  cena de novela mexicana ao qual eu decidi não ser o protagonista e deixar ao Deus dará. Minha sorte agora dependerá do diretor.
 Quando horas depois, ao sentir o cheiro de mirra e as energias estarem diluidas sobre o ambiente, eu morri. A mesma morte de uma formiga ao qual julgam ser tão insignificante, uma criação de Deus, entretanto, sem compaixão alguma para com a pobre, frágil e inútil formiga. 
 Na minha ânsia para desfrutar o paraiso, eu  vou de encontro com o  que há de mais puro em mim, a criança interior . A mesma criança interior que a psicologia tanto fala. Sentí o êxtase do amor incondicional, o amor  verdadeiro, o amor de Maria pelo seu filho diante da cruz. E eu então, formiga, senti por alguns instantes que fazia parte do universo.
123

Lírios brancos, útero e o espelho.



       Mulher peixe, fizeste de minha vida
      Um mar sem fim , não há quem não            Ouça  o seu cantar. 
      
      Em um súbito momento não há mais          consciência,  apenas mar, areia,                  alfazema. 

       A lua refletiu no espelho das ondas,
      Ela veio para dançar com seus                      peixinhos no mar. 
       
      Deságua em uma dança frenética, 
      Útero sagrado peixe mulher. 
      
99

Quando o estômago fala



     Não dá mais para aguentar,     
     meu vômito anseia liberdade. 

     As gaiolas já estão vazias, 
     Os barcos sem passageiros ,
    Os bancos da praça cavo.

     O buraco não tem fim,
     A queda é infinita , 
    Não há luz dentro da escuridão.

     Caindo, caindo, caindo.

     

     
124

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.