VISH (Very important shit). Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor. Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor. As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente. Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente. Tira essa máscara que te impede de expressar. A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar. Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer. Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.
E o que mais te tortura É o medo do degredo. É ser despojado da atenção. Dos olhares da multidão. Mas vou te contar um segredo...
Você não passa de só mais um. Tão somente uma merda muito importante. Que foi escolhida a dedo. Para desviar o foco do restante. De algo muito, muito mais relevante.
São eles que com suas “fezes”. Transformam nossas vidas em um inferno. Foram sempre eles, a mando de quem. Sabemos muito bem. Que sempre detiveram o poder. E não é o diabo, nisso eu posso crer. Não é mesmo, posso apostar minha alma. Tolos em suas trincheiras Ladinos em suas latrinas. Lobos famintos esperam as ovelhas preguiçosas. Um surto de fé. A preguiça, a má vontade. Orem por mim, peçam por mim. Recebam em meu nome. A cobiça, a vaidade. Dementes e crentes. Cretinos em suas oficinas Do púlpito brada um lobo nervoso. De súbito, curou-se mais um leproso. Adoração, combustão de enganos. Um feche de luz banha o rebanho. Mais um milagre precário. Um surto de fé. A preguiça, a má vontade. Orem por mim, peçam por mim. Recebam em meu nome. A luxúria, a santidade. À procura do lobo Bale o ordinário. Inquilino acorrentado no porão do sicário. Salve-se se puder Sem jamais perder a fé.
88
O tombo da fauna cancronarista.
Sai daqui espírito imundo, Zombeteiro, vagabundo. Mamador desocupado. Cancroverme desgraçado. Miliciano ordinário. Ou militar doutrinado. É tudo da mesma corja. São todos o mesmo gado. Racista fascista misógino. Que adora matar mulher. Covarde encapuzado. Pregador da falsa fé. Pusilânime mentiroso. Entreguista asqueroso. Catinga do cu do cão. Arrogante de “Bragança”. Parasita de herança. Além de canalha, ladrão. Tua hora vai chegar. Tuas contas vais pagar. Tu que vives a gargalhar. No abismo mais profundo. E eu quero de longe escutar. Teu choro e gemido ecoar. No além, lá no outro mundo. E o inferno semear. Com tantos mil choros assim. E com o pranto recordar. Do mal que viveste a praticar. Sem ter a quem mais apelar. Tarde demais será o fim.
117
Exílio
Chega de sofrer. Nem toda luta acaba em luto. Chega de chorar O sofrimento é o suprimento dos fortes. Para de reclamar Derrama tuas lágrimas em segredo. Aos outros não importa teu degredo. Não és o único nessa terra A padecer dessa guerra. Carrega tua alma mutilada para junto de mim. E vem derramar tuas angústias em minhas entranhas. Me abraça e dorme comigo até tudo morrer.
109
Persona non grata.
Quedados absortos No abismo, ignotos. Vacilantes, malfadados. Maltrapilhos, derrotados. Espasmos de fome, regurgitos de ódio. Distopia, pandemônio, profusão de tristeza. Difamação, ameaça, ojeriza à pobreza. Os infames emplumados, ascetas devassos Os demônios sem chifres ou rabos. Com fardas, togas e ternos bem cortados. Arautos de deus, escravos do diabo. Reis de todos os dissabores. Mestres e senhores. De servos exilados. De toda a paz, de toda a beleza. Sem nenhuma honra. Parasitas infames. Jazem agora e para sempre Livres de toda a riqueza. Abortos da natureza.
163
Gargalhada.
Estou rindo até quase perder os sentidos. De tanta estupidez, de tamanha repetição. Rio dos lobos com seus uivos e ganidos. Mas tenho medo das ovelhas e seus balidos. Gozo e suspiro com o ruído de um trovão.
Rio dos escravos vaidosos de suas tripas. Perdidos na luz a procura de escuridão. Arrotando vaidades após um banquete de carniças. Empanzinados com a torpeza que alimenta a multidão.
Dos cegos que desvairados fingem o além enxergar. Profetas de desatinos, abortos da natureza. Dos moucos alucinados que mentem tudo escutar. Loucos que iludem os incautos com suas falsas proezas.
E de repente na loucura incontinente. Brota-me o choro que me afoga inclemente. Falta-me o ar, me dá vontade de gritar. Brutal vazio avassala minha mente. Fruto do riso, frio, torpe e consistente. Que eu gerei para me auto flagelar.
Me amordace. Me beije, me abrace. Me leve daqui. Para onde você quiser. Para junto de ti.
Venha comigo. Parte de mim. Chuva incessante. Gozo sem fim.
240
Confissão
O que me aprazia tempos atrás Hoje não me apraz. O que você dizia. Quando mentia. Um boa tarde, boa noite, bom dia. O esperar pelo que não vem. O lamentar pelo que não se tem. É tudo fútil, quase inútil. Gargalho de desdém. O que dizer sobre o que passou. O que não aproveitei. O pouco que sobrou. Bebi o caldo deletério do que julguei prazer. Como saber? O que me aprazia tempos atrás. Hoje não me apraz. Onde você estava. Com quem caminhava. Ansiava por mim? Cavei o começo para enterrar o fim.
126
VISH (Very important shit).
VISH (Very important shit). Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor. Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor. As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente. Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente. Tira essa máscara que te impede de expressar. A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar. Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer. Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.
E o que mais te tortura É o medo do degredo. É ser despojado da atenção. Dos olhares da multidão. Mas vou te contar um segredo...
Você não passa de só mais um. Tão somente uma merda muito importante. Que foi escolhida a dedo. Para desviar o foco do restante. De algo muito, muito mais relevante.
276
Bon appétit.
No banquete antropofágico. Com a carne dos liberais. Dos ricos, soberbos boçais. Vai ter carne para todo mundo. Que necessite celebrar. Carne de rico na mesa. Banquete para a pobreza. Sangue para se embriagar. Um petisco para os pobres. Carne fina, corte nobre. De bucho cheio arrotar.
No bucho da nossa classe. Temperadas com pistache. A carne da realeza. Os banqueiros, os senhores. Os infames especuladores. As tripas de vossa alteza.
Costelas das ricas madames. Até seus cachorrinhos infames. Poderão em baixo da mesa. Comer as sobras do banquete. Correr em volta com deleite. No banquete da pobreza.
Vamos nos banquetear. No almoço e no jantar Vamos confraternizar. Estão todos convidados. Que venham de todos os lados. Venham todos comungar.
Exceto os pobres vassalos Que serviram de bom grado Com dolo de servil gado. Aos senhores de outrora. Sua sorte está traçada. E na próxima fornada. Chegará a sua hora.
155
Primavera
Sedes mansos. Sede de poder. Sedes humildes. Direita volver. Sedes simples. Fome de viver.
Escapa-me o dia. Fogem de mim as horas. Abandona-me a esperança. E eis-me aqui sozinho. Em pranto de criança. Qual último do ninho.
Sedes perfeitos. Sede de prazer Moinhos de vento. Abismos de solidão. A devorar proezas. A fomentar tristezas. A devastar meu coração.