thiago_bilia

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Versificando...

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OS IPÊS DA CIDADE

Correria, manhã de inverno, mas
Em Campinas imagem magistral, 
Agasalhados habitantes arfam:
‘Frialdade deixe-nos em paz’;

As cores às ruas enfeitam agora,
Assim enfadonha frieza triste
Vai-se embora em setembro. Paciente
O ipê rosa do seco desabrocha;

Com delicadas pétalas surgiu,
Com força enfrentou o rigor do frio
Pra nos oferecer lindos buquês,

Dar o tom na clave da primavera,
Orquestrar antes desta ocasião
Melodias da bela estação.
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Biografia

Desde a primeira escrita no interior do Piauí, versos simples e desconcertados de um adolescente, retomo novamente o registro dos momentos; desta vez, diferente de antes, busco a métrica para a evolução.

Poemas

2

Geração refrigereco

Avisem-no que os anos oitenta por aqui acabou,
Avisem que o rock morreu e a liberdade mudou.

Informem-no que a repressão agora está travestida
De amor e agora controlando sua vida.

Deixem-no saber que colaborou para o aumento do mau
Em sua insistência na vida investiu muito mal.

Olhem-no de soslaio: o seu sonho ruiu,
De sua luta vencida acabou no covil.

Carregou os pertences de seu tirano eterno
Bajulou o carcereiro do presente flagelo.

Tentou aparecer como um homem notável
Gastou mundos e fundos em saco não retornável.

Perseguiu os prazeres dos momentos sidéreos
Acordou no palheiro das cinzas do cemitério.

Ele olhou para trás, viu os escombros da vida
Quando olhou para frente viu-a assim esvaída.

Dos incautos amores saboreou o que pôde
Inauditos louvores tiraram-no do controle.

Hoje soberbo e cansado grita ao mundo o profundo
Saber dos antigos soldados vagabundos imundos.

Não venceu sua guerra ela mudou de lugar
Hoje come no prato que cuspiu no jantar.

Olhem-no por debaixo do lençol empoeirado
Escondendo a sujeira do desequilíbrio passado.

Deixem-no ali quieto como relíquia esquecida
Com poeira na prateleira da verdade banida.

Informem-no que acabou: o inimigo venceu
Sua razão passageira ao vento se escafedeu.

Avisem-no que a luz deve apagar ao sair 
A escuridão de suas ideias não deve mais transmitir.

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Lagoa do Taquaral

Alegria e melancolia,
infância e terceira idade,
um homem com uma mulher,
um esperto e um pobre “mané”
aos sons vários da tarde.
Um violino, um piano 
e as águas da saudade.

Tão bem e tão raso e tão claro
o sol em nuvens esparsas
aquecem-nos os seus raios
inflamam toda a paisagem. 
Nem tão perto, nem tão quieto,
sabores sem vaidades.

Lá eles estão
brincando, sorrindo e dançando 
ao delicado tom 
da mocidade calma;
no espelho da Lagoa,
no crepúscul do fim de tarde.
o amor, o sabor, a saudade.

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