Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

12

O derramar no papel

Eu deito todos os dias com minha poesia,
e ela me arrebata e engasga,
as palavras me atenuam,
são agressivas, invadem,
me enlaçam e vão me consumindo,
quando vejo,
é apenas a manhã chegando,
e não é noite, já é dia,
a poesia me faz confundir as horas e as alegrias.
 
 
Minhas mãos me descrevem bem,
carregam no grafite meus caminhos,
e vão me rasgando no verbo,
me despejam num papel qualquer.
 
Eu gosto de me derramar pra poesia,
quando vejo já estou arrebatada,
pregada numa palavra e entregue ao tempo que aquele papel rasurado durar.
 
533

As andanças


O compassar dos corpos
se fazem na polpa dos dedos,
sabemos que por mais longo que seja o caminho,
o meu regresso é inevitável,
e o gozar dos olhares é tátil,
o tempo é pouco e as aventuras muitas,
as pernas esgotáveis e os rostos traçados,
os pés os mesmos, aqueles que me prendem ao chão. 
1 303

Corpos breves

Tu se esquecerás de hoje
assim como se esquecerá dos olhos que tanto te amam
nesta efemeridade de sentir pouco.
560

A importância dos atos

A cadência em fazer-se
o ato de temperar
o ato de mastigar
o ato de nutrir
o ato de gemer.
748

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 
 
II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 
III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
597

Dança de corpos


O amor
uma perca de fôlego
uma troca de vazios
são os lábios enrolando no peito
há uma espera da eternidade em nó
o corpo desde as roupas as entranhas
são dois olhares sambando na ponta dos pés.
579

Cartas à Paris

Tentar requer cinismo
depois carne
em seguida travessia
e por fim um corpo comportando o outro.
 

 
 

  


 

1 277

O fim

Tantas coisas acontecem
quando não sentimos mais nada
quantos acontecimentos nos restam depois do fim. 
1 300

O tempo eternizado em segundos

A clemência que te faz ser astuto,
ah, como ninharia as amarguras
ah, como seria minhas longas noites,
tu que me lembra paisagens,
tu que se faz o sujeito abstruso,
ah, se tu me derramasses teu deleite,
ah, se tu carregasses um coração sem farpas.
 
 
Tua garganta é meu confronto,
ah, teu corpo de olor,
ah, tuas manias de deslumbre em tela,
fazer-me enredo de alma perenal,
logo eu, que faço o tempo eternizado em segundos,
ah, pausas dolentes de amor,
ah, genuína face que vive de voltas ao me arrodear.
1 375

Guerra no papel

O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
589

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!