Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

Perfil
49 243 Visualizações

Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
Ler poema completo

Poemas

82

Cartas à Paris

Tentar requer cinismo
depois carne
em seguida travessia
e por fim um corpo comportando o outro.
 

 
 

  


 

1 277

O fim

Tantas coisas acontecem
quando não sentimos mais nada
quantos acontecimentos nos restam depois do fim. 
1 300

O tempo eternizado em segundos

A clemência que te faz ser astuto,
ah, como ninharia as amarguras
ah, como seria minhas longas noites,
tu que me lembra paisagens,
tu que se faz o sujeito abstruso,
ah, se tu me derramasses teu deleite,
ah, se tu carregasses um coração sem farpas.
 
 
Tua garganta é meu confronto,
ah, teu corpo de olor,
ah, tuas manias de deslumbre em tela,
fazer-me enredo de alma perenal,
logo eu, que faço o tempo eternizado em segundos,
ah, pausas dolentes de amor,
ah, genuína face que vive de voltas ao me arrodear.
1 375

Guerra no papel

O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
589

O que não me pinga

Do lábio que toco,
Não me pinga nada,
a não ser a água límpida incolor
que me goteja,
me faz transparecer nas linhas verdes das minhas veias,
que ultrapassam meus anéis prata,
polvilham doçura de um lábio quente,
da pele macia e bruta,
que me encontra na tentativa falha de um entrelaçar de seres frios,
na massiva e orgulhosa áurea,
no qual rouba, esmaga e me beija no final.
1 133

O pecado

O pecado é tão palpável quanto o que há de mais concreto,
é a validação de sermos nós,
o doce no ato,
a selvageria de quem pede perdão,
mas se lambuza de pecar.
1 328

Meu cerne

As veias que resguardam o meu sangue,
sorriem para meu corpo, embebedam meu ser,
transpassam minha pele, aprofundam meu cerne,
engendram as ideias para afunilar-me em berço sútil,
esquentando a estrutura celestial
e as caravelas que nos percorre,
e as caravelas que nos movimenta,
no fim...
laceram nosso último fio de cabelo,
meu cerne é eterno como a natureza,
meu cerne é perene como o horizonte dos olhares.
627

A sala e o vento

O vento em meu rosto,
o ar entrando em meus poros,
minha boca que o sequestra,
o tempo transcendendo ao chegar em minha mente,
o sol birrando atento,
ao me ver no alento,
o cômodo dessa sala,
que esquenta os frutos,
o vento gritando ao rasgar as falas inadequadas,
essa é a graça, a desgraça, a massa,
que engole os insultos ditos pelo ar.
543

A busca pelo utópico

O amor se veste de tantas formas,
cores e melancolia,
por lugares vistos, não encontrados,
variados,
devastados,
onde não há razão para haver cor,
porque é o estar fora do imaginável,
bem próximo dos projetos bizarros,
ao encontro do utópico,
onde a mente bruta, tardia, promiscua, nítida,
berra por probabilidades perfeitas.
586

A desordem comum

O tempo em cadência no ponto
em que as fissuras amarram os eixos gerais,
o gastar dos mantras tocando laços rompidos por extratos terrosos,
sugeridos no olhar de moças regionais,
acostumadas a nadar na desordem de um pequeno cais.
840

Comentários (14)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!