vermouthgin

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Por favor, fale comigo

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Levanta

Levanta, fala logo o que queres 
Ensaia na frente do espelho
E fala logo, se queres
Se não, então só olha
Como eu te olho
Como eu te penso
Na frente do espelho 
Que sei, sou eu
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Poemas

9

Nós Mundo

Não existe um princípio para tudo
Apenas eu e você
Nus, no mundo
Que por acaso também foi nu
Antes de nos vestir
213

O que é?

Para mim são as pessoas
As pessoas e as emoções
215

Solidão

Medo da solidão (que de fato não existe)
O que existe sou eu
E o medo de estar comigo mesmo
Que eu chamo solidão
206

Bem Aqui Dentro do Peito

Sou esse que escreve
Que lê e deseja
Descarta, e vive nesse tempo
Nessas horas que formam dias
Que formam semanas
Depois meses, anos, séculos
E o que mais? Milênios, alguns zeros! Casas e mais casas?!

Sou esse que acorda
Levanta
Ignora algo
Acolhe outro
Se apaixona
Se fecha
Repete, repete
Num ciclo, numa elipse
Como os astros
Que nunca vi
Nunca toquei
Que tangenciam os meus pensamentos
Colidem como os desejos
E explodem junto
Junto a todo o resto
Que também nunca vi
Bem aqui dentro do peito
219

Cristaleira da Casa

Menina dos olhos de mormaço
Alma esculpida em malícia bruta
Trancada na cristaleira da sala
Para os olhos atentos das visitas

Pura pelo desejo do pai
Sacra pelo da mãe
Profana malícia dos temporais
De todos os ventos Norte Sul
Que agitam seus ares
E tornam vulgares os trejeitos

Requisitada pelos herdeiros
Dos velhos tronos de madeira
Que são meninos de barba
Estancados em raso desejo

Se despertas arrepio
Se aguça os sentidos
É porque teus olhos são
Apenas toda a natureza
199

Mortalha Precoce

Fina mantilha que me esconde o mundo
Mortalha precoce de um corpo desnudo
Cortina de seda posta para a mais bela janela

Janela que da para a rua
A borda do mundo
Que me faz em comunhão
E alheio a tudo
210

Nas Brigas

Nas brigas
Os punhos cerrados são corações que desertaram o peito
222

Voas Porta Afora

Porque a saudade me consola
Quando teus olhos esvaem se
Se chega derrepente
E depois voa porta afora


Se voltas, que sei
Pela sublime liberdade do teu ser
Queimando o escuro
Me faz sabedor das voltas do mundo
200

Sátiro

Vá pelo bosque escondido
De folhas secas e chão úmido
Ninfa, garota de pele branca
Dos cílios curvados
Como os bêbados da cidade
Quando com minha flauta passo

Deixe que os galhos do velho bosque
Pouco a pouco arranquem o teu vestido
Se avistar a pedra branca
Você vai saber
Sente sobre o musgo colorido
E ouça a flauta mágica
194

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