VISH (Very important shit). Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor. Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor. As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente. Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente. Tira essa máscara que te impede de expressar. A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar. Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer. Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.
E o que mais te tortura É o medo do degredo. É ser despojado da atenção. Dos olhares da multidão. Mas vou te contar um segredo...
Você não passa de só mais um. Tão somente uma merda muito importante. Que foi escolhida a dedo. Para desviar o foco do restante. De algo muito, muito mais relevante.
VISH (Very important shit). Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor. Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor. As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente. Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente. Tira essa máscara que te impede de expressar. A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar. Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer. Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.
E o que mais te tortura É o medo do degredo. É ser despojado da atenção. Dos olhares da multidão. Mas vou te contar um segredo...
Você não passa de só mais um. Tão somente uma merda muito importante. Que foi escolhida a dedo. Para desviar o foco do restante. De algo muito, muito mais relevante.
276
Baco Dionísio
Esse trago amargo.
Com o qual me embriago.
Não tira a poeira de uma vida inteira.
Desse doce cântaro.
Sorvi todo o encanto.
Me fiz prisioneiro desde a vez primeira.
É o álcool esse demônio impoluto.
Que me persegue e me acompanha por toda parte.
E eu, espírito errante adulto.
Tomei esse demônio como uma obra de arte.
Desde cedo perdi todo o medo.
Achando o fugir da realidade.
Hoje vivo em alegre degredo.
Não sei se por minha ou por sua vontade.
Na aurora, na primeira hora.
Busco tua sombra, teu doce recato.
Na penumbra, tua presença abunda.
Desfruto meu sono, para sempre grato.
Não carrego em nenhum momento.
Arrependimento ou dúvida sequer.
Nos teus braços encontrei alento.
Sem nenhuma culpa, aflição qualquer.
215
Centúria.
O chamado do abismo não lhes deixa descansar.
A voz em suas cabeças lhes ordena. Vão matar!
Coloquem fogo nos campos, dispersem as multidões.
Deem vazão a todo o ódio que habita em seus corações.
Que essa luz não apague, antes que eu acabe, o que tenho para dizer.
Que o céu não desabe, porque um dia, quem sabe, tu virás me socorrer.
Que todo poeta se cale, que todo narrador não narre o que irá suceder.
Que todo o mal se esmigalhe, girando em ziguezague, sem santo pra lhe valer.
Que esse navio encalhe, que esse fogo se espalhe, como cinzas de um vulcão.
Que todo esse leite coalhe, que na madeira se entalhe, segredos de uma paixão.
Que todo movimento pare, e que ninguém mais repare, no cisco do seu irmão.
Que todo o perfeito falhe, a empáfia achincalhe, com injurias e maldição.
Que todo o inteiro quebre, que queime em ardente febre, em sete anos de azar.
Que corra que nem uma lebre, o mal consigo carregue, pra nunca mais retornar.
Que desista, se entregue, àquele que lhe persegue, é improfícuo lutar.
Reconheça, nunca negue, seja frio com a neve, tudo um dia irá passar.
Que tudo que é bom germine, que padeça todo o crime, sem ar para respirar.
Que a tocha do bem ilumine, sepulte tudo o que oprime, nas águas fundas do mar.
Que todo ser abomine, o que a imperfeição exprime, nesse longo caminhar.
Que o bem que a todos redime, perfeição eterna e sublime, seja nosso eterno lar.
194
Par perfeito.
Pergunte a quem me conheceu.
Vasculhe minha vida vazia.
Procure saber quem fui eu.
Existência suja e fria.
Boca amarga de ressaca.
De cada cigarro fumado.
Um olhar soturno e triste.
Um sorriso debochado.
Faça força para lembrar.
Se um dia encontrou alguém.
A quem mais odiou fitar.
Por quem mais sentiu desdém.
Se concentre para olvidar.
De quem nunca se esforçou.
Em fingir um falso amar.
Ou lucrar com uma falsa dor.
Se esmere em confrontar.
Se não se pareces comigo.
Se sou tão pequeno assim.
Lhe pareço repulsivo...
E quando menos esperar.
Chegará à conclusão.
Que sou teu perfeito par.
Teu inferno e perdição.
191
Ódio escolhido.
O ódio cega quase sempre a nunca enxergou.
Onde o bruto enlouquecido a muito se afogou.
Combustível fóssil da pequenez humana.
Fuligem pavorosa que das almas pobres emana.
Ó ódio que alimenta as máquinas moedoras de alma.
Que transforma em confusão o que ontem era calma.
Esse ódio que sustenta a indústria do terror.
Mas o que hoje é ódio, amanhã será mais dor.
O ódio que gera fome, medo, caos e escravidão.
Que faz ruir reinos inteiros, que alcança cada rincão.
O ódio que mata, maltrata, fere e que não poupa ninguém.
Que rouba, suga, devora o pouco dos que nada tem.
Hoje em dia como sempre o ódio é bem orquestrado.
Os que fomentam esse ódio estão bem organizados.
Distorcendo, manipulando, em embuste ordinário.
Entregaram a nação nas mãos do infame CANCRONARO.
200
Primavera
Sedes mansos. Sede de poder. Sedes humildes. Direita volver. Sedes simples. Fome de viver.
Escapa-me o dia. Fogem de mim as horas. Abandona-me a esperança. E eis-me aqui sozinho. Em pranto de criança. Qual último do ninho.
Sedes perfeitos. Sede de prazer Moinhos de vento. Abismos de solidão. A devorar proezas. A fomentar tristezas. A devastar meu coração.
159
Apostasia.
São eles que com suas “fezes”. Transformam nossas vidas em um inferno. Foram sempre eles, a mando de quem. Sabemos muito bem. Que sempre detiveram o poder. E não é o diabo, nisso eu posso crer. Não é mesmo, posso apostar minha alma. Tolos em suas trincheiras Ladinos em suas latrinas. Lobos famintos esperam as ovelhas preguiçosas. Um surto de fé. A preguiça, a má vontade. Orem por mim, peçam por mim. Recebam em meu nome. A cobiça, a vaidade. Dementes e crentes. Cretinos em suas oficinas Do púlpito brada um lobo nervoso. De súbito, curou-se mais um leproso. Adoração, combustão de enganos. Um feche de luz banha o rebanho. Mais um milagre precário. Um surto de fé. A preguiça, a má vontade. Orem por mim, peçam por mim. Recebam em meu nome. A luxúria, a santidade. À procura do lobo Bale o ordinário. Inquilino acorrentado no porão do sicário. Salve-se se puder Sem jamais perder a fé.