SONETO JÁ ANTIGO
A terra é uma estranha hospedaria;
a vida, um espelho em sua face nua.
Deus a criou, o homem, todavia
vai destruindo como coisa sua.
Minha alma está cheia de desilusões
parece que estão sempre à minha porta.
Eu vivo ainda, e o que mais importa
é encher de poesia os corações.
Vagueio assim dias e noites a esmo
eu sou o estranho fantasma de mim mesmo
tudo se transmuda: o homem e o mito.
Como um petardo hei de explodir, aflito
e a morte então há de quebrar meu canto
me escondendo em vão pelo infinito.
Vicente Freitas
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