República
A cada dia cresces mais,
porque o tempo passa a correr,
orgulhosos de ti estariam os teus pais,
exceto quando em tirania tiveste de viver.
Começaste reservada,
com muitas restrições,
mas desde o 25 de abril,
abriste a tua mentalidade,
passaste a ter para todos, vários corações.
Eras há pouco uma criança,
como outra qualquer,
e os ventos da mudança,
tornaram-te uma mulher.
O tempo passa a correr,
mas isso eu já sei,
vou ver-te crescer,
e o resto logo verei.
Quanto já foi perdido
Quanto já foi perdido?
Neste mundo de incertezas,
Nada foi adquirido,
Nem as mais simples certezas.
Quantas pessoas já morreram?
E ficaram por lembrar,
Quantas pessoas já adoeceram?
Sem ninguém se preocupar?
Quantas pessoas já sofreram?
E lutaram no passado,
Mas as pessoas não aprenderam,
E tudo continua no mesmo estado.
Ganhar
Ganhar é vencer,
Da vitória ser senhor,
É conseguir aprender,
Sem tristeza e dor.
Ganhar é ao topo chegar,
Olhando o mundo que em baixo se encontra,
É poder enxergar,
E observar gente boa e gente tonta.
Ganhar é voar,
Cruzar os céus brancos e cinzentos,
Ganhar é experimentar,
Por um tempo, esquecer os tormentos
O amor e nós
Quando penso no amor,
O meu cotovelo arde,
Fico longe do esplendor,
Isso toda a gente sabe.
O problema de se ser poeta,
É amar sem nunca ser amado,
É ter de correr seca e Meca,
Até cair no chão, acabado.
O amor, desde sempre,
Fora a minha fraqueza,
É uma grande verdade,
Dotada de pureza!
Este fardo que carrego,
Sem nunca me abandonar,
Leva-me a soltar um berro,
Por tanto desesperar.
É assim este sofrimento,
É assim este sentimento,
É assim a vida,
É assim o amor e nós.
A libertação
Qual será a libertação?
Que nos salvará da escuridão?
Será tudo em vão?
Ou, se calhar, não?
Desconheço o verdadeiro motivo,
Dos tempos de trevas que atravessamos,
Apenas um fogo em nós vivo,
Será aquilo que nos salva e que salvamos.
O fogo ardente da esperança,
Precisa de alguém para sobreviver,
Precisamos dele para chegar à bonança,
E poder assim aprender a viver.
Quando baixamos os braços
Quando baixamos os braços,
Paramos de acreditar,
Quando recusamos abraços,
Deixamos de amar.
Quando é preciso resistir,
E nos esquecemos da coragem,
Acabamos por desistir,
Colocamos uma roupagem,
Sobre a cobardia de trair.
Assim, o mundo continua,
Em ciclos viciosos,
A nossa esperança mingua,
Nestes tempos dolorosos.
Poética Lamentação
Há uma lágrima a escorrer,
Num canto do meu olho,
Que acabo por esconder,
Quando a cabeça encolho.
É tristeza,
É amor,
É fraqueza,
É sangue derramado,
É sofrimento expressado.
A lágrima, embora pequena,
Dá para encher mil e um oceanos,
É uma depressão, nunca serena,
Que se mostra onde quer que vamos.
Esta lágrima sangrenta,
É uma poética lamentação,
Que sempre rebenta,
Até o mais forte coração.
A fonte do amor
Um viajante,
Uma vez dissera,
Que havia uma fonte gritante,
Mas todos perguntaram: “Como pudera?”.
Ninguém acreditou,
Naquela pura verdade,
Todo mundo o gozou,
Com uma tremenda vaidade.
A fonte,
Fora por todos descoberta,
Longe da linha do horizonte,
E todos souberam,
Que aquela fonte existia.
Era a fonte do amor,
Que estava para ficar,
Seja como for,
Viva vai continuar.
O relógio corre
Aquelas árvores,
Cheias de vida,
Que eu agora contemplo,
São uma memória perdida,
Absorvida pelo tempo.
O relógio corre rapidamente,
Sem ninguém o conseguir parar,
A vida é assim para toda a gente,
Até ela nos deixar.
Mais cedo ou mais tarde,
A nossa vida arde,
E desaparece para sempre!
A vida logo chega ao seu final,
Mas isso tudo é normal!
A pandemia do amor
A única pandemia que quero espalhar,
É a pandemia do amor,
Que nos vai libertar,
E trazer o esplendor.
A pandemia do amor,
Vai de sorriso em sorriso,
Extingue sempre a dor,
E traz-nos o doce e belo riso.
É tão bom poder amar,
Ter mares e oceanos de alegria,
Mas sem nada ter para dar,
Sem ser um sorriso de magia.