Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

10

O sol de parnaíba

Nas paradas desencanto
surpresa ao fugir tanto
que canto na boca
lavo a alma, perco a vontade
nada que goteja irá adentrar em meu peito
caloroso afronto que tu pingas em outro olho
de memorável rosto
suga o meu pranto, finge e colore


automóveis e construções
me chamam atenção ao passar pelas ruas de parnaíba
moro e divido o tempo
me desatina o gosto das frutas do nordeste
futuro que prevalece,
o sol forte,
céu aberto,
parnaíba me aquece.
428

O âmago de Frida Kahlo


Aqueles olhos, grandes, com inúmeras constelações,
marcados, enraizados de dor,
sobrancelhas únicas,
Frida Kahlo, mulher que lutou,
transformou dor em força, arte, valor,
fortaleceu a cultura mexicana,
aconchegou com calor as mudanças de seu tempo,
mulher intensa, artista, pinturas redigidas, memórias de Frida,
de escrita amável, suas cartas de amor,
afago por Diego,
céu marcado por tantos amores,
lá estão os dois, sem romantização do céu,
estrelas que brilham, marcados em passos,
flor de Coyoacán,
prédio azul, árdua esperança,
pés, para que os quero, se tenho asas para voar, disse Frida,
nada é definitivo, tudo muda tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparecem, disse Frida,
sempre revolucionária, nunca morta, nunca inútil, disse Frida,
mulher de bravura, sempre em frente,
fluente em magníficas pinceladas, compassos do enlaço da vida,
trágicos acontecimentos,
tanta magnitude em meio ao tormento de Frida,
mulher de desintegração, movimentação,
o sentir alimentou seu corpo e alma,
Frida.
239

O nordeste é das cabras da peste

Nordestino é povo forte,
vivem na luta, em baixo do sol forte,
nesse estado, estão sorridentes,
nordestino tem sempre a casa aberta,
quem planta e ali mesmo colhe, no quintal de casa,
tem caju, tem manga, tem acerola, tem feijão verde, tem cultura, fala mansa, prosa, poesia, lágrimas e verão,
areia latente, sorriso ardente,
luta diária pelo pão de cada dia,
o café é saboroso,
a moqueca é original,
o escondidinho de carne seca é de esquentar a barriga dos piauienses,
aconchega muita gente, não tem falação,
nordeste não é só Paraíba, nordeste é imenso em extensão, tem tanto estado que não cabem na ponta da língua,
é poesia, é dedicação, ê mistura braba, pense numa população!
583

Essência poética

O silêncio da minha poesia
fala bem mais do que meus lábios poderiam gritar,
rasgam bem mais que uma faca e uma navalha juntas
e exalam o vazio do ar.
1 312

O tempo e sua particularidade

Em cada pedaço meu habita o eterno e inexplicável viver,
sem descrição e gentil com o tempo,
sem hostilidades e com a pausa de um beija-flor ao bater das asas,
no fragmento de rochas vermelhas,
que contrasta o amarelo claro do sol.
476

A água e o caminho

As estradas que recorrem em mim
são as mesmas que desconheço
quando deito em minha cama,
a sede que me têm não há água capaz de matar,
gosto de sentir o gosto da vida contida na liquidez da água,
na subordinação da palavra ao tendência-la,
nossos toques efêmeros no paladar da alma.
412

O silêncio nascendo

Quando a noite chega eu sinto
o silêncio
cantarolando nos meus ouvidos
e essa melodia é a
que mais faz sentido,
é como uma onda
que ecoa
e reverbera dentro de mim.
389

Fragmento existencial

Há tempos sinto meu desprezo pelo o exagero,
o inconexo está em desintegração em meu olhar,
o rio está passando embaixo dos pés de quem o despreza,
o êxtase se encontra escondido numa face estendida,
o abrasamento desse nada atravessa o rio performado por lacunas, 
Chico e Antônia comem e salivam as frutas do mês de estiagem, 
Chico morde a manga, 
Antônia a cospe, 
os dois abominam e sentem sede pela a fruta seca,
a vontade de depreciar-se com o nada é tanta, 
que sua existência é essencialmente a insignificância,
o vazio compõe as palavras que escorrem nos ralos,
o esgoto compreende o chorume, os ratos, as pestes e os poetas,
a martirização ao provar o nada,
o sacrifício sob o que assola a alma,
resguardando a concórdia,
engolindo o delírio das palavras,
que é privilégio do poeta. 
1 294

A bela incógnita

O estrago da pele ao ler os acontecimentos da alma,
talvez não precise estampar esse coração vulgar, árduo ao peito,
volta e meia ei de mudar, pela a textura da pele em busca do equilíbrio terreno,
que controla os abismados,
recupero memórias que encontro em mim,
códigos do corpo,  incógnitas são o sustento do ser humano,
mudanças são precisas, mas em determinados momentos
presente nas transições da vida,
com a participação das respostas, ou dúvidas, belas incógnitas,
em busca do extremo, intenso e fluído sentir, através das milhas que ei de cumprir,
procure no lado claro, escuro e ao bater o olho, duvide,
nada como a solução ao superficial,
nada como a vista do além,
ser profundo ao adentrar no abismo, sem ver ninguém,
crie sentidos, são extraordinárias as incógnitas da vida,
tudo claro e sempre escuro,
procurar por caminhos é natural do ser humano,
basta acreditar na imensurável  beleza da incógnita.




1 310

O desgastar

A sola do sapato gasto pelo tempo
é apenas mais uma representação
do desgaste de quem o usa,
o tempo tem o poder de gastar a
camada abstrata da alma,
a camada móvel
do gasto
ganho
do desgaste.

1 296

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!