Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

Fazer-me no teu nada

Amar-te é ser uma viga na água,
paquerar-te é sentir o nada
- eu quero o nada -
não sei quem és tu,
nem és de saber,
pois saber-te é te prender-me a ti,
ancorar-te é firmar o encanto,
não quero achar-me nos teus sentidos,
não quero fazer-me pilastra do teu ser,
ah, se tu fosses meus anseios,
ah, se tu fosses a imensidão que não sei o que és,
ah, se teus cabelos tivessem estrelas,
como as que eu avistara,
ah, se tu soubesses navegar-me como um peixe fora d’água,
como uma formiga no mar,
como pingo nos traços,
és tu o sofrido, que eu finco,
que não a de acordar-me nos peitos.
577

Fusão de dois

Nem todas as estrelas nascem no céu
nem todas os lábios movem-se
nem todas as histórias são ditas,
tu que cabes no meu peito
tu que vibra nos meus sonhos,
tu que se faz lar na ponta dos meus dedos
a sede, a catinga, o molhar,
a potência dos nossos corpos.
1 234

O sol de parnaíba

Nas paradas desencanto
surpresa ao fugir tanto
que canto na boca
lavo a alma, perco a vontade
nada que goteja irá adentrar em meu peito
caloroso afronto que tu pingas em outro olho
de memorável rosto
suga o meu pranto, finge e colore


automóveis e construções
me chamam atenção ao passar pelas ruas de parnaíba
moro e divido o tempo
me desatina o gosto das frutas do nordeste
futuro que prevalece,
o sol forte,
céu aberto,
parnaíba me aquece.
428

O âmago de Frida Kahlo


Aqueles olhos, grandes, com inúmeras constelações,
marcados, enraizados de dor,
sobrancelhas únicas,
Frida Kahlo, mulher que lutou,
transformou dor em força, arte, valor,
fortaleceu a cultura mexicana,
aconchegou com calor as mudanças de seu tempo,
mulher intensa, artista, pinturas redigidas, memórias de Frida,
de escrita amável, suas cartas de amor,
afago por Diego,
céu marcado por tantos amores,
lá estão os dois, sem romantização do céu,
estrelas que brilham, marcados em passos,
flor de Coyoacán,
prédio azul, árdua esperança,
pés, para que os quero, se tenho asas para voar, disse Frida,
nada é definitivo, tudo muda tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparecem, disse Frida,
sempre revolucionária, nunca morta, nunca inútil, disse Frida,
mulher de bravura, sempre em frente,
fluente em magníficas pinceladas, compassos do enlaço da vida,
trágicos acontecimentos,
tanta magnitude em meio ao tormento de Frida,
mulher de desintegração, movimentação,
o sentir alimentou seu corpo e alma,
Frida.
239

O nordeste é das cabras da peste

Nordestino é povo forte,
vivem na luta, em baixo do sol forte,
nesse estado, estão sorridentes,
nordestino tem sempre a casa aberta,
quem planta e ali mesmo colhe, no quintal de casa,
tem caju, tem manga, tem acerola, tem feijão verde, tem cultura, fala mansa, prosa, poesia, lágrimas e verão,
areia latente, sorriso ardente,
luta diária pelo pão de cada dia,
o café é saboroso,
a moqueca é original,
o escondidinho de carne seca é de esquentar a barriga dos piauienses,
aconchega muita gente, não tem falação,
nordeste não é só Paraíba, nordeste é imenso em extensão, tem tanto estado que não cabem na ponta da língua,
é poesia, é dedicação, ê mistura braba, pense numa população!
583

Essência poética

O silêncio da minha poesia
fala bem mais do que meus lábios poderiam gritar,
rasgam bem mais que uma faca e uma navalha juntas
e exalam o vazio do ar.
1 312

O tempo e sua particularidade

Em cada pedaço meu habita o eterno e inexplicável viver,
sem descrição e gentil com o tempo,
sem hostilidades e com a pausa de um beija-flor ao bater das asas,
no fragmento de rochas vermelhas,
que contrasta o amarelo claro do sol.
476

A água e o caminho

As estradas que recorrem em mim
são as mesmas que desconheço
quando deito em minha cama,
a sede que me têm não há água capaz de matar,
gosto de sentir o gosto da vida contida na liquidez da água,
na subordinação da palavra ao tendência-la,
nossos toques efêmeros no paladar da alma.
412

O silêncio nascendo

Quando a noite chega eu sinto
o silêncio
cantarolando nos meus ouvidos
e essa melodia é a
que mais faz sentido,
é como uma onda
que ecoa
e reverbera dentro de mim.
389

Fragmento existencial

Há tempos sinto meu desprezo pelo o exagero,
o inconexo está em desintegração em meu olhar,
o rio está passando embaixo dos pés de quem o despreza,
o êxtase se encontra escondido numa face estendida,
o abrasamento desse nada atravessa o rio performado por lacunas, 
Chico e Antônia comem e salivam as frutas do mês de estiagem, 
Chico morde a manga, 
Antônia a cospe, 
os dois abominam e sentem sede pela a fruta seca,
a vontade de depreciar-se com o nada é tanta, 
que sua existência é essencialmente a insignificância,
o vazio compõe as palavras que escorrem nos ralos,
o esgoto compreende o chorume, os ratos, as pestes e os poetas,
a martirização ao provar o nada,
o sacrifício sob o que assola a alma,
resguardando a concórdia,
engolindo o delírio das palavras,
que é privilégio do poeta. 
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Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!