terezaduzai

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Sou poeta, contista, cronista e professora de Língua Portuguesa e Literatura.

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Sol de Sangue

Quando o impossível se apresenta sem que ninguém o perceba,
O tempo evapora.
O tempo esse, este, serial killers, justiceiro, debochado, um inconsequente a serviço de Deus.
Quantas terezas teremos matado eu, Deus e o tempo?
Olhe o calor fazendo sexo oral nas poças!
Lama seca trincada no céu de minha boca.
Deixo?
O porquinho Prático está embalado em minha geladeira.
Cícero e Heitor?
Tocam flauta na floresta.
Olhe! O vento dança flertando com a poeira quase rente ao solo...
Que humildade!
Que venha um furacão!
Por quê? C@r@lho! Basta de fingir e fugir sob o julgo de olhos vadios.
E seu eu clonasse o passado?
Bobagem! Eu preciso ser essa mulher pior a cada dia.
Todas as drogas do mundo!
Pretérito do futuro subjetivo.
Cambaleante...
Nada para adorar, pouco para amar.
Se eu subisse me libertaria?
Não, desgraçada! O inferno é logo ali.
Deus não hesitaria em chutar seu traseiro nuvem abaixo.
Cante comigo os Cânticos de Salomão.
Não!
E esse sol noturno?
É doido!
Sexista.
Coisa de perseguição contra a lua e suas fases.
Invejoso!
Um velho morreu sufocado embaixo de suas cobertas.
Julho?
Sim, praia, piscina, férias, sorvete...
Janeiro?
Não, fevereiro.
Tudo bem! Gente normal, morre assim: cai, se afoga, sufoca no verão sob cobertas de inverno, toma surra, tiro, paulada, veneno, nojo de viver.
Morre vivendo...
Morre vivendo.
Edite morreu durante a extração de seus seios.
Entrou no centro cirúrgico como Tito Basco só para ser devolvida morta, duas horas depois, como Edite mesmo.
O pai de Edite agradeceu a Deus por se compadecer de sua reputação.
Viva a morte de Edite! Gritou dançando no corredor do hospital.
O hospital é aquele sustentado pelo povo e todo decorado com anjos e santos de olhos azuis?
Simmmmmm!
EEEEEEEEEEEEEEE...
Você não dorme?
Sim, estou esperando amanhecer.
Gosta da lua?
De que tamanho será o p@u do pai de Tito Bastos?...
O quê?...
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Poemas

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Poemas

Não gosto de poemas de amor, nunca gostei.
Poemas devem ferir, excitar, provocar fugas, mudança de página;
Poemas devem ser escritos não para serem lidos, ou suportados, até o final,
Mas para serem sentidos, admirados ou repudiados, desde o início.
Gosto de poemas hemorrágicos, catastróficos, assassinos, incendiários;
Gosto de poemas malcheirosos, estúpidos, invasivos;
Aqueles que denunciam, provocam, ofendem;
Aqueles que desenterram cadáveres esquecidos
E com eles dançam um bom twist sobre mármores e flores artificiais.
Gosto, sobretudo, da poesia que denuncia os significados
das insignificâncias do mundo

...
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Alegorias


A poesia grudou no céu da minha boca, na minha língua solta,
nos meus lábios secos.
Ai de ti!
Não me olhes!
Não me beijes!
Ou te tornarás um verso avesso,
o espelho de minh'alma inversa,
nas estrofes tortas de teu corpo travesso, que se atravessa,
que se arremessa sem pressa,
refletido em mim.
Em mim.
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Êxtase


Quando eu morrer, lancem meu corpo à água do mar,
ao sal do mar.
Não sintam remorsos, não conjecturem paixões, cismas ou superstições.
Deixem que a morte se multiplique em mim,
permitam que o sol me coma ao amanhecer,
para que eu possa me dissipar envolvida por seu sêmen em chamas;
para que meus sonhos não adormeçam na lama pútrida; para que eu seja não mais um corpo, apenas,
mas uma multidão em cena;
para que eu possa renascer todos os dias a gozar na água do mar.
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