Pecando
Já violei os dez mandamentos e
não me aconteceu nada.
Vou fazer a tábua dos meus
mandamentos e os violarei também.
Não vou para o céu, pois não
tenho asas.
Não vou para o inferno, pois não
sei cavar buraco.
Não vou flutuar, pois não sou tão
leve assim.
Não vou desaparecer no ar, pois
tenho pedras nos rins.
Valdeck Almeida de Jesus
30 de agosto de 2013
VALDECK ALMEIDA DE JESUS O POETA DA VERDADE
O XI PARLAMENTO NACIONAL DE ESCRITORES
P arlamento localizado na Colômbia convidou
O Valdeck Almeida de Jesus por seus valores
E ste polivalente e emérito baiano se destacou
T ambém estarão neste evento outros autores
A plaudem a Raúl Gomes Jatin que nos deixou
D iversos paises participarão destas atividades
A li se encontrarão consagradas personalidades
V aldeck lerá "Memórias do Inferno Brasileiro".
E ste jornalista, funcionário público e escritor.
R evelará ao mundo o seu talento verdadeiro
D este grande poeta tenho ciência do seu valor
A Deus peço que ilumine a sua ida e regresso
D efenda nossa pátria com seu empenho e amor
E ste encontro com certeza será um sucesso
José Carlos Gueta - O POETA DOAB
Rosana Paulo faz homenagem
Lá vem Valdeck
Com alegria
Caminhando serelepe
Ele tem alma de menino
Sem ser moleque
Com garra mudou seu destino
A poesia é sua magia
Sagrada como uma prece
Palmas para este poeta
Que ele merece!
Salvador, 10.11.2013
VALDECK ALMEIDA POETA
Valdeck Almeida poeta
que leva Jesus no nome
mas não foi crucificado
é apenas sobrenome.
que bom te ver aqui
ouvir sua poesia
de verbos fortes melódicos
com sensatez e harmonia.
qual o seu segundo segredo?
porque o primeiro já é você
poeta, não sei qual dos dois
é o mais gostoso de ouvir
se o poeta verdadeiro
ou segundo a fingir?
és também poeta de bordel
de esquina iluminada
de palanque redentor
do prostíbulo sem fachada.
poeta sem Gregários
Vinícius ou Buarque's
Quintana nem Carrano's
nem com todas reverências.
ninguém se iguala a você
dentro da modernidade
vivos versos são os seus
embrenhados de emoções
é você Valdeck Almeida
o poeta multidão.
Autor: Luiz Menezes de Miranda
Biografia não-autorizada
Vou processar quem não fizer
minha biografia não autorizada
quero que devassem
mexam, invadam
vasculhem, futuquem
investiguem, fucem
bisbilhotem
remexam
cisquem
pesquisem
fuxiquem
fofoquem
exponham
espiem
procurem
escarafunchem
e achem tudo...
Valdeck Almeida de Jesus
18 de outubro de 2013
Espírito de Porco
Se você não vê a postagem
ou não comenta nem curte
ou compartilha, você é
invejoso, despeitado,
ciumento;
Se você vê a postagem e
comenta, curte ou
compartilha, inclusive
citando o nome do
homenageado e/ou de quem
fez a homenagem (mesmo
que seja um amigo seu),
aí você é bajulador,
puxa-saco, adulador...
Temporal
Sol e chuva
Se abatem
Em meu peito
Sombra, neve
Vento leve
Brisa, pedra
Cinza, furacão
Maremoto
Poeira, fogo
Granizo
E tufão
E eu
Em busca
De equilíbrio
Me despedaço
Despenhadeiro
Busco refúgio
Tudo em vão
Espero
A primavera
Inverno, outono
Meia lua
E verão
E durmo e sonho
Com medo
Do amanhecer
Me trazer
Alguma ilusão
Para SYD
Salvador, 24 de setembro de 2013
Não tenho medo de cubanos
Quanto mais misturar, pensadores, filósofos, médicos, escritores, pintores, escultores, melhor. O mundo é globalizado e as sempre quiseram isso. Agora que a oportunidade de intercâmbio,
real, chega, parece que as pessoas estão com saudades dos muros de berlins, dos
muros das palestinas, querem muros de coréias separando os atlânticos e os
pacíficos... o ar que respiro não sei de onde vem..
E, complementando, o brasileiro médio (do analfabeto ao grande intelectual pós-doutorado nas diversas sourbonnes da vida) possuem o mesmo quilate de auto-depreciação. Na minha
opinião, somos gênios, mas não acreditamos nisso.
Não sei porque tanto medo de cubanos ou espanhóis, se a gente está cercado de carros alemães, sanduíches americanos, perfumes franceses, telefônicas itálias móbiles, aprendemos inglês nas escolas, usamos calças jeans, veículos japoneses etc. etc. É um
contrassenso proibir UNS, enquanto OUTROS já invadiram nosso território há
muitos e muitos anos, inclusive com direitos que eram restritos a brasileiros.
Valdeck Almeida de Jesus
Salvador-BA, 31 de agosto de 2013
Vai uma mãozinha aí?
"Não perguntam a ele se quer ou precisa de ajuda. Não sabem como ele vive, sem doméstica ou sem esposa/escrava. Não sabem que ele trabalha um turno de sete horas seguidas, sem intervalo para almoço. Não querem saber se ele vai a um evento artístico à tarde e outro à noite. Não perguntam se quer ajuda para carregar pedras. Não se importam se ele tem bico de papagaio e hérnias de disco. Não se interessam em quebrar pedra com ele, sob o sol escaldante. Não sabem que ele não recebe nada para atuar em sua área, em prol de uma coletividade. Mas cobram, mas criticam, mas sugerem que poderia ser assim e assado, mas acham que o espaço é pequeno, é quente, é insalubre, é frio, é largo demais, não tem segurança, não tem clientela, não tem isso, não tem aquilo. Pensam num lucro imediato, mas desejam um atalho, uma escora, um ombro amigo... Assim é que a caravana LADRA e o cão passa".
Fonte: advinha?
Chorar é preciso
Fazia anos que ele não sabia mais o que era chorar, deixar cair as lágrimas quentes e grossas rosto abaixo... Não sentia vontade de morrer, nem de viver. Vivendo um tempo de anestesia, ou demência, ou desapego, ou depressão... não sabia, ao certo, o que era uma
emoção, fazia tempo... e seguia, carimbando, tracejando o mesmo percurso de
casa ao trabalho e de volta, e para a casa de uns poucos amigos e de volta.
Poesia, não mais recitava nem ouvia. Música, somente em língua castelhana, num esforço desumano para compreender as minúcias. O sonho, talvez, fosse viver um novo amor, outra
história, língua, país. E sentia saudade de tudo, da angústia, da fome, da
poeira que o gado fazia quando trotava em frente de sua casa, seguindo para o
matadouro, tangido por vaqueiros mágicos...
E a moda, e as manchetes dos jornais, e tomar o microfone e ser fotografado nos eventos, e tudo o que o canto da sereia da mídia alegrava aos demais, ele corria para se esconder...
E andava, e dormia, e sonhava, e dizia que amava, e a pessoa nada respondia... e ele seguia, sem saber se ia ou se voltava. Mas nem o amor nem o vento lhe davam alento. Sobravam tempestades de palavras, despedidas inesperadas e a tela em branco esperando por uma
mensagem qualquer, até mesmo um adeus pra sempre... mas a agonia tinha que ser
perpetuada. Afinal, sem sonho, sem esperança, não adiantaria ligar o mundo na
tomada no dia seguinte...
E depois tentou voar, mas caiu na primeira e nas demais tentativas. Se escondeu, mas sentiu vontade de sair da toca. E as contradições humanas tomaram seu coração. Se deu vontade de matar, de fugir, de dizer impropérios a todos e todas. E se negou a atender o pedido
da alma. E seguiu mais um pouco e se perdeu e se encontrou...
Para um dia de chuva de verão, meia janela aberta e uma música castelhana no ar.
Bom dia domingo, 03 de novembro de 2013