Victor Araújo

Victor Araújo

n. 1992 BR BR

Apreciador da arte e da peculiaridade do estético.

n. 1992-06-01, Natal -RN

Perfil
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PREVISIBILIDADE



Onde tudo é sólido, artificial e previsível,
sou volátil, natural e risco.
Onde tudo é falsamente construído,
tomo um martelo para quebrar esses muros.

Sim, é um jogo de cartas marcadas.
Sabemos que não há espaço.
Nego-me a sentar convosco.
Exijo a destruição da vossa mesa.

Adaptar-se é uma forma de prisão.
Quem dá os termos?
A cada dia não enxergo uma única fresta de luz.
Apenas mal-estar e desconforto.

Não assinei nenhum contrato.
Essa força cada vez mais esmaga.
Só existem falsas possibilidades,
onde tudo é o que não deveria ser.
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Poemas

19

A FARSA QUE NÓS VIVEMOS




As coisas mudaram,

mas a farsa continua a mesma.
A essência do interesse permanece
como uma sólida rocha milenar.

A perversidade como efeito do poder.
O direito de imbecializar-se.
A religião que apenas complementa
a saciedade nefasta das criaturas.

A supremacia do material eclode,
em sua insanidade,
a idiotização do proprietário.
O dinheiro como epicentro do todo.

Um reino de valores ilusórios.
Falsos paladinos da justiça social.
A opressão dos falsos oprimidos.
A farsa que nós vivemos.
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ETERNIDADE PASSAGEIRA



Fazer-me,
e refazer-me.
Incontáveis vezes foram,
as que catei meus fragmentos.

Pergunto-me se isso não terá fim.

Inconstante é a existência.

Na existência,
intervalos de permanência.
A permanência que em mim
jamais permaneceu.

Causa-me angustia até o fim dos meus dias.
Ergo-me novamente.
Eu estou chegando
para a batalha da eternidade passageira.
761

INCERTO



O homem de ontem

que se dispara contra o hoje.
Rechaçado pela angústia.
Fragmentado pelas dores.

O homem de hoje
se ergue para o incerto.
Rastejante da necessidade.
Circulando no deserto.

O homem do incerto
projeta-se para o túmulo.
Olhando para trás.
O destino obscuro.
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A ESTRADA DOS PERDEDORES



Vagando como vagueiam os perdedores

pelo rastro da própria sombra segue-se em desalento.
Um corpo desafeto e desalmado
a si mesmo refugia-se em temores.

Pela porta de uma igreja ou quem sabe pela janela de um hospício
esses homens perdem-se em redemoinhos de seu tempo.
A constante espera por um significado.
O rompimento das cadeias de previsibilidade.

No lapso da loucura transcendem os moribundos da razão.
Ondas de conturbações anseiam adentrar no estático paradigma.
Por essas estradas abertas vagueiam os perdedores.
684

DILEMAS



Solenemente diante das expectativas

trazem consigo lamentos.
Vazios de um tempo sem tempo algum.

Girando tornados sobre si mesmos,
as cabeças que voam até o topo do eixo
deslizam e escorregam pelas fatalidades.

Assim, se foram, se vão, se esvaem
na medida simetricamente desigual
das curvas do mercado financeiro.

Pensar o que? Pensar em quem?
Individualismo e coletivismo
Duas faces da mesma moeda?
Hipocrisias diante do nada?

Talvez, para além do bem e do mal.
Da banalidade das necessidades.
Das necessidades banais.

Paraísos de refúgios
A boa cabeça feita
Sequer um relapso de ressentimento
Lutar para que? Lutar por quem?

Nebulosas contradições
O impedimento da moral

Há espaço para a esperteza?
Há espaço para a covardia?
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JAULAS INVISÍVEIS



Eu queria dormir e acordar com a certeza da incerteza.

Olhar pela janela e ver um mar de desconhecidos,
contemplar a diversidade.

Eu queria que o hoje não fosse igual ao ontem
e muito menos ao amanhã.
Poder sair na rua e me ver diante de infinitas possibilidades,
mas estou preso no estático.

No lugar onde nada muda, apenas deteriora-se.
Onde tudo é previsível
e a única certeza é a do desgaste.

Jaulas invisíveis tornam-se mais sólidas.
A esperança morreu.
Onde o sol nasce por hábito.
Onde o relógio move-se por falta do que fazer.
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IMPOSIÇÃO



Rabiscando sobre um papel amassado,
a mão navega livre o papel
enquanto navego sobre os meus pensamentos.

Por momentos,
as coisas parecem não terem importância.
Tudo vago, impreciso...
Passageiro.

Alguém me toca o ombro,
não sei se despertei ou adormeci.
Observo a letalidade da força.
A autoproclamação da realidade enquanto realidade.

Reivindica para si o absoluto.
O epicentro da totalidade.
Atravessa minha mente
na velocidade da luz.
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LINHA RETA



Apontaram-me o caminho em linha reta,

em linha reta busquei a paz.
Observei os desvios que se apresentavam,
a inércia não me permitiu ousar.

Pelo menor ângulo que houvesse dado à minha trajetória,
em outro lugar certamente estaria.
Prossegui na rigidez retilínea
por comodismo ou por uma falsa superioridade moral.

Talvez me faltasse tudo,
talvez me faltasse nada.
A totalidade das possibilidades.
Cartas na manga.

Um maniqueísmo sem fim
segurou o meu volante
em um piloto automático
na artificialização do meu ser.
785

SUBVERSIVIDADE



Contestar a ordem.
Desligar os televisores.
Estimular o caos.
Por fim a era dos detentores. 
613

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lilith666

Foda