Lista de Poemas

VISH (Very important shit).

VISH (Very important shit).
Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor.

Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor.
As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente.
Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente.

Tira essa máscara que te impede de expressar.

A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar.
Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer.
Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.

E o que mais te tortura
É o medo do degredo.
É ser despojado da atenção.
Dos olhares da multidão.
Mas vou te contar um segredo...

Você não passa de só mais um.
Tão somente uma merda muito importante.
Que foi escolhida a dedo.
Para desviar o foco do restante.
De algo muito, muito mais relevante.
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Centúria.

O chamado do abismo não lhes deixa descansar.

A voz em suas cabeças lhes ordena. Vão matar!

Coloquem fogo nos campos, dispersem as multidões.

Deem vazão a todo o ódio que habita em seus corações.

 

Furem olhos, quebrem ossos, costelas, destruam sonhos.

Com suas botas, cacetetes, balas, coletes medonhos.

Comemorem com orgulho o cumprimento do dever.

Do mais odioso lema, que é servir e proteger.

 

Servindo a quem tudo pode, sem sentir ou questionar.

O desejo que em si explode, de ferir, de chacinar.

Que orgulho eles ostentam, que desculpa eles alegam?

Instrumentos da violência, que de bom grado carregam?

 

Só nos dobram pelo medo, não nos ­inspira respeito.

 Esse estandarte infame, esse que lhes adorna o peito.

Sua história lhes faz jus, com seus incontáveis golpes.

Com suas pompas, cerimônias, em seus corceis a galope.

 

Vergonha, ignomínia, quantos crimes a reparar.

Se a história fosse justa, os poria em seu lugar.

Assassínios, extermínios, roubos, propinas, entreguismo.

Fardas manchadas com a lama do mais falso moralismo.
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Baco Dionísio



Esse trago amargo.

Com o qual me embriago.

Não tira a poeira de uma vida inteira.

Desse doce cântaro.

Sorvi todo o encanto.

Me fiz prisioneiro desde a vez primeira.

 

É o álcool esse demônio impoluto.

Que me persegue e me acompanha por toda parte.

E eu, espírito errante adulto.

Tomei esse demônio como uma obra de arte.

 

Desde cedo perdi todo o medo.

Achando o fugir da realidade.

Hoje vivo em alegre degredo.

Não sei se por minha ou por sua vontade.

 

Na aurora, na primeira hora.

Busco tua sombra, teu doce recato.

Na penumbra, tua presença abunda.

Desfruto meu sono, para sempre grato.

 

Não carrego em nenhum momento.

Arrependimento ou dúvida sequer.

Nos teus braços encontrei alento.

Sem nenhuma culpa, aflição qualquer.
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Ódio escolhido.

O ódio cega quase sempre a nunca enxergou.

Onde o bruto enlouquecido a muito se afogou.

Combustível fóssil da pequenez humana.

Fuligem pavorosa que das almas pobres emana.

 

Ó ódio que alimenta as máquinas moedoras de alma.

Que transforma em confusão o que ontem era calma.

Esse ódio que sustenta a indústria do terror.

Mas o que hoje é ódio, amanhã será mais dor.

 

O ódio que gera fome, medo, caos e escravidão.

Que faz ruir reinos inteiros, que alcança cada rincão.

O ódio que mata, maltrata, fere e que não poupa ninguém.

Que rouba, suga, devora o pouco dos que nada tem.

 

Hoje em dia como sempre o ódio é bem orquestrado.

Os que fomentam esse ódio estão bem organizados.

Distorcendo, manipulando, em embuste ordinário.

Entregaram a nação nas mãos do infame CANCRONARO.
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Meio assim, meio assado.



Ando meio assim sem rumo.

Acho que perdi o prumo.

Nessa terra de ninguém.

Pele seca enegrecida.

Boca cheia de feridas.

Bolsos sem nenhum vintém.

 

Ando assim meio tristonho.

Com o horizonte enfadonho.

Que vislumbro à minha frente.

Faz muito tempo não sonho.

Só pesadelos medonhos.

Pululam em minha mente.

 

Ando assim meio absorto.

Meio vivo, meio morto.

Com nojo de tanta gente.

Que fede feito carniça.

Com sua alma de preguiça.

E veneno entre os dentes.

 

Ando assim meio cismado.

Pouco sensibilizado.

Com tanta pobreza moral.

Ostentação de vaidade

Vilania e mediocridade.

Proliferação do mal.

 


Ando assim meio que tonto.

Com tanto discurso pronto.

No velório da verdade.

Que transformada em mentira.

Arde em assombrosa pira.

Triste fim da humanidade.
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Esperança.

Que essa luz não apague, antes que eu acabe, o que tenho para dizer.

Que o céu não desabe, porque um dia, quem sabe, tu virás me socorrer.

Que todo poeta se cale, que todo narrador não narre o que irá suceder.

Que todo o mal se esmigalhe, girando em ziguezague, sem santo pra lhe valer.

 

Que esse navio encalhe, que esse fogo se espalhe, como cinzas de um vulcão.

Que todo esse leite coalhe, que na madeira se entalhe, segredos de uma paixão.

Que todo movimento pare, e que ninguém mais repare, no cisco do seu irmão.

Que todo o perfeito falhe, a empáfia achincalhe, com injurias e maldição.

 

Que todo o inteiro quebre, que queime em ardente febre, em sete anos de azar.

Que corra que nem uma lebre, o mal consigo carregue, pra nunca mais retornar.

Que desista, se entregue, àquele que lhe persegue, é improfícuo lutar.

Reconheça, nunca negue, seja frio com a neve, tudo um dia irá passar.

 

Que tudo que é bom germine, que padeça todo o crime, sem ar para respirar.

Que a tocha do bem ilumine, sepulte tudo o que oprime, nas águas fundas do mar.

Que todo ser abomine, o que a imperfeição exprime, nesse longo caminhar.

Que o bem que a todos redime, perfeição eterna e sublime, seja nosso eterno lar.
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Par perfeito.

Pergunte a quem me conheceu.

Vasculhe minha vida vazia.

Procure saber quem fui eu.

Existência suja e fria.

 

Boca amarga de ressaca.

De cada cigarro fumado.

Um olhar soturno e triste.

Um sorriso debochado.

 

Faça força para lembrar.

Se um dia encontrou alguém.

A quem mais odiou fitar.

Por quem mais sentiu desdém.

 

Se concentre para olvidar.

De quem nunca se esforçou.

Em fingir um falso amar.

Ou lucrar com uma falsa dor.

 

Se esmere em confrontar.

Se não se pareces comigo.

Se sou tão pequeno assim.

Lhe pareço repulsivo...

 

E quando menos esperar.

Chegará à conclusão.

Que sou teu perfeito par.

Teu inferno e perdição.
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Tédio cotidiano.


Acordar, sorrir, se espreguiçar.

Levantar, defecar, tomar banho, comer, sair para trabalhar.

Obedecer, ouvir, cumprir, copiar.

Suar, aceitar, assumir, corrigir, acatar.

Comer, dormir, sonhar, fugir, retomar.

Levantar, aplicar, insistir, enfrentar.

Olhar, sentir, desistir, se entregar.

Encerrar, seguir, partir, retornar.

À rotina de sempre, ao desconforto do lar.

Chegar, cuspir, fumar, beber, olvidar.

Urinar, tomar banho, jantar.

Deitar no sofá, assistir as notícias, ser enganado, se deixar enganar.

Para que, por que, sei lá...

Se deitar, não dormir, fornicar, mentir, fumar outro cigarro, se lavar.

Novamente deitar, rezar, tossir, dormir, sonhar...

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Primavera

Sedes mansos.
Sede de poder.
Sedes humildes.
Direita volver.
Sedes simples.
Fome de viver.

Escapa-me o dia.
Fogem de mim as horas.
Abandona-me a esperança.
E eis-me aqui sozinho.
Em pranto de criança.
Qual último do ninho.

Sedes perfeitos.
Sede de prazer
Moinhos de vento.
Abismos de solidão.
A devorar proezas.
A fomentar tristezas.
A devastar meu coração.
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Gargalhada.

Estou rindo até quase perder os sentidos.
De tanta estupidez, de tamanha repetição.
Rio dos lobos com seus uivos e ganidos.
Mas tenho medo das ovelhas e seus balidos.
Gozo e suspiro com o ruído de um trovão.

Rio dos escravos vaidosos de suas tripas.
Perdidos na luz a procura de escuridão.
Arrotando vaidades após um banquete de carniças.
Empanzinados com a torpeza que alimenta a multidão.

Dos cegos que desvairados fingem o além enxergar.
Profetas de desatinos, abortos da natureza.
Dos moucos alucinados que mentem tudo escutar.
Loucos que iludem os incautos com suas falsas proezas.

E de repente na loucura incontinente.
Brota-me o choro que me afoga inclemente.
Falta-me o ar, me dá vontade de gritar.
Brutal vazio avassala minha mente.
Fruto do riso, frio, torpe e consistente.
Que eu gerei para me auto flagelar.

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