Trouxxana

Trouxxana

n. 2005 PT PT

" poeta nascitur, non fit "- o poeta nasce, não se faz. Esta é a ideia que eu defendo com todas as forças; fazer poesia pode ser treinado, mas a genuína essência; a genuína característica mágica que chega a tocar na alma dos leitores, reside no coração do poeta, desde o seu primeiro batimento.

n. 2005-03-26, Setúbal

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Sinto um tsunami léxico em mim:

Sinto um tsunami léxico em mim:
As palavras, expressões e metáforas
Sobrepõem-se e eu, sem âncora,
Afogo-me neste oceano sem fim.

Numa tentativa infrutífera de emergir, 
Deixo-me levar pela forte corrente -
Transponho para o papel, desordenadamente,
Todas as ideias provenientes do seu surgir.

E no momento em que sinto elevação,
E capto os raios solares refratados,
Retorno à penetrante e marítima escuridão.


Para sempre assim eu hei de permanecer:
Aprisionada nas profundezas dos meus intrincados
Pensamentos; na minha maresia de ser


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Poemas

3

Quero olhar-te; redescobrir-te; conhecer-te

Quero olhar-te; redescobrir-te; conhecer-te
Esse teu tão misterioso e aliciante interior.
Quero-me apresentar aos teus demónios e, até,
Abatê-los, valentemente, se preciso for.

Quero tocar-te, porém, não como tu pensas:
Quero tocar-te sem tato - apenas mera conexão.
Quero beber-te a alma, e, pela voraz saciação,
Se for preciso, devorá-la até à tua existência

Eu quero perder-me na mística dimensão
Que tu és, de olhos fechados e coração
Aberto; quero que partilhemos o cosmos.

Quero a Marte, sem ses, apenas com os nossos
Espíritos fundidos num só - e se for 
Preciso, faço o Sol girar à nossa volta, amor.
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Rodeia-me, com uma formosura fascinante,

Rodeia-me, com uma formosura fascinante,
O filho cerúleo de Póseidon, recalcitrante,
Através de angélicas, ainda que brutalmente
Mortíferas, ondas, pela verdade transparentes.

Elas, através da sua clareza e sonoridade,
Relatam-me todas as suas vivências e 
Os segredos das criaturas que fazem de
Lar os lugares mais profundos, desde sempre.

Utilizo uma concha como caneta, afim de,  
Nas sobreviventes e esculpidas rochas,
Eternizar o seu mais belo testemunho. 

Não obstante que a gravura seja pelas ondas 
Revitalizada, perdurará sempre o alicerce
Das profundezas do mar; do mundo; tudo.
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Até a Lua, de tamanha suprema divindade

Até a Lua, de tamanha suprema divindade,
Deixa-se consumir pela extrema soledade 
Ao refletir a luz do Universo, e desaparece
Por breves momentos; foge; desiste; eclipse.

Até o vento, tão forte e intenso, ardente,
Deixa-se enfranquecer ao perder a areia,
Que com tamanha dedicação passeia,
Num milésimo de segundo, perdidamente.

Não obstante,tu prometes que me queres
E que me amas eternamente; para sempre,
Independentemente do seu real significado.

E eu, embora todos os trágicos precedentes,
E perante a ingenuidade ao amor subjacente,
Acredito, do meu corpo, bocado a bocado.
281

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