Lista de Poemas
Lutar e vencer - Por Vida Erin Zurich
É muito fácil quando lutamos por falta de opção, quando colocam uma agulha no seu corpo e injetam medicamentos, quando as drogas que administram no seu corpo paralisam e você perde a capacidade de reagir. Quando colocam um tubo na sua boca e te obrigam a respirar. Difícil mesmo é quando a gente tem opções de lutar ou desistir, e ainda assim, permanece aqui. Se não por nós mesmos, por quem está por perto e insiste em não abrir mão de nossas vidas. Estou aqui hoje, porque decidi continuar. De livre e espontânea vontade, com todos os meus fardos e com o peso que me sinto, decidi permanecer aqui.
35
Sobre desistir - Por Vida Erin Zurich
Eu pensei que tinha desistido de lutar e de viver.
Eu pensei que tinha entregado meus sonhos e ambições.
Acreditei falsamente que a tristeza ia permanecer eternamente, que meus lábios já não poderiam sorrir e cheguei ao ponto de sentir dor física, tamanha minha dor emocional.
Eu pensei que já não havia mais jeito de continuar.
Eu pensei que a dor tinha me destruído.
Eu achei que não tinha mais forças.
Me sentia devastada, acabada e completamente fragilizada.
Pensei que tinha ido embora meu vigor.
Mas, assombrosamente, Ele me resgatou.
Ah! Ele devolveu aos meus olhos o brilho que outrora estava apagado, ele renovou minhas forças arrancou minhas angústias.
Hoje posso entender que tudo que eu tinha pensado ter perdido foi porque eu precisava entender que eu não precisava de mais nada, além dEle.
Eu pensei que tinha entregado meus sonhos e ambições.
Acreditei falsamente que a tristeza ia permanecer eternamente, que meus lábios já não poderiam sorrir e cheguei ao ponto de sentir dor física, tamanha minha dor emocional.
Eu pensei que já não havia mais jeito de continuar.
Eu pensei que a dor tinha me destruído.
Eu achei que não tinha mais forças.
Me sentia devastada, acabada e completamente fragilizada.
Pensei que tinha ido embora meu vigor.
Mas, assombrosamente, Ele me resgatou.
Ah! Ele devolveu aos meus olhos o brilho que outrora estava apagado, ele renovou minhas forças arrancou minhas angústias.
Hoje posso entender que tudo que eu tinha pensado ter perdido foi porque eu precisava entender que eu não precisava de mais nada, além dEle.
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Negros, imigrantes e pobres - Por Vida Erin Zurich
Eles são negros, estrangeiros e pobres. Vindos de países de extrema miséria, chegaram ao Brasil com seus sonhos e força de vontade para realizá-los. Mesmo com as diversas dificuldades que eles enfrentaram em suas nações e enfrentam aqui no Brasil, eles não esmorecem.
Vieram trabalhar e conquistar um novo futuro. As barreiras em seus caminhos são tantas que é quase impossível de se elencar se não convivemos diariamente com eles. O idioma deve ser um de seus maiores desafios visto que em sua maioria o idioma nativo é o francês e aqui no Brasil temos o português como língua e vale salientar que é um dos idiomas mais difíceis de aprender.
A falta de qualificação profissional também é um adendo as dificuldades enfrentadas pelos estrangeiros por aqui nas terras tupiniquins.
Agora, o que me fez escrever esse texto é que outro dia estava dirigindo por uma avenida muito importante daqui e enquanto a sinaleira estava vermelha vieram ao menos quatro pedintes na tentativa de ganhar alguns trocados. Pessoas jovens e que pareciam saudáveis. Ao abrir o semáforo avistei ao longe alguns haitianos trabalhando com venda de seus produtos, repito: TRABALHANDO!
Ou seja: enquanto um Brasileiro nativo está aqui pedindo, o imigrante está aqui trabalhando!
Eles viram em seu país a impossibilidade de sobreviver diante da miséria e vieram tentar a sorte aqui. Eles não vieram pedir esmolas, eles não vieram se vitimizar com uma autocomiseração e muito menos trabalhar a piedade com o drama que só os latinos fazem (e o fazem muito bem).
Eles acordam bem cedinho todos os dias e partem em busca do pão de cada dia. E muitas vezes ainda buscam poder alimentar seus familiares que ainda estão em seu país natal.
Aprendi com eles algo muito importante: - Se você for cair, caia de pé! Não se curve às dificuldades e não tenha pena de si, enfrente, em frente!
Vieram trabalhar e conquistar um novo futuro. As barreiras em seus caminhos são tantas que é quase impossível de se elencar se não convivemos diariamente com eles. O idioma deve ser um de seus maiores desafios visto que em sua maioria o idioma nativo é o francês e aqui no Brasil temos o português como língua e vale salientar que é um dos idiomas mais difíceis de aprender.
A falta de qualificação profissional também é um adendo as dificuldades enfrentadas pelos estrangeiros por aqui nas terras tupiniquins.
Agora, o que me fez escrever esse texto é que outro dia estava dirigindo por uma avenida muito importante daqui e enquanto a sinaleira estava vermelha vieram ao menos quatro pedintes na tentativa de ganhar alguns trocados. Pessoas jovens e que pareciam saudáveis. Ao abrir o semáforo avistei ao longe alguns haitianos trabalhando com venda de seus produtos, repito: TRABALHANDO!
Ou seja: enquanto um Brasileiro nativo está aqui pedindo, o imigrante está aqui trabalhando!
Eles viram em seu país a impossibilidade de sobreviver diante da miséria e vieram tentar a sorte aqui. Eles não vieram pedir esmolas, eles não vieram se vitimizar com uma autocomiseração e muito menos trabalhar a piedade com o drama que só os latinos fazem (e o fazem muito bem).
Eles acordam bem cedinho todos os dias e partem em busca do pão de cada dia. E muitas vezes ainda buscam poder alimentar seus familiares que ainda estão em seu país natal.
Aprendi com eles algo muito importante: - Se você for cair, caia de pé! Não se curve às dificuldades e não tenha pena de si, enfrente, em frente!
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Quebrando paradigmas - Por Vida Erin Zurich
Outro dia fui ao cinema assistir ao filme da Malévola, que ao meu ver está muito a frente de nosso tempo. O filme fala mais do que realmente é retratado em cenas, é preciso ter sensibilidade para entender.
Os mocinhos não são quem pensamos, olhamos uma pessoa com sua aparência e imaginamos o quão bondoso ou generoso é, imaginamos como deve ser sua vida, como são suas atitudes quando ninguém está vendo e o quão incrível ela deva ser.
O filme quebra paradigmas, preconceitos e confronta boa parte do que aprendemos ao longo de nossas vidas. Jolie foi maravilhosa em sua atuação como mãe adotiva, aliás, se tem algo que ela entende muito bem é com amar.
Aprendemos que filhos são aqueles que o ventre abriga, mas no filme uma das relações mais lindas ao meu ver é justamente a relação de uma adoção. É lindo, audacioso e genuíno.
Também aprendemos que os vilões são monstros deformados ou diferentes dos padrões humanos, aprendemos que as trevas são habitáculos de maldade e desamor e se tem algo que aprendi bem assistindo ao filme é que nem sempre o monstro é o vilão, nem sempre as trevas simbolizam maldade e desamor, as vezes é fruto de alguma dor.
E por fim, aprendi no primeiro filme que nem sempre é o mocinho que salva a princesa, mesmo que ele tenha algum afeto ou amor, às vezes é a pessoa que menos imaginamos, a mais ferida, a mais magoada...
É gosto reaprender....
Os mocinhos não são quem pensamos, olhamos uma pessoa com sua aparência e imaginamos o quão bondoso ou generoso é, imaginamos como deve ser sua vida, como são suas atitudes quando ninguém está vendo e o quão incrível ela deva ser.
O filme quebra paradigmas, preconceitos e confronta boa parte do que aprendemos ao longo de nossas vidas. Jolie foi maravilhosa em sua atuação como mãe adotiva, aliás, se tem algo que ela entende muito bem é com amar.
Aprendemos que filhos são aqueles que o ventre abriga, mas no filme uma das relações mais lindas ao meu ver é justamente a relação de uma adoção. É lindo, audacioso e genuíno.
Também aprendemos que os vilões são monstros deformados ou diferentes dos padrões humanos, aprendemos que as trevas são habitáculos de maldade e desamor e se tem algo que aprendi bem assistindo ao filme é que nem sempre o monstro é o vilão, nem sempre as trevas simbolizam maldade e desamor, as vezes é fruto de alguma dor.
E por fim, aprendi no primeiro filme que nem sempre é o mocinho que salva a princesa, mesmo que ele tenha algum afeto ou amor, às vezes é a pessoa que menos imaginamos, a mais ferida, a mais magoada...
É gosto reaprender....
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Um retrato dolorido do isolamento - Por Vida Erin Zurich
Um retrato dolorido do isolamento
Vi meus vizinhos aos poucos irem perdendo o brilho nos olhos por não poderem conviver com o próprio neto. Vi o neto deles, que mora na casa da frente, chorar por não poder abraçar os avós.
Vi minha vizinha, a mãe do bebê sofrer por ter que inventar mil desculpas para o filho não entrar na casa dos avós.
- Bê, o vovô perdeu a chave do portão, não tem como entrar, meu filho.
Eu olhei dentro dos olhos da avó deles e vi a dor de não poder abraçar o neto, a tristeza de estar isolada e o medo de não saber quando poderiam novamente estarem juntos.
Tenho visto cenas como essas diariamente e meu coração é revolto de um amor impensável que me faz querer estar perto deles para aliviar um pouco esse sofrimento que o isolamento vem lhes causando.
Minha mãe, para ajudar, se oferece para dar uma voltinha com o menininho na rua (que é sem saída e 100% segura).
Quando somos obrigadas a sair para comprar algo que está faltando, questionamos sempre se eles precisam de algo.
É o mínimo que se pode fazer como pessoa, de pessoa para pessoa.
Não é um favor, é uma obrigação como ser humano, porque se não pudermos tirar algo bom dessa crise, o que estaríamos aprendendo, então?
Meu desejo? É que possamos logo sair dessa e que tudo seja MELHOR que antes.
Não quero nunca mais ver um garoto de 3 anos tentando entrar no quintal dos avós para abraça-los e ser impedido por algo que ele ainda nem entende.
Não quero nunca mais ver uma mãe ter que inventar mil desculpas ao filho na tentativa de proteger sua família, seus pais.
Não quero nunca mais ver um casal de senhores chorarem por não poderem abraçar o próprio neto.
Não é justo, por isso, vamos ficar em casa o máximo que conseguirmos, até essa crise passar, para que os Bernardos desse mundo possam abraçar seus avós.
Vi meus vizinhos aos poucos irem perdendo o brilho nos olhos por não poderem conviver com o próprio neto. Vi o neto deles, que mora na casa da frente, chorar por não poder abraçar os avós.
Vi minha vizinha, a mãe do bebê sofrer por ter que inventar mil desculpas para o filho não entrar na casa dos avós.
- Bê, o vovô perdeu a chave do portão, não tem como entrar, meu filho.
Eu olhei dentro dos olhos da avó deles e vi a dor de não poder abraçar o neto, a tristeza de estar isolada e o medo de não saber quando poderiam novamente estarem juntos.
Tenho visto cenas como essas diariamente e meu coração é revolto de um amor impensável que me faz querer estar perto deles para aliviar um pouco esse sofrimento que o isolamento vem lhes causando.
Minha mãe, para ajudar, se oferece para dar uma voltinha com o menininho na rua (que é sem saída e 100% segura).
Quando somos obrigadas a sair para comprar algo que está faltando, questionamos sempre se eles precisam de algo.
É o mínimo que se pode fazer como pessoa, de pessoa para pessoa.
Não é um favor, é uma obrigação como ser humano, porque se não pudermos tirar algo bom dessa crise, o que estaríamos aprendendo, então?
Meu desejo? É que possamos logo sair dessa e que tudo seja MELHOR que antes.
Não quero nunca mais ver um garoto de 3 anos tentando entrar no quintal dos avós para abraça-los e ser impedido por algo que ele ainda nem entende.
Não quero nunca mais ver uma mãe ter que inventar mil desculpas ao filho na tentativa de proteger sua família, seus pais.
Não quero nunca mais ver um casal de senhores chorarem por não poderem abraçar o próprio neto.
Não é justo, por isso, vamos ficar em casa o máximo que conseguirmos, até essa crise passar, para que os Bernardos desse mundo possam abraçar seus avós.
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Imobilidade - Por Vida Erin Zurich
Você não encontra motivos para sorrir. Olha ao seu redor e tudo parece tranquilo, você chega a se sentir ingrato por não conseguir estar feliz.
Você tem comida à sua mesa, tem um teto sobre sua cabeça, sem saúde física de sobra, sua família está completa, mas NADA DISSO BASTA e só o que você consegue sentir é que te falta algo.
Todas as noites, quando é só você e o travesseiro, as lágrimas lavam seu rosto, escorrem tanto que chega a arder seus olhos.
De dia, você até anda para frente, mas dentro do seu coração, parece que você está imóvel, parado, inerte.
Tem um buraco em sua alma e você nem ao menos sabe a razão disso tudo, você só sabe que nada fica 100% bom.
E se eu te falar que eu sei o que você está sentindo? E se eu te falar que eu também me senti assim?
Meus sonhos pareciam tão distantes de mim que se tornaram impossíveis de realizar, então, eu nem tentava mais.
Nenhuma porta parecia querer abrir, nenhum caminho parecia ser para mim, ninguém parecia querer me ajudar.
Eu estava bem demais para estar com depressão e triste demais para estar bem. Fiquei ali, submetida a toda essa dor por meses, até que entendi que o que buraco só poderia ser preenchido de uma maneira: com Deus!
E para aceitar isso? Que luta!
Mas eu não tinha nada a perder, aliás, podia ganhar tanto.
Entrei no meu quarto e sem que ninguém soubesse, me ajoelhei e disse: estou aqui, Deus, e não tenho nada para te falar, só quero te ouvir.
Fiquei quase 1h parada ali, quando levantei, senti saudades daquele sentimento de saciedade que até agora não sei explicar.
Esse encontro de 1h com ele, no meu quarto, tem se repetido e Deus nunca faltou, sabe como sei?
Porque quando estou no meu dia a dia, sinto saudades de estar no meu quarto, só para sentir Ele comigo.
Como disse: eu não tinha nada a perder.
Você tem comida à sua mesa, tem um teto sobre sua cabeça, sem saúde física de sobra, sua família está completa, mas NADA DISSO BASTA e só o que você consegue sentir é que te falta algo.
Todas as noites, quando é só você e o travesseiro, as lágrimas lavam seu rosto, escorrem tanto que chega a arder seus olhos.
De dia, você até anda para frente, mas dentro do seu coração, parece que você está imóvel, parado, inerte.
Tem um buraco em sua alma e você nem ao menos sabe a razão disso tudo, você só sabe que nada fica 100% bom.
E se eu te falar que eu sei o que você está sentindo? E se eu te falar que eu também me senti assim?
Meus sonhos pareciam tão distantes de mim que se tornaram impossíveis de realizar, então, eu nem tentava mais.
Nenhuma porta parecia querer abrir, nenhum caminho parecia ser para mim, ninguém parecia querer me ajudar.
Eu estava bem demais para estar com depressão e triste demais para estar bem. Fiquei ali, submetida a toda essa dor por meses, até que entendi que o que buraco só poderia ser preenchido de uma maneira: com Deus!
E para aceitar isso? Que luta!
Mas eu não tinha nada a perder, aliás, podia ganhar tanto.
Entrei no meu quarto e sem que ninguém soubesse, me ajoelhei e disse: estou aqui, Deus, e não tenho nada para te falar, só quero te ouvir.
Fiquei quase 1h parada ali, quando levantei, senti saudades daquele sentimento de saciedade que até agora não sei explicar.
Esse encontro de 1h com ele, no meu quarto, tem se repetido e Deus nunca faltou, sabe como sei?
Porque quando estou no meu dia a dia, sinto saudades de estar no meu quarto, só para sentir Ele comigo.
Como disse: eu não tinha nada a perder.
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O nome diz tudo - Por Vida Erin Zurich
Me custava muito entender a beleza do nome de Jesus. Todas as vezes que eu escutava quando alguém falava: "Que nome lindo!", me fazia falta a explicação disso, no entanto, acabava por nunca questionar, talvez porque é algo tão dito que me vi ignorante no saber em algo que parecia tão comum e que por obrigação, eu deveria entender.
Por fim, tenho minha própria interpretação disso:
- Sabe quando você é conhecido por seu nome ou sobrenome? Especialmente os mais antigos, quando perguntam se você é o fulano, filho do ciclano, neto do beltrano?
Você chega em algum lugar e se apresenta, e então, quando fala seu nome, automaticamente as pessoas te associam a honra (ou desonra) de seu nome. Remete á herança e honra.
Nunca foi tão claro para mim a beleza do nome de Jesus, ser reconhecida por SER e PERTENCER a Ele diz respeito de toda a honra que Ele nos deixou para sempre.
Carregar essa herança de honra comigo é muito mais que lindo, é MAGNÍFICO.
Oh! Quão lindo esse nome foi, É e sempre será.
Por fim, tenho minha própria interpretação disso:
- Sabe quando você é conhecido por seu nome ou sobrenome? Especialmente os mais antigos, quando perguntam se você é o fulano, filho do ciclano, neto do beltrano?
Você chega em algum lugar e se apresenta, e então, quando fala seu nome, automaticamente as pessoas te associam a honra (ou desonra) de seu nome. Remete á herança e honra.
Nunca foi tão claro para mim a beleza do nome de Jesus, ser reconhecida por SER e PERTENCER a Ele diz respeito de toda a honra que Ele nos deixou para sempre.
Carregar essa herança de honra comigo é muito mais que lindo, é MAGNÍFICO.
Oh! Quão lindo esse nome foi, É e sempre será.
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Carta para Buenos Aires - Por Vida Erin Zurich
Querida Buenos Aires, te conheci muitos anos atrás, quando nem mesmo ideais eu tinha formado dentro de mim ainda, quando minhas mãos não conseguiam segurar uma xícara de café direito e quando eu ainda andava de mãos dadas com a dor.
Andei pelas tuas ruas com medo, afinal, tu és uma cidade enorme, com ruas tão largas que minhas pernas curtas não davam conta de atravessar uma avenida sem que teus sinais de semáforo já sinalizassem o fim do percurso.
Ao partir, tu deixaste em mim o desejo te retornar. Retornar para o tuas ruas cobertas de folhas de outono, e para tuas árvores repletas de jacarandás na primavera.
Ao partir, doeu meu coração e senti minha alma me atrair para ti, eu sabia que retornaria, seguramente, voltaria para teus braços.
Passados alguns anos, conforme esperei ansiosamente, voltei.
Tu não mudaste muito, não mudaste nada, aliás.
Ainda me recebeste com alegres sorrisos, com as folha secas presas ao chão, com o clima adorável de outono e com o céu inconfundível que me abraça cada vez que o enxergo.
Por outro lado, voltei para ti muito diferente da menina daqui partiu, cheguei ao teu coração cheia de traumas, com muitas dores e medos que eu sabia que só cabia a ti cura-los.
Hoje, já consigo atravessar tuas largas avenidas sem necessitar correr, já sei pegar um trem e abraço tuas árvores com aquele sentimento de estar sendo privilegiada por estar aqui.
Hoje minha querida, meus sonhos não são mais conhecer a Disney, tampouco montar uma cidade de lego ou ganhar a barbie do ano, meus planos mudaram um pouco, meu sorriso já não é mais tão espontâneo e minhas palavras são mais comedidas, mas algo não mudou: meu amor por ti.
Sei que aqui ainda tenho muito chão a percorrer, mas também sei que a primavera me aguarda, com suas lindas flores e seu clima maravilhoso.
Não tenho medo, fecho os olhos e confio em ti, ainda que chegue o inverno, me sinto acolhida. Me sinto forte, já me sinto curada, por ti.
Andei pelas tuas ruas com medo, afinal, tu és uma cidade enorme, com ruas tão largas que minhas pernas curtas não davam conta de atravessar uma avenida sem que teus sinais de semáforo já sinalizassem o fim do percurso.
Ao partir, tu deixaste em mim o desejo te retornar. Retornar para o tuas ruas cobertas de folhas de outono, e para tuas árvores repletas de jacarandás na primavera.
Ao partir, doeu meu coração e senti minha alma me atrair para ti, eu sabia que retornaria, seguramente, voltaria para teus braços.
Passados alguns anos, conforme esperei ansiosamente, voltei.
Tu não mudaste muito, não mudaste nada, aliás.
Ainda me recebeste com alegres sorrisos, com as folha secas presas ao chão, com o clima adorável de outono e com o céu inconfundível que me abraça cada vez que o enxergo.
Por outro lado, voltei para ti muito diferente da menina daqui partiu, cheguei ao teu coração cheia de traumas, com muitas dores e medos que eu sabia que só cabia a ti cura-los.
Hoje, já consigo atravessar tuas largas avenidas sem necessitar correr, já sei pegar um trem e abraço tuas árvores com aquele sentimento de estar sendo privilegiada por estar aqui.
Hoje minha querida, meus sonhos não são mais conhecer a Disney, tampouco montar uma cidade de lego ou ganhar a barbie do ano, meus planos mudaram um pouco, meu sorriso já não é mais tão espontâneo e minhas palavras são mais comedidas, mas algo não mudou: meu amor por ti.
Sei que aqui ainda tenho muito chão a percorrer, mas também sei que a primavera me aguarda, com suas lindas flores e seu clima maravilhoso.
Não tenho medo, fecho os olhos e confio em ti, ainda que chegue o inverno, me sinto acolhida. Me sinto forte, já me sinto curada, por ti.
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O jogo da vida - Por Vida Erin Zurich
Jogando videogame outro dia me recordei dos tempos de criança e como era incrível passar de fase para avançar ao próximo nível. No meu caso o jogo era o Super Mario, do SNES. Quem não adorava o bigodudo montado em um dinossauro pra lá de versátil batendo a cabeça em blocos que hora lhe dava a pílula da Alice (do país das maravilhas) e hora lhe dava uma pena que lhe permitia voar.
A questão é que, ao avançar de fase geralmente a próxima era uma mais difícil, chegando a um nível em que era inevitável perder algumas vidas nas tentativas de prosseguir no game.
Na vida é assim que funciona também: Você enfrenta algumas tribulações, perde a paciência, perde a classe, perde dinheiro, perde pessoas queridas, perde o busão, perde inúmeras coisas que lhe seriam muito importantes, mas que ao prosseguir adiante você percebe que poucas dessas coisas que você perdeu realmente eram imprescindíveis. Na verdade, tirando as pessoas que perdemos, o restante todo é apenas um lembrete de que você está evoluindo para o próximo nível.
Nos tempos de escola era muito complicado para uma criança de 5 anos aprender a escrever o próprio nome, após isso, era igualmente difícil acentuar as palavras e formar frases sem erros de grafia, já aos 12 anos a matemática se torna uma inimiga de grande parte dos pré adolescentes, então aos 14 anos a física e a química se tornam um grande desafio a ser enfrentado.
Tudo em nossas vidas é uma questão de fase, se está difícil o momento que você está vivendo, fique tranqüilo que no decorrer do caminho algumas vidas lhe serão agregadas, uns bônus para amenizar as lutas e você certamente estará evoluindo, afinal, nunca matamos um chefão antes das fases iniciais e nunca aprendemos as leis da física antes da alfabetização (teoricamente falando). Relaxa, você está avançando!
A questão é que, ao avançar de fase geralmente a próxima era uma mais difícil, chegando a um nível em que era inevitável perder algumas vidas nas tentativas de prosseguir no game.
Na vida é assim que funciona também: Você enfrenta algumas tribulações, perde a paciência, perde a classe, perde dinheiro, perde pessoas queridas, perde o busão, perde inúmeras coisas que lhe seriam muito importantes, mas que ao prosseguir adiante você percebe que poucas dessas coisas que você perdeu realmente eram imprescindíveis. Na verdade, tirando as pessoas que perdemos, o restante todo é apenas um lembrete de que você está evoluindo para o próximo nível.
Nos tempos de escola era muito complicado para uma criança de 5 anos aprender a escrever o próprio nome, após isso, era igualmente difícil acentuar as palavras e formar frases sem erros de grafia, já aos 12 anos a matemática se torna uma inimiga de grande parte dos pré adolescentes, então aos 14 anos a física e a química se tornam um grande desafio a ser enfrentado.
Tudo em nossas vidas é uma questão de fase, se está difícil o momento que você está vivendo, fique tranqüilo que no decorrer do caminho algumas vidas lhe serão agregadas, uns bônus para amenizar as lutas e você certamente estará evoluindo, afinal, nunca matamos um chefão antes das fases iniciais e nunca aprendemos as leis da física antes da alfabetização (teoricamente falando). Relaxa, você está avançando!
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Passado, presente e futuro - Por Vida Erin Zurich
Era um daqueles dias que tudo o que você mais quer é deitar na cama e descansar. Estávamos em meio ao furacão de um propósito de 28 dias cumprindo tarefas que fizessem de nós pessoas melhores.
Minha mãe era uma mulher como qualquer outra: tinha uma rotina, morava em um apartamento próprio quase na área rural de Porto Alegre, tinha meia dúzia de amigos e mais sonhos do que ela mesma poderia contar. Tinha também um cachorro feio e um emprego ruim. Está bem, a parte do cachorro feio podemos ignorar, para os olhos dela, ele era bonito (bem, eu também sou, aos olhos dela, então, ela não tem altos padrões de beleza).
Eu, se quer tinha uma vida. Não gostava de sonhar e nem imaginava que o amor ia além daquilo que eu já vivia. Meu coração não andava nada bem e eu havia perdido muito na vida, apesar de pouquíssima idade.
Cortei laços com minha família “fábrica” pois precisava crescer, sair do ciclo.
Em um dia como qualquer outro, Deus olhou para minha vida com a mesma misericórdia com que olhou para a vida da minha mãe e decidiu nos unir.
Desde o momento em que cheguei na vida dela, perdi as contas de quantas vezes ela me montou e desmontou em laços de amor, deixei de contar as tristezas e planejar meu futuro pelo dia de hoje. Ela trouxe a bagunça que só uma mãe que não gerou no útero pode trazer.
Ela tinha medo de errar, e por essa razão, errou muito. Errou mais do que deveria, mais do que poderia. Errou mais do que qualquer outra mãe erraria, errou por não ter recebido nenhum manual de instrução de como lidar comigo.
De tanto errar, começou a acertar. Acertou em todos os abraços, mimos, cheiros, beijos, zelos e cuidados. Me deu além do que eu merecia, além do que eu precisava e não me deixou crescer. Ainda não me deixa. Ela me quer por perto, tenho a impressão de que, de tão perto que ela me quer, provavelmente, se ela pudesse, me colocaria dentro dela. Me engoliria só para que eu estivesse tão perto dela que seríamos uma única pessoa.
Eu, errei pela idade, errei por temer, errei por conta dos outros, errei por culpa-la e errei por exigir demais. Errei em cada noite que não lhe dei um beijo antes de dormir, errei nas orações em que pedia a Deus para que ela fosse uma boa mãe para mim. Eu deveria era ter pedido para ser uma boa filha.
Até que, após vários anos, atravessando nossos vales mais extensos, decidimos acertar.
Oramos, choramos, passamos fome, contamos moedas para pagar a conta de energia, vendemos nossas coisas e mudamos de estado. Sem grana. Tomamos banho direto do cano pois não tínhamos chuveiro, dormimos no chão e quando tínhamos grana, decidimos não investir em nada, deixamos de comprar até mesmo um prato para comer. Ao invés disso, compramos umas passagens de avião e fomos para a Argentina. Trabalhamos, sorrimos, brincamos, fizemos amizades, erramos. Passeamos muito e comemos mais ainda.
Trabalhamos freneticamente, juntamos muita grana e construímos um sonho maior do que todos os sonhos. LIBERDADE.
Juntamos muita grana e jogamos fora. Recolhemos tudo, dissemos adeus e partimos. Outra vez. Acertamos, dessa vez.
Mudamos de país, adotamos uma gatinha rançosa e bipolar, compramos um carro mais velho que sobrevivente do Titanic e mais enferrujado que prego contaminado com tétano. Aprendi a dirigir.
Construímos uma casa dentro de um carro, moramos nela. Odiamos!
Viajamos por muitos lugares, comemos coisas diferentes. Coisas ruins e conversamos com gente boa. Boa demais. Fizemos família ao redor de muitos lugares.
Perdemos, ganhamos. Ficamos enlutadas, ficamos longe. Mas, o coração é como um imã com polaridades opostas, sou atraída pela energia gostosa que minha mãe tem, e ela pela minha.
Reconstruímos pontes, vivemos em família. Fomos família.
Reconstruímos, gastamos dinheiro, jogamos ele fora. Criamos laços, rompemos laços. Aprendemos coisas novas, bebemos até cair. Caímos de tanto beber. Compramos uma cachorra.
Mobiliamos a casa, pintamos tudo, equipamos e desfizemos tudo. Nos isolamos, crescemos, nos desafiamos.
Reconstruímos.
Minha mãe era uma mulher como qualquer outra: tinha uma rotina, morava em um apartamento próprio quase na área rural de Porto Alegre, tinha meia dúzia de amigos e mais sonhos do que ela mesma poderia contar. Tinha também um cachorro feio e um emprego ruim. Está bem, a parte do cachorro feio podemos ignorar, para os olhos dela, ele era bonito (bem, eu também sou, aos olhos dela, então, ela não tem altos padrões de beleza).
Eu, se quer tinha uma vida. Não gostava de sonhar e nem imaginava que o amor ia além daquilo que eu já vivia. Meu coração não andava nada bem e eu havia perdido muito na vida, apesar de pouquíssima idade.
Cortei laços com minha família “fábrica” pois precisava crescer, sair do ciclo.
Em um dia como qualquer outro, Deus olhou para minha vida com a mesma misericórdia com que olhou para a vida da minha mãe e decidiu nos unir.
Desde o momento em que cheguei na vida dela, perdi as contas de quantas vezes ela me montou e desmontou em laços de amor, deixei de contar as tristezas e planejar meu futuro pelo dia de hoje. Ela trouxe a bagunça que só uma mãe que não gerou no útero pode trazer.
Ela tinha medo de errar, e por essa razão, errou muito. Errou mais do que deveria, mais do que poderia. Errou mais do que qualquer outra mãe erraria, errou por não ter recebido nenhum manual de instrução de como lidar comigo.
De tanto errar, começou a acertar. Acertou em todos os abraços, mimos, cheiros, beijos, zelos e cuidados. Me deu além do que eu merecia, além do que eu precisava e não me deixou crescer. Ainda não me deixa. Ela me quer por perto, tenho a impressão de que, de tão perto que ela me quer, provavelmente, se ela pudesse, me colocaria dentro dela. Me engoliria só para que eu estivesse tão perto dela que seríamos uma única pessoa.
Eu, errei pela idade, errei por temer, errei por conta dos outros, errei por culpa-la e errei por exigir demais. Errei em cada noite que não lhe dei um beijo antes de dormir, errei nas orações em que pedia a Deus para que ela fosse uma boa mãe para mim. Eu deveria era ter pedido para ser uma boa filha.
Até que, após vários anos, atravessando nossos vales mais extensos, decidimos acertar.
Oramos, choramos, passamos fome, contamos moedas para pagar a conta de energia, vendemos nossas coisas e mudamos de estado. Sem grana. Tomamos banho direto do cano pois não tínhamos chuveiro, dormimos no chão e quando tínhamos grana, decidimos não investir em nada, deixamos de comprar até mesmo um prato para comer. Ao invés disso, compramos umas passagens de avião e fomos para a Argentina. Trabalhamos, sorrimos, brincamos, fizemos amizades, erramos. Passeamos muito e comemos mais ainda.
Trabalhamos freneticamente, juntamos muita grana e construímos um sonho maior do que todos os sonhos. LIBERDADE.
Juntamos muita grana e jogamos fora. Recolhemos tudo, dissemos adeus e partimos. Outra vez. Acertamos, dessa vez.
Mudamos de país, adotamos uma gatinha rançosa e bipolar, compramos um carro mais velho que sobrevivente do Titanic e mais enferrujado que prego contaminado com tétano. Aprendi a dirigir.
Construímos uma casa dentro de um carro, moramos nela. Odiamos!
Viajamos por muitos lugares, comemos coisas diferentes. Coisas ruins e conversamos com gente boa. Boa demais. Fizemos família ao redor de muitos lugares.
Perdemos, ganhamos. Ficamos enlutadas, ficamos longe. Mas, o coração é como um imã com polaridades opostas, sou atraída pela energia gostosa que minha mãe tem, e ela pela minha.
Reconstruímos pontes, vivemos em família. Fomos família.
Reconstruímos, gastamos dinheiro, jogamos ele fora. Criamos laços, rompemos laços. Aprendemos coisas novas, bebemos até cair. Caímos de tanto beber. Compramos uma cachorra.
Mobiliamos a casa, pintamos tudo, equipamos e desfizemos tudo. Nos isolamos, crescemos, nos desafiamos.
Reconstruímos.
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