Victor Araújo

Victor Araújo

n. 1992 BR BR

Apreciador da arte e da peculiaridade do estético.

n. 1992-06-01, Natal -RN

Perfil
12 008 Visualizações

PREVISIBILIDADE



Onde tudo é sólido, artificial e previsível,
sou volátil, natural e risco.
Onde tudo é falsamente construído,
tomo um martelo para quebrar esses muros.

Sim, é um jogo de cartas marcadas.
Sabemos que não há espaço.
Nego-me a sentar convosco.
Exijo a destruição da vossa mesa.

Adaptar-se é uma forma de prisão.
Quem dá os termos?
A cada dia não enxergo uma única fresta de luz.
Apenas mal-estar e desconforto.

Não assinei nenhum contrato.
Essa força cada vez mais esmaga.
Só existem falsas possibilidades,
onde tudo é o que não deveria ser.
Ler poema completo

Poemas

19

VOZES NO DESERTO



Sem rumo, vagando nas areias desse mundo.

Sem perceber, nenhum minuto em um segundo.
As vozes vão cair num mar profundo.

Ao nascer de cada manhã,
escrevendo palavras vazias,
um aroma de hortelã
vem perfumar estes dias

Ao passo que caí,
o modo como se vai,
a maneira como se saí,
a sombra se desfaz.

Como tudo é passageiro,
nada é um erro.
Um tiro frio e certeiro
transforma o ultimo em primeiro.

O fluxo da luz saindo do escuro,
pelas sombras de um coração puro
as vozes irão chegar aos ouvidos surdos.

Tarde leve e calma.
Passos ao horizonte.
Sentindo a presente falta
de sua origem distante.

Deixar pegadas na areia.
vozes que vão acabar
subindo em uma fogueira.
A chama que vem nos queimar.
642

JAULAS INVISÍVEIS



Eu queria dormir e acordar com a certeza da incerteza.

Olhar pela janela e ver um mar de desconhecidos,
contemplar a diversidade.

Eu queria que o hoje não fosse igual ao ontem
e muito menos ao amanhã.
Poder sair na rua e me ver diante de infinitas possibilidades,
mas estou preso no estático.

No lugar onde nada muda, apenas deteriora-se.
Onde tudo é previsível
e a única certeza é a do desgaste.

Jaulas invisíveis tornam-se mais sólidas.
A esperança morreu.
Onde o sol nasce por hábito.
Onde o relógio move-se por falta do que fazer.
642

IMPOSIÇÃO



Rabiscando sobre um papel amassado,
a mão navega livre o papel
enquanto navego sobre os meus pensamentos.

Por momentos,
as coisas parecem não terem importância.
Tudo vago, impreciso...
Passageiro.

Alguém me toca o ombro,
não sei se despertei ou adormeci.
Observo a letalidade da força.
A autoproclamação da realidade enquanto realidade.

Reivindica para si o absoluto.
O epicentro da totalidade.
Atravessa minha mente
na velocidade da luz.
634

ETERNIDADE PASSAGEIRA



Fazer-me,
e refazer-me.
Incontáveis vezes foram,
as que catei meus fragmentos.

Pergunto-me se isso não terá fim.

Inconstante é a existência.

Na existência,
intervalos de permanência.
A permanência que em mim
jamais permaneceu.

Causa-me angustia até o fim dos meus dias.
Ergo-me novamente.
Eu estou chegando
para a batalha da eternidade passageira.
758

A ESTRADA DOS PERDEDORES



Vagando como vagueiam os perdedores

pelo rastro da própria sombra segue-se em desalento.
Um corpo desafeto e desalmado
a si mesmo refugia-se em temores.

Pela porta de uma igreja ou quem sabe pela janela de um hospício
esses homens perdem-se em redemoinhos de seu tempo.
A constante espera por um significado.
O rompimento das cadeias de previsibilidade.

No lapso da loucura transcendem os moribundos da razão.
Ondas de conturbações anseiam adentrar no estático paradigma.
Por essas estradas abertas vagueiam os perdedores.
679

INCERTO



O homem de ontem

que se dispara contra o hoje.
Rechaçado pela angústia.
Fragmentado pelas dores.

O homem de hoje
se ergue para o incerto.
Rastejante da necessidade.
Circulando no deserto.

O homem do incerto
projeta-se para o túmulo.
Olhando para trás.
O destino obscuro.
681

UM HOMEM COMUM



Repensando a existência.

Perseguindo a essência.
Olhando para os lados
constantemente entediado.

Era apenas mais um homem.
Um homem comum.
Sem grande valor.
Sem valor nenhum.

Não lhe tinham apreço.
Não era cortejado.
Apenas um homem.
Em busca de significado.

Sua vida entre bilhões.
Seus passos entre a multidão.
Não possuía respaldo.
Um homem sem paixão.
659

A FUGA



Me perco em tudo.

Me perco em nada.

Olho para o acaso:
pessoas teleguiadas, conduzidas pelos mais variados motivos.
Orgulhos, vaidades, compaixão...
A complexidade que permeia o cotidiano.

Imersos em um calabouço de certezas,
navegando em um barco sem rumo dentro de um oceano de abismo.

A mente o tempo todo maquinando.
A percepção não para de bater na minha porta.

Queria realmente fechar os olhos
e deixar-me conduzir pelo fluxo dos meus pensamentos,
mas, a todo momento, essa força me sacode.

A fuga escapa pelos meus dedos enquanto observo as folhas caírem
e os jornais que cantam fatalidades.
Banalidades...

Me perco em tudo.
Me perco em nada.
696

DILEMAS



Solenemente diante das expectativas

trazem consigo lamentos.
Vazios de um tempo sem tempo algum.

Girando tornados sobre si mesmos,
as cabeças que voam até o topo do eixo
deslizam e escorregam pelas fatalidades.

Assim, se foram, se vão, se esvaem
na medida simetricamente desigual
das curvas do mercado financeiro.

Pensar o que? Pensar em quem?
Individualismo e coletivismo
Duas faces da mesma moeda?
Hipocrisias diante do nada?

Talvez, para além do bem e do mal.
Da banalidade das necessidades.
Das necessidades banais.

Paraísos de refúgios
A boa cabeça feita
Sequer um relapso de ressentimento
Lutar para que? Lutar por quem?

Nebulosas contradições
O impedimento da moral

Há espaço para a esperteza?
Há espaço para a covardia?
655

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
lilith666

Foda