Vicente Freitas

Vicente Freitas

n. 1955 BR BR

Vicente Freitas de Araújo (Bela Cruz, Ceará, 11 de fevereiro de 1955) é um editor, escritor, poeta, historiador e artista plástico brasileiro. Filho de José Arimathéa de Freitas e Dona Maria Rios de Araújo.

n. 1955-02-11, Bela Cruz

Perfil
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POEMETO PARA BELA CRUZ

Contemplando teus campos naturais

Pólens, pingos de orvalho - na úmida várzea -

Teu aniversário ouso hoje comemorar

E novamente canto teu cenário silvestre:

Espessos pomares

Casinhas modestas

Quintais pastoris

Com ruídos de vila e senzala.

Teus pequenos fatos anônimos

Hoje queremos cantar,

Com amor mais ardente

Com zelo mais forte.

Desta verde paisagem ribeirinha

Jamais olvidamos

Vaz Carrasco, o patriarca

Capitão Diogo Lopes, o médico

João Damasceno, o poeta

Joca Lopes, o músico...

- Onde estão todos eles?

Sobre as margens deste rio encantador

Permanecem.

Tua gente tem a face curtida por sóis luzentes

E sabe avançar

recuar

resistir

defender-se.

Tua história contém tudo:

Corpos

almas

significados

Amores

belezas

paixões

Orgulho

delicadezas

canções

Esperanças

benefícios

doações

Experiências

resultados

conclusões...

(Deleites da terra;

lida enfadonha...)

- Onde a gente de bem trabalha e sonha.


Vicente Freitas

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Biografia
Vicente Freitas Araújo (Bela Cruz, Ceará, 11 de fevereiro de 1955) é um editor, escritor, poeta, historiador e artista plástico brasileiro. Filho de José Arimathéa de Freitas e Dona Maria Rios de Araújo. Depois de estudar em algumas escolas de sua cidade natal, mudou-se para Fortaleza, passando então a conviver com um grupo de escritores e poetas, frequentadores da Casa de Juvenal Galeno. Licenciado em História e Geografia, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, UVA. É autor dos livros: Almanaque poético de uma cidade do interior (1999); Bela Cruz: biografia do município (2001); O Carpinteiro das Letras (2005); Bela Cruz: famílias endogâmicas (2010); Corpo: acorde arpejado (publicado em Lisboa, 2012); História abreviada de Bela Cruz (2013); Bela Cruz: cronologia do município (2014); Famílias endogâmicas do Vale do Acaraú (2015); Linhares Filho: Príncipe dos Poetas Cearenses (2016); Fernando Pessoa: Fragmentos de uma Autobiografia (2017). Participou de várias coletâneas, dentre as quais: Poetas brasileiros de hoje, Shogun Arte Editora, (1992); Contos e poemas do Brasil, Litteris Editora, RJ (1997); Os melhores da literatura, Litteris Editora, RJ (1998); Sonhos e expectativas, Scortecci Editora, SP (1999); Seleção de poetas noctívagos, Scortecci Editora, SP (2001); Três milênios de poesia e prosa, Fortaleza (2003); O Sol do Amor: exercícios de admiração para Horácio Dídimo. Fortaleza: Instituto Horácio Dídimo, 2019; Maria, Mãe da Poesia. Fortaleza: Instituto Horácio Dídimo, 2019; 100 Sonetos de 100 Poetas. Fortaleza: Instituto Horácio Dídimo, 2019; Além da Terra, Além do Céu. São Paulo: Chiado Books, 2021. É verbete da Enciclopédia de literatura brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (2001). Organizou antologias sobre — Dimas Carvalho, Linhares Filho, Manoel de Barros, Fernando Pessoa, e outros. Foi um dos finalistas do prêmio nacional de poesia Menotti del Picchia 2000, e do internacional Von Breysky 2001. Vicente Freitas é o autor do Brasão e da Bandeira de Bela Cruz, sua cidade natal. Tem livros publicados, em vários idiomas, por um Grupo de Editoras da Europa, África, Ásia e América Latina, com distribuição nas principais livrarias do mundo.

Livros do Autor: traduzidos e publicados:

Inglês:

The Carpenter of Letters. Lap Lambert Academic Publishing, 2020.

Holandês:

De Timmerman van Brieven. Globe Edit, 2020.

Francês:

Le charpentier des lettres. Editions universitaires europeennes, 2020.

Alemão:

Der Zimmermann der Briefe. Akademiker Verlag, 2020.

Polonês:

Stolarz Listów. Wydawnictwo Bezkresy Wiedzy, 2020.

Italiano:

Il Falegname delle lettere. Edizioni Accademiche Italiane, 2020.

Inglês:

Fernando Pessoa: Fragments of an Autobiography. Our Knowledge Publishing, 2021.

Francês:

Fernando Pessoa: Fragments d'une autobiographie. Editions Notre Savoir, 2021.

Alemão:

Fernando Pessoa: Fragmente einer Autobiographie. Verlag Unser Wissen, 2021.

Russo:

Плотник писем: Плотник писем Висенте Фрейтас. Palmarium Publishing, 2020.

Polonês:

Fernando Pessoa: Fragmenty autobiografii. Wydawnictwo Nasza Wiedza, 2021.

Italiano:

Fernando Pessoa: frammenti di un'autobiografia. Edizioni Sapienza, 2021.

Russo:

Фернандо Пессоа, Винсент Фреитас. Sciencia Scripts, 2021.

Espanhol:

Fernando Pessoa: Fragmentos de una autobiografia. Ediciones Nuestro

Conocimiento, 2021.

Holandês:

Fernando Pessoa: Fragmenten van een Autobiografie. Editora ‏Uitgeverij Onze Kennis, 2021.

Poemas

5

SONETO JÁ ANTIGO

A terra é uma estranha hospedaria;

a vida, um espelho em sua face nua.

Deus a criou, o homem, todavia

vai destruindo como coisa sua.

Minha alma está cheia de desilusões

parece que estão sempre à minha porta.

Eu vivo ainda, e o que mais importa

é encher de poesia os corações.

Vagueio assim dias e noites a esmo

eu sou o estranho fantasma de mim mesmo

tudo se transmuda: o homem e o mito.

Como um petardo hei de explodir, aflito

e a morte então há de quebrar meu canto

me escondendo em vão pelo infinito.

Vicente Freitas

607

O PALHAÇO

Quando o palhaço a dor num riso esculpe-a

e transmuda-a num tênue pranto, e vence-o

sente, às vezes, aflição, uma volúpia

que o faz sofrer sorrindo ou em silêncio.

No picadeiro canta e rola e cala

ninguém sabe quem é, qual o seu nome

qual a família que a miséria embala

quais os filhinhos, muita vez, com fome.

Conta histórias, alegre... e logo finda

sorri e canta alguma coisa linda

não tinha inspiração, mas apelava.

E eu que, pasmado, tanto gargalhava

fico confuso e mais surpreso ainda

não sorria o palhaço, e sim, chorava.


Vicente Freitas

761

METAMOFORSE

Treva da noite,

nos ombros curvos da cidade,

aglomerados,

nos olhos turvos das janelas

tudo jaz sem equilíbrio.

Parte, ó homem, à aventura do amor

esquece um instante teu Ego

não é utopia fantástica,

é possível.

Talvez achareis meu poema

perdido em ruínas

com tua rude miséria exposta

em metamorfose.

Homens, rainhas, reis,

não pequemos pela maçã ou pelo pão,

voltemos à nudez do paraíso:

Mundo sem dor,

onde o homem não tem forma de lágrima.


Vicente Freitas

561

ACARAÚ

Saudável ribeira, mel agreste

sumo de orvalho e essências matinais

trago no olhar o linho das nuvens

e na boca sabores de luar.

Vem, poeta, até este pomar

vislumbrar este rio, este mar

e o fogo que aqui irrompe no verão

e o homem que em sua lida

faz o lavrar do chão

trabalho rústico de enxada e mão

esforço e riqueza da nação.

Esta ribeira é para nós um país de sonhos

tão belo, tão diverso, original

plantemos o companheirismo

como árvores ao longo deste rio

e assim seremos incomparáveis

imbatíveis.

Ribeira minha encantada

gama de verde carnaubal em distante extensão

murmúrios do vento celestial

acariciando o coqueiral.

Acaraú, meu Rio das Garças

osso e carne em mim feito estrela

- Sangue e Vida desta Ribeira.


Vicente Freitas

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POEMETO PARA BELA CRUZ

Contemplando teus campos naturais

Pólens, pingos de orvalho - na úmida várzea -

Teu aniversário ouso hoje comemorar

E novamente canto teu cenário silvestre:

Espessos pomares

Casinhas modestas

Quintais pastoris

Com ruídos de vila e senzala.

Teus pequenos fatos anônimos

Hoje queremos cantar,

Com amor mais ardente

Com zelo mais forte.

Desta verde paisagem ribeirinha

Jamais olvidamos

Vaz Carrasco, o patriarca

Capitão Diogo Lopes, o médico

João Damasceno, o poeta

Joca Lopes, o músico...

- Onde estão todos eles?

Sobre as margens deste rio encantador

Permanecem.

Tua gente tem a face curtida por sóis luzentes

E sabe avançar

recuar

resistir

defender-se.

Tua história contém tudo:

Corpos

almas

significados

Amores

belezas

paixões

Orgulho

delicadezas

canções

Esperanças

benefícios

doações

Experiências

resultados

conclusões...

(Deleites da terra;

lida enfadonha...)

- Onde a gente de bem trabalha e sonha.


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