Fala Demais
Promete, sugere, critica, aponta. Aí pensamos que ajudará, com sua
sabedoria e seus diplomas. Após o pedido de ajuda, vai dando desculpas que
"amanhã", "depois", até que você esqueça. Falar e filosofar
qualquer um faz, quero ver é carregar pedra nas costas, arregaçar as mangas e
partir pro trabalho bruto...
Salvador, 19 de novembro de 2013
Valdeck Almeida de Jesus
Rosana Paulo faz homenagem
Lá vem Valdeck
Com alegria
Caminhando serelepe
Ele tem alma de menino
Sem ser moleque
Com garra mudou seu destino
A poesia é sua magia
Sagrada como uma prece
Palmas para este poeta
Que ele merece!
Salvador, 10.11.2013
Vai uma mãozinha aí?
"Não perguntam a ele se quer ou precisa de ajuda. Não sabem como ele vive, sem doméstica ou sem esposa/escrava. Não sabem que ele trabalha um turno de sete horas seguidas, sem intervalo para almoço. Não querem saber se ele vai a um evento artístico à tarde e outro à noite. Não perguntam se quer ajuda para carregar pedras. Não se importam se ele tem bico de papagaio e hérnias de disco. Não se interessam em quebrar pedra com ele, sob o sol escaldante. Não sabem que ele não recebe nada para atuar em sua área, em prol de uma coletividade. Mas cobram, mas criticam, mas sugerem que poderia ser assim e assado, mas acham que o espaço é pequeno, é quente, é insalubre, é frio, é largo demais, não tem segurança, não tem clientela, não tem isso, não tem aquilo. Pensam num lucro imediato, mas desejam um atalho, uma escora, um ombro amigo... Assim é que a caravana LADRA e o cão passa".
Fonte: advinha?
Sem vento
Não há estradas
Nem caminhos
Nem curvas
Nem retas
Sem vento não há
NADA
Somente o vento
Constrói, sopra,
Empurra, dinamiza,
Inspira, incentiva
Esse vento
Mesmo morno
Ou fraco, me eleva
Aos altos céus
Da inspiração
E me dá fôlego
Para longos voos
Até o próximo pouso
Num horizonte
Que se move
Sempre...
Salvador, 28 de outubro de 2013
Valdeck Almeida de Jesus - para SYD
Pecando
Já violei os dez mandamentos e
não me aconteceu nada.
Vou fazer a tábua dos meus
mandamentos e os violarei também.
Não vou para o céu, pois não
tenho asas.
Não vou para o inferno, pois não
sei cavar buraco.
Não vou flutuar, pois não sou tão
leve assim.
Não vou desaparecer no ar, pois
tenho pedras nos rins.
Valdeck Almeida de Jesus
30 de agosto de 2013
Prefiro fazer
Tenho medo de teóricos
de gente de gabinete
tenho medo de pessoas
que vivem em gaiolas
nos mundo das ideias
tenho medo de teóricos
que não pisam na lama
que não saem da cama
que falam do que não vivem
e pregam caminhos
para quem não conhecem
tenho medo disso
das revoluções mentais
sem sal, sem açúcar
sem gosto de sangue
sem gosto de mangue
sem pé nem cabeça
Valdeck A. de Jesus
05 de novembro de 2013
Chorar é preciso
Fazia anos que ele não sabia mais o que era chorar, deixar cair as lágrimas quentes e grossas rosto abaixo... Não sentia vontade de morrer, nem de viver. Vivendo um tempo de anestesia, ou demência, ou desapego, ou depressão... não sabia, ao certo, o que era uma
emoção, fazia tempo... e seguia, carimbando, tracejando o mesmo percurso de
casa ao trabalho e de volta, e para a casa de uns poucos amigos e de volta.
Poesia, não mais recitava nem ouvia. Música, somente em língua castelhana, num esforço desumano para compreender as minúcias. O sonho, talvez, fosse viver um novo amor, outra
história, língua, país. E sentia saudade de tudo, da angústia, da fome, da
poeira que o gado fazia quando trotava em frente de sua casa, seguindo para o
matadouro, tangido por vaqueiros mágicos...
E a moda, e as manchetes dos jornais, e tomar o microfone e ser fotografado nos eventos, e tudo o que o canto da sereia da mídia alegrava aos demais, ele corria para se esconder...
E andava, e dormia, e sonhava, e dizia que amava, e a pessoa nada respondia... e ele seguia, sem saber se ia ou se voltava. Mas nem o amor nem o vento lhe davam alento. Sobravam tempestades de palavras, despedidas inesperadas e a tela em branco esperando por uma
mensagem qualquer, até mesmo um adeus pra sempre... mas a agonia tinha que ser
perpetuada. Afinal, sem sonho, sem esperança, não adiantaria ligar o mundo na
tomada no dia seguinte...
E depois tentou voar, mas caiu na primeira e nas demais tentativas. Se escondeu, mas sentiu vontade de sair da toca. E as contradições humanas tomaram seu coração. Se deu vontade de matar, de fugir, de dizer impropérios a todos e todas. E se negou a atender o pedido
da alma. E seguiu mais um pouco e se perdeu e se encontrou...
Para um dia de chuva de verão, meia janela aberta e uma música castelhana no ar.
Bom dia domingo, 03 de novembro de 2013
Procurei Ele na cruz
e o mito se desfez
me achei só
em busca
e sem companhia
Busquei no ar
mas o vento
tinha ido
respirar alguém
Tentei as plantas
que caíram
pela natureza
Apeguei-me à fé
mas a realidade
da vida
me desbotou
Voltei à cruz
e me crucifiquei
em sacrifício
ao mito
que acreditei.
Salvador, 10 de outubro de 2013. 3º Encontro de Escritores
Independentes e posse da diretoria da União Baiana de Escritores - UBESC. Texto
produzido durante palestra da professora Zilda Freitas sobre Fernando Pessoa e
o poema Ulysses.
VALDECK ALMEIDA POETA
Valdeck Almeida poeta
que leva Jesus no nome
mas não foi crucificado
é apenas sobrenome.
que bom te ver aqui
ouvir sua poesia
de verbos fortes melódicos
com sensatez e harmonia.
qual o seu segundo segredo?
porque o primeiro já é você
poeta, não sei qual dos dois
é o mais gostoso de ouvir
se o poeta verdadeiro
ou segundo a fingir?
és também poeta de bordel
de esquina iluminada
de palanque redentor
do prostíbulo sem fachada.
poeta sem Gregários
Vinícius ou Buarque's
Quintana nem Carrano's
nem com todas reverências.
ninguém se iguala a você
dentro da modernidade
vivos versos são os seus
embrenhados de emoções
é você Valdeck Almeida
o poeta multidão.
Autor: Luiz Menezes de Miranda
Não tenho medo de cubanos
Quanto mais misturar, pensadores, filósofos, médicos, escritores, pintores, escultores, melhor. O mundo é globalizado e as sempre quiseram isso. Agora que a oportunidade de intercâmbio,
real, chega, parece que as pessoas estão com saudades dos muros de berlins, dos
muros das palestinas, querem muros de coréias separando os atlânticos e os
pacíficos... o ar que respiro não sei de onde vem..
E, complementando, o brasileiro médio (do analfabeto ao grande intelectual pós-doutorado nas diversas sourbonnes da vida) possuem o mesmo quilate de auto-depreciação. Na minha
opinião, somos gênios, mas não acreditamos nisso.
Não sei porque tanto medo de cubanos ou espanhóis, se a gente está cercado de carros alemães, sanduíches americanos, perfumes franceses, telefônicas itálias móbiles, aprendemos inglês nas escolas, usamos calças jeans, veículos japoneses etc. etc. É um
contrassenso proibir UNS, enquanto OUTROS já invadiram nosso território há
muitos e muitos anos, inclusive com direitos que eram restritos a brasileiros.
Valdeck Almeida de Jesus
Salvador-BA, 31 de agosto de 2013