victorsevero777

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n. 1972 BR BR

Sou o que você consegue ler.

n. 1972-09-24, FORTALEZA

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VISH (Very important shit).

VISH (Very important shit).
Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor.

Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor.
As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente.
Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente.

Tira essa máscara que te impede de expressar.

A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar.
Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer.
Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.

E o que mais te tortura
É o medo do degredo.
É ser despojado da atenção.
Dos olhares da multidão.
Mas vou te contar um segredo...

Você não passa de só mais um.
Tão somente uma merda muito importante.
Que foi escolhida a dedo.
Para desviar o foco do restante.
De algo muito, muito mais relevante.
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Poemas

2

Baco Dionísio



Esse trago amargo.

Com o qual me embriago.

Não tira a poeira de uma vida inteira.

Desse doce cântaro.

Sorvi todo o encanto.

Me fiz prisioneiro desde a vez primeira.

 

É o álcool esse demônio impoluto.

Que me persegue e me acompanha por toda parte.

E eu, espírito errante adulto.

Tomei esse demônio como uma obra de arte.

 

Desde cedo perdi todo o medo.

Achando o fugir da realidade.

Hoje vivo em alegre degredo.

Não sei se por minha ou por sua vontade.

 

Na aurora, na primeira hora.

Busco tua sombra, teu doce recato.

Na penumbra, tua presença abunda.

Desfruto meu sono, para sempre grato.

 

Não carrego em nenhum momento.

Arrependimento ou dúvida sequer.

Nos teus braços encontrei alento.

Sem nenhuma culpa, aflição qualquer.
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Centúria.

O chamado do abismo não lhes deixa descansar.

A voz em suas cabeças lhes ordena. Vão matar!

Coloquem fogo nos campos, dispersem as multidões.

Deem vazão a todo o ódio que habita em seus corações.

 

Furem olhos, quebrem ossos, costelas, destruam sonhos.

Com suas botas, cacetetes, balas, coletes medonhos.

Comemorem com orgulho o cumprimento do dever.

Do mais odioso lema, que é servir e proteger.

 

Servindo a quem tudo pode, sem sentir ou questionar.

O desejo que em si explode, de ferir, de chacinar.

Que orgulho eles ostentam, que desculpa eles alegam?

Instrumentos da violência, que de bom grado carregam?

 

Só nos dobram pelo medo, não nos ­inspira respeito.

 Esse estandarte infame, esse que lhes adorna o peito.

Sua história lhes faz jus, com seus incontáveis golpes.

Com suas pompas, cerimônias, em seus corceis a galope.

 

Vergonha, ignomínia, quantos crimes a reparar.

Se a história fosse justa, os poria em seu lugar.

Assassínios, extermínios, roubos, propinas, entreguismo.

Fardas manchadas com a lama do mais falso moralismo.
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