um-poeta-qualquer

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n. 1999 BR BR

Não me dê muita importância. Sou somente alguém que gosta de escrever, nas horas vagas, sobre como vejo o mundo e sobre como ele faz me sentir.

n. 1999-03-13

Perfil
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Pedido de Socorro

Isolado na sombra negra da noite.
Preso numa ilha onde ninguém há de encontrar.
Sofrendo no âmago do meu ser...
A solidão me assola.
Incompreensível...
Palavra que define meu ser,
Preso nesse mundo de sofrimento e dor,
Preso nessa terra de intolerantes que não compreendem,
a angústia... a angústia... angústia... que tenho que suportar.
Não quero a esse mundo pertencer.
Não quero nessa terra me afogar.
Não quero nesse lugar sufocar-me com os ventos da desesperança.
Desesperança de que tudo irá ficar... bem.
Quero transcender esse ser que já não sou.
Quero emergir das profundezas da tristeza.
Quero voltar a respirar livremente.
Quero... muito... encontrar-me.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
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Poemas

19

O impasse

Devolveram-me a vida?
Ou trouxeram-me a morte?
Difícil saber;
difícil distinguir vida e morte.
Ambas estão separadas
por uma linha tênue.
Uma dela está presente em mim...
só não sei qual.
Antes era a dor que me fazia sentir vivo,
mas, ao mesmo tempo, fazia-me querer não estar.
Sei que parece contraditório,
porém não o é.
A dor da solidão era o que me movia.
Como não há dor,
não há motivo para viver.
Mas não quero sentir dor.
Entretanto, quero viver...
Encontro-me diante de um impasse.



Autor: RSS (Um poeta qualquer)
863

Morte: solução ou sofrimento?

Na noite escura,
em que jaz a morte
que nos afronta,
Lá está ela vestida de branco.
Em meio às trevas
que a cercam,
Envolta de tormenta e sofrimento,
Traz ela a esperança.
Esperança da vida que carrega,
Dentro do peito que agoniza,
Devido a "morte"
que está próxima.
Não há mais saída.
Não há mais esperança.
Há de prevalecer então a dor e sofrimento;
Prevalece, portanto, a não vida e não mais a morte.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
771

Em chamas (Destruição)

Tal como o fogo,
que consome rapidamente a palha seca...
minha raiva,
consome rapidamente meu ser.
Raiva que queima,
que dói,
que destrói...
que faz chorar.
Raiva que amarga, e depois se faz doce.
Doce como uma abelha que morre ao picar,
pois essa sabe que, mesmo com o amargo da morte,
estará cumprindo uma nobre missão. (Vingança!)
Raiva...
Raiva de ser enganado.
De ter meus sentimentos destruídos.
Raiva...
que veio substituir todas minhas emoções,
por alguém destruídas.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
767

Deliberando

Estou eu aqui a escrever. Enquanto escrevo, delibero. Delibero sobre a vida, delibero sobre mim, delibero sobre sofrer. Sofrer? Sim, sofrer. Sofrer nessa vida que a mim só traz tristezas. Agora estou triste. Estou sofrendo, chorando, morrendo, sendo massacrado por emoções que estão destruindo meu ser.
Mas por quê? Por que não consigo ser feliz como outros? Por que não consigo me sentir... bem? Por quê? Por quê? Esse é o grande questionamento da minha vida: "por quê". Por que esse é o grande questionamento da minha triste vida? Não sei. Tudo em minha existência é uma incógnita.
Por isso sou mal compreendido? Por isso não me sinto bem? Por isso não consigo fazer parte da "roda de amigos"? Por isso sou tachado de esquisito? Por isso pensam que sou... louco?
Louco? Por que louco? Por não conseguir me encaixar? Por isso louco? Já não sei. O que há de mais em não conseguir interagir? Querem que eu não seja eu? Querem que eu me transforme em outro ser? - Não é isso, eles dizem. Se não é isso, o que é então? Eu já não sei.
Não saber sobre si mesmo é incomum. Não sei se incomum é a palavra certa, mas acho que sim. Oras, acha que sim? Por que não tens certeza de nada que diz? É por isso que não te levam a sério. Não me levam a sério não por esse motivo, mas por outro. Qual então? Acham que sou louco. Louco? Sim, louco. O que há demais em ser louco? Ser louco ajuda às vezes. Olha, antes estavas tu triste e agora? Estou melhor. Viu? A loucura ajuda. Talvez eles é que tenham que mudar.



Autor: RSS (Um poeta qualquer)
761

Contradições do isolamento

Solidão, és tu?
és tu solidão?
Sim, és tu.
Tenho certeza!
Não vá solidão...
Não vá.
Não deixe-me aqui.
Não me deixe para trás... sozinho.
Não a tenho mais.
Ela se foi.
O que será de mim agora?
Se até a solidão me abandonou.
Não tenho ninguém.
Não vejo ninguém.
Abandonaram-me.
Então agora estou... só?


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
833

O motivo

Minha fonte de inspiração?
É minha dor.
Dor de existir.
Dor do não pertencimento a esse mundo.
É ela que me mantém vivo.
É ela que me dá forças para superar cada dia,
cada situação.
Cada interação.
É doloroso, percebe, caro leitor?
Relacionar-me com essas pessoas; ter que encará-las.
Me sinto um estranho ao lado delas.
Sinto-me como se não fizesse parte do ambiente em que vivem.
Sinto que não faço parte do seu mundo.
Ah! O seu mundo.
Dizei a mim: como tu consegues viver nele?
Mundo de aparências, de superficialidades, de... de... mundo de nada.
Mundo de mentiras que a ti engana, mas a mim jamais enganará.
Acho que por isso nele não consigo viver.
Por isso, não sou capaz de me identificar,
de me reconhecer,
de saber quem verdadeiramente sou.
A minha dor, caro leitor, é essa...
É essa solidão, esse vazio,
esse sentimento de não fazer parte do mundo de mentiras.
A dor que vivencio, é a dor de não poder ser quem sou.
Por isso, a viver de aparências nesse lugar, preciso.
Só o que me resta, é relatar minha pungente dor.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
821

O voo

O futuro. O que serei no futuro? Conseguirei seguir a profissão que almejo? Conseguirei contribuir, com meu esforço, com a sociedade? Conseguirei ajudar o outro? Penso, já não sei. Em um sociedade em que tudo é voltado para o dinheiro, para o lucro, sinto-me sozinho. A deriva num mar de desespero.
Comecei a escrever, mas nem sei porque o fiz. Estou passando por um processo de bloqueio criativo. Mas logo eu? Eu que adorava escrever. Não possuía dificuldades nenhuma para realizar tal feito. O que será que aconteceu comigo? Estou mudando? - Não quero mudar. A mudança às vezes é boa, porém transformar-se em uma pessoa sem criatividade e que não consegue escrever, não é do meu agrado.
Isso. Não quero mudar. Quero permanecer aquele garoto que via o mundo com outros olhos. Que sentia a vida passar em suas veias, e escrevia o que sentia. Sim. Esse não quero que se vá. Quero que fique. Que permaneça. Que não mude, mas transcenda. Transcenda essa forma pífia que se encontra hoje. Essa forma que se menospreza, se rebaixa, se maltrata. Transcenda; rompa o casulo e transforme-se. Voe. Mais alto... e mais alto.
Quero chegar ao ponto em que não me alcancem. Quero entrar em um profundo estado de introspecção. Quero, a partir desse voo, achar-me. Desejo encontrar minha essência. Essência essa que sinto que está perdida.
Como? Como fui me desencontrar? Por que isso ocorreu comigo? Já não sei. Mas uma coisa tenho em mente. Voarei o mais alto que puder, atingirei alturas inalcançáveis até para os pássaros mais experientes, e então... me encontrarei.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
857

As nuances de se estar vivo

Dor? Tristeza? Angústia? Solidão? Temor? Aflição? Não sei o que sinto - acho que sinto todas essas emoções - pra falar a verdade, não acho, tenho certeza. Certeza tenho desse sofrimento que reside em mim, dessa apatia de viver, desse desespero em estar vivo... desse medo da vida. Tens medo da vida? Sim, o tenho. Medo tenho do sofrimento, da amargura, da tristeza, que assolam meu ser. Medo tenho de viver. Dor tenho; de viver.
A morte não me amedronta. Nos braços dela quero repousar, me acalmar, me reconhecer. Nela busco transcender; busco a mim. Busco buscar quem realmente sou. Quero poder saber quem realmente sou. Deves estar a pensar: como pode ele querer se descobrir na morte? Tens que descobrir-se em vida. Estás enganado, caro interlocutor. Essa vida a mim não deixa saber quem sou; não me deixa senti-la, experimentá-la... vivenciá-la.
Não quero realmente a gélida e pavorosa senhora do sono eterno. Quero apenas a mim; apenas quero encontrar-me.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
794

Os massacrantes dias

Nas sombras densas da solidão, me encontro. Solitário, sofrendo, morrendo por dentro. Sendo massacrado pelos mais dolorosos sentimentos: medo, angústia, desespero, dor. Sei que ninguém irá me encontrar, ninguém irá me resgatar, ninguém irá me socorrer... me amar.
Na penumbra vivo meus dias. Nela me massacro, me desconsolo, me perco. Me perco no vazio da existência, na penúria da alma, na imensidão da amargura, no exílio da dor.
Vai, vai, não volta, morra. Morra comigo, esperança. No meu túmulo permaneça; e não reapareça, não cresça, não floresça... não amadureça. Perdida fique em mim, e em seguida, desapareça.
Não sei se preciso de ti - acho que sim. Mas não te suporto, não aguento ver-te rir, ver-te feliz, ver-te tão... esperançosa. Não a quero mais. Minha amargura toma meu ser; suportar-te não consigo.
Resignar-me-ei em meu castelo da solidão. Nele estarei pelos restos de meus tristes e cinzentos dias. Nele morrerei, e de lá não ressurgirei.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
801

Comentários (2)

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Alberto Castanheira
Alberto Castanheira

Tanto sentimento!abraços

danielacavalheiro

Muito bom, passa tanto sentimento que nos faz sentir o peso das palavras.