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Levanta

Levanta, fala logo o que queres 
Ensaia na frente do espelho
E fala logo, se queres
Se não, então só olha
Como eu te olho
Como eu te penso
Na frente do espelho 
Que sei, sou eu
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Poemas

11

Levanta

Levanta, fala logo o que queres 
Ensaia na frente do espelho
E fala logo, se queres
Se não, então só olha
Como eu te olho
Como eu te penso
Na frente do espelho 
Que sei, sou eu
175

Esperei?

Não existe tempo maior que a espera
Pois eu esperei
Nunca pouco
Sempre muito
E fiz dos outros
O que eperavam de mim
E de mim
O que nunca esperaram 
Pela falta de tempo
187

Voas Porta Afora

Porque a saudade me consola
Quando teus olhos esvaem se
Se chega derrepente
E depois voa porta afora


Se voltas, que sei
Pela sublime liberdade do teu ser
Queimando o escuro
Me faz sabedor das voltas do mundo
200

Nós Mundo

Não existe um princípio para tudo
Apenas eu e você
Nus, no mundo
Que por acaso também foi nu
Antes de nos vestir
213

Sátiro

Vá pelo bosque escondido
De folhas secas e chão úmido
Ninfa, garota de pele branca
Dos cílios curvados
Como os bêbados da cidade
Quando com minha flauta passo

Deixe que os galhos do velho bosque
Pouco a pouco arranquem o teu vestido
Se avistar a pedra branca
Você vai saber
Sente sobre o musgo colorido
E ouça a flauta mágica
194

Cristaleira da Casa

Menina dos olhos de mormaço
Alma esculpida em malícia bruta
Trancada na cristaleira da sala
Para os olhos atentos das visitas

Pura pelo desejo do pai
Sacra pelo da mãe
Profana malícia dos temporais
De todos os ventos Norte Sul
Que agitam seus ares
E tornam vulgares os trejeitos

Requisitada pelos herdeiros
Dos velhos tronos de madeira
Que são meninos de barba
Estancados em raso desejo

Se despertas arrepio
Se aguça os sentidos
É porque teus olhos são
Apenas toda a natureza
199

Mortalha Precoce

Fina mantilha que me esconde o mundo
Mortalha precoce de um corpo desnudo
Cortina de seda posta para a mais bela janela

Janela que da para a rua
A borda do mundo
Que me faz em comunhão
E alheio a tudo
210

O que é?

Para mim são as pessoas
As pessoas e as emoções
215

Solidão

Medo da solidão (que de fato não existe)
O que existe sou eu
E o medo de estar comigo mesmo
Que eu chamo solidão
206

Nas Brigas

Nas brigas
Os punhos cerrados são corações que desertaram o peito
222

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