Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

Sou quem te recita

Declare tua liberdade aos meus ouvidos,
faça florescer meu cantar,
tua fala amena ao anoitecer,
tua renda que não me rasga.
 
Tu não és meu deleite de poeta,
tu és a sombra longínqua que me cerca,
o solo distante que me agrega,
o voo vazado que me cega.
 
Não me faça florescer ao sol,
não me carregue a rebou,
o abrasamento do meu ser na tua retina.
 
Sou quem te recita,
sou a luz noturna que te oscila,
sou o nascer na tua pupila.
 
379

Tua palavra vazia

Na ausência da tua palavra,
na demora da tua prese,
nos vestígios que me apetece,
tua fuga ao meu olhar,
a tua presença na minha folha enraíza teu fugir,
não existe canto aonde tu possas ir.
276

Não és viajante do mundo

Não és desbravador quem nunca se aventurou
no ventre de uma mulher,
não és viajante quem nunca sentiu sede, fome e medo,
aos olhos de uma mulher,
não és navegador tu, que se afogou,
nas marés estimulantes das mentiras femininas. 
404

Formação

 
Sou formada pelo o que me transcende,
sou feita de vazios longos,
com pressas muitas e lotações de peito.
453

Pulsos

Sinto um rio correndo na veia,
não há como mergulha-lo,
só há como senti-lo,
no meu pulso, há correntes fortes e leves,
como corrente de rio.
400

Pedra do sal

 
No barco há pescadores com sede de navio,
Tomam cachaça abaixo da neblina,
Riem com lagrimas no rosto,
Pescam o peixe abaixo da garoa, que inunda a lagoa.
 
Os pescadores assam o peixe,
Amargos de insolação, preparam o jantar,
Já que a fome, ocupa o lugar,
No pôr do sol, mistérios de coração.
 
Ao redor há pedras que escondem o tesouro,
Não se vê o ouro, que é história de pescador,
Mas se vê só o lodo.
 
O mar quebra abaixo dos olhares, abaixo das canoas,
As ondas na paisagem fazem-me mergulhar,
Já que a chuva quarou o luar 
324

Esmera de uma noite

Quando a noite cai,
Eu sou eu, deito-me com meus pensamentos,
Quando a noite cai,
Eu sou eu, desvendo-me em versos perenais,
Quando a noite cai,
Não é como não ser o que apenas sou,
Quando a noite cai,
É como se o eclipse acontecesse aos meus olhos,
Quando a noite cai,
As noites silenciosas são meu abrigo,
Meus pensamentos se fundem a noite terna.

1 143

Seja o nada

 
Medo do nada, o que será o nada?
Se não, aquilo que já sabemos desde que saímos do ventre,
Medo do nada, o que será o nada?
Se não, a imensidão escura que me aguarda,
Medo do nada, o que será o nada?
Se não, as frestas que iremos descobrir numa porta.
 
Não espere que eu adentre um nada,
Ser o nada, resguardar o nada,
É se não, a natureza do homem,
Não é surpresa, não é um grito virginal,
É o que me aguarda, é o que te aguarda,
É a poesia das manhãs,
A dor das tardes frias e a chama de uma noite.
 
O nada, é aquilo que eu não te disse,
Tudo o que tu esperas vir no horizonte,
E não chega se quer, a brisa,
Se não, essa língua que te guarda,
Eu pude enxergar o tudo numa manhã,
Era apenas um ventre,
Capaz de condensar todos os nadas ali,
Que no sopro, se torna uma imensidão, se não, o tudo.

1 167

Te vi

 
Hoje cedo pude observar as nuvens riscando o céu,
Ali, contrastando com a densa vegetação
meus olhos riscaram todo o azul do infinito,
meus lábios te escreveram tanto,
meus olhos te leram até o desfiar do sol,
te vi junto a mim, e só.
 
Pude te enxergar na vegetação,
tu combinavas com o verde,
embelezava quem era desprovido de imaginação,
tu combinavas com as tintas que te marcavam,
e eu me perdia com os teus traços, que me perpassavam,
te vi junto a mim, e só.
 
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Criança nordestina


Toda infância nordestina, começa numa rede,
balanço pra cá, balanço pra lá,
e essa rede, nunca para de balançar,
não importa a idade, irá sempre ter uma rede pra te sossegar.


A criança joga o pião, a baladeira e a peteca,

corre numa rua de pedra, o calçamento tira tora do pé,
arranca a unha, causa frieira,
quebra até as veias de tanto pular de pé de árvore.

 
Quando a noite bate,
lá vem a mãe mandando passar pra dentro de casa,
nas frieiras da lama, vêm o pingo de vela,
e haja pingo de vela pra dar jeito.

 
Na rua, as crianças se unem pra brincar de pega-pega,
cola, morto-vivo, pique-esconde,
pra fazer amarelinha na rua com pedra,
pra correr dos cachorros da vizinhança.

 
Quando a tarde cai,
e a noite vem chegando, todo mundo passou pra dentro de casa,
na mesa tem o cuscuz, a tapioca e o café com leite,
suco de caju, acerola e laranja, horas depois o sono chega.

 

 
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Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!