Estou pronta - Por Vida Erin Zurich
Sigo Adiante
Te desligo.
Da minha alma, do meu corpo, dos meus pensamentos, dos meus pesadelos.
Estou pronta.
Para seguir, para sorrir, para me redescobrir, para recomeçar, para voltar a me reconhecer no espelho, para ser feliz.
Declaro.
Minha felicidade acima de toda dor, de toda insegurança, de todo medo, de todas as lembranças.
Recomeço, crendo mais.
Não é o fim!
Não sou dessas que fala em suicídio ou sobre questões pessoais, mas estamos caminhando para o final do mês de setembro, lembrado na cor amarelo como simbolismo a prevenção do suicídio, então falando um pouquinho de mim. Serei breve...
A pouco tempo atrás, algo muito ruim aconteceu em minha vida, um fato que transcende ao entendimento de qualquer ser humano.
Cometi um erro e esse erro tomou proporções descabidas e desmedidas.
Ao que percebi minha vida, que não já estava sendo fácil, tornou - se impossível, ao ponto de nem mesmo eu querer aguentar o dia seguinte.
Todos se foram, não havia mais amigos e a muito já não havia mais parentes...
Incrível como o cenário pode mudar de uma forma tão brusca, não?
Quem já passou por isso sabe de que estou falando.
Quanto mais eu tentava subir do poço onde haviam me jogado, mais jogavam pedras para que eu não subisse. Chorar já não adiantava mais...
Existe um momento da dor em que lágrimas não regam mais nada, nem a empatia do próximo por ti.
Sabe aqueles amigos próximos e chegados? Na verdade, nem eram tão próximos, e se quer chegaram a mim.
Sabe aqueles parentes que lutam por você, mesmo quando você está errado, afinal ninguém pode falar mal de você, só você mesmo.... Então, eles reapareceram para prejudicar.
Sabe aquelas pessoas da igreja, que você pode contar para qualquer coisa? Aqueles irmãos amados que te dão um abraço, sem julgamento e esperam pelo seu tempo de falar sobre o ocorrido?
Isso nem existe mais. A moda é jogar pedra no seu poço.
As pessoas não têm noção da crueldade de seus atos até que elas passam pelo seu mesmo caminho e esse dia sempre chega. Chegou para mim.
Depois de chorar, de secar minhas lagrimas, de cair, de rastejar.... Lembrei:
Eu posso sobreviver ao hoje.
Em uma noite de muita tristeza, olhei para o lado e enxerguei a única pessoa que estava ao meu lado.
E adivinha o que eu vi?
Alguém que estava sofrendo mais que eu.
Alguém cujo coração estava mais triste,
mais dolorido e magoado que o meu.
Caí em mim e pensei: " - É por ela que vou viver. Minha mãe."
E o mais engraçado?
Ela nem é minha mãe biológica, infelizmente. Mas é por ela o meu respirar.
Posso te afirmar hoje, que se eu consegui, você também consegue. Não desista, vamos tentar de novo...
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Pré-Conceito - Por Vida Erin Zurich
Hoje mostrei a minha mãe um perfil no Instagram. São diversas fotos de um jovem que aparece com frequência mostrando seu corpo nú, claro, imagens censuradas. O comentário de minha mãe foi o mesmo que provavelmente muitas e muitas pessoas de sua época fariam e fazem: “- é para se aparecer?” Imediatamente respondi que não e que a pessoa é artista.
Entendo minha mãe pensar dessa maneira, afinal, ela foi criada em outro tempo e acabou de dar partida em sua vida digital, ou seja, acabou de mergulhar em um mar onde as pessoas diferentes podem ser elas mesmas por através de todos os muros de preconceitos, ainda lhe custará um par de anos até que entenda que o mundo evoluiu. Por isso, não julguem a ela nem aos que ainda não entendem nosso progresso. É uma questão de tempo.
No momento que falei a ela que a pessoa das fotos é artista, também lhe disse: quando é uma modelo na playboy, não tem problema? E se fosse o ensaio sensual de uma bela mulher? Essas seriam aceitáveis?
Minha mãe parou para pensar, não me respondeu, mas percebi que se pôs a mudar de opinião.
Nem tudo é preconceito, às vezes é só desinformação e desatualização.
Somos cristãs e isso não anula o respeito que tenho por qualquer ser humano, independente de sua profissão, cor, sexualidade, religião ou estilo de vida. Aliás, não deveríamos ter que militar em favor das pessoas por elas serem diferentes de nós, a evolução mental deveria ser natural, já que não é, vamos mostrar EM AMOR a quem ainda não entendeu que ser diferente é bom.
O jogo da vida - Por Vida Erin Zurich
Jogando videogame outro dia me recordei dos tempos de criança e como era incrível passar de fase para avançar ao próximo nível. No meu caso o jogo era o Super Mario, do SNES. Quem não adorava o bigodudo montado em um dinossauro pra lá de versátil batendo a cabeça em blocos que hora lhe dava a pílula da Alice (do país das maravilhas) e hora lhe dava uma pena que lhe permitia voar.
A questão é que, ao avançar de fase geralmente a próxima era uma mais difícil, chegando a um nível em que era inevitável perder algumas vidas nas tentativas de prosseguir no game.
Na vida é assim que funciona também: Você enfrenta algumas tribulações, perde a paciência, perde a classe, perde dinheiro, perde pessoas queridas, perde o busão, perde inúmeras coisas que lhe seriam muito importantes, mas que ao prosseguir adiante você percebe que poucas dessas coisas que você perdeu realmente eram imprescindíveis. Na verdade, tirando as pessoas que perdemos, o restante todo é apenas um lembrete de que você está evoluindo para o próximo nível.
Nos tempos de escola era muito complicado para uma criança de 5 anos aprender a escrever o próprio nome, após isso, era igualmente difícil acentuar as palavras e formar frases sem erros de grafia, já aos 12 anos a matemática se torna uma inimiga de grande parte dos pré adolescentes, então aos 14 anos a física e a química se tornam um grande desafio a ser enfrentado.
Tudo em nossas vidas é uma questão de fase, se está difícil o momento que você está vivendo, fique tranqüilo que no decorrer do caminho algumas vidas lhe serão agregadas, uns bônus para amenizar as lutas e você certamente estará evoluindo, afinal, nunca matamos um chefão antes das fases iniciais e nunca aprendemos as leis da física antes da alfabetização (teoricamente falando). Relaxa, você está avançando!
Quebrando paradigmas - Por Vida Erin Zurich
Outro dia fui ao cinema assistir ao filme da Malévola, que ao meu ver está muito a frente de nosso tempo. O filme fala mais do que realmente é retratado em cenas, é preciso ter sensibilidade para entender.
Os mocinhos não são quem pensamos, olhamos uma pessoa com sua aparência e imaginamos o quão bondoso ou generoso é, imaginamos como deve ser sua vida, como são suas atitudes quando ninguém está vendo e o quão incrível ela deva ser.
O filme quebra paradigmas, preconceitos e confronta boa parte do que aprendemos ao longo de nossas vidas. Jolie foi maravilhosa em sua atuação como mãe adotiva, aliás, se tem algo que ela entende muito bem é com amar.
Aprendemos que filhos são aqueles que o ventre abriga, mas no filme uma das relações mais lindas ao meu ver é justamente a relação de uma adoção. É lindo, audacioso e genuíno.
Também aprendemos que os vilões são monstros deformados ou diferentes dos padrões humanos, aprendemos que as trevas são habitáculos de maldade e desamor e se tem algo que aprendi bem assistindo ao filme é que nem sempre o monstro é o vilão, nem sempre as trevas simbolizam maldade e desamor, as vezes é fruto de alguma dor.
E por fim, aprendi no primeiro filme que nem sempre é o mocinho que salva a princesa, mesmo que ele tenha algum afeto ou amor, às vezes é a pessoa que menos imaginamos, a mais ferida, a mais magoada...
É gosto reaprender....
O voo da águia e as quedas da vida - Por Vida Erin Zurich
Hoje uma das pessoas que mais amo nesse mundo me lembrou de como é difícil crescer, de como é difícil evoluir, mas que há grande valor nesse progresso.
Ela me lembrou de como um filhote de águia aprende a voar, me lembrou de como é valiosa essa experiência, vou elucidar:
Quando uma águia mãe quer percebe que seus filhotes já estão em tempo de aprender a voar, ela os leva para um lugar mais alto que encontrar, tão alto que abaixo desse lugar existe apenas o abismo. Ela faz isso com o propósito de protege-los de predadores. E então, usando de um incentivo natural, ela os empurra abismo abaixo, para que eles aprendam a bater suas asas.
Parafraseando a Lisa, ainda cito: “Eles aprendem a voar e também aprendem a cair.”
Há valor na queda, assim como há valor no voo.
Eu acredito que Deus se inspirou no comportamento dos anjos, da natureza e dos animais para a criação do homem, podemos trazer essa lição para o amor de Deus conosco, durante o tempo em que estamos pequenos, Ele nos protege e nos preserva de todo o perigo, entretanto, conforme vamos crescendo, existe a necessidade de que aprendamos a voar, e nem sempre esse aprendizado vem de maneira fácil, afinal, somos seres individuais e cada um de nós desenvolve seu próprio tempo de crescimento.
O Senhor nos leva ao mais alto monte, geralmente é isolado de todos, onde ninguém te alcança, onde só estamos nós e Ele.
Esse monte costuma ser silencioso e solitário, por alguns de nós, pode ser confundido com uma depressão, mas não. Isso acontece porque qualquer interferência que haja em meio ao nosso crescimento pode gerar dificuldades, ou até a presença de pessoas que irão atrasar ou impedir esse nosso momento, essa nossa evolução.
Até que o Senhor nos “joga” ao solo de modo que possamos aprender a bater nossas asas. Não há ninguém para atrapalhar, ninguém para influenciar.
Quando estamos caindo, as vezes esquecemos que Ele está ali para nos segurar caso não consigamos voar. Ele não nos deixa, ele não nos abandona, ele não vira as costas. Ele acredita em nosso potencial, sabe que somos capazes de levantar o voo mais lindo do mundo, acontece que em meio a essa queda ficamos assustados, atordoados e não conseguimos confiar que a presença dEle está ali.
A queda não serve apenas para que possamos confiar nEle, mas também serve para nos mostrar que Ele confia em nós.
O voo não serve apenas para nossa evolução, mas serve também para que possamos ajudar os outros a voarem, a evoluírem, como Lisa fez comigo.
Desnuda - Por Vida Erin Zurich
Eu sou melhor nua.
Decidi me despir
tirar a roupa
esvaziar a mente
arrancar a coroa
e lavar o rosto.
Descobri em mim algo que nem mesmo eu sabia
Eu sou melhor nua.
Ante toda essa tecnologia, moda de filtros e edição de fotos, não sabemos mais quem são as pessoas.
Vemos uma foto e muitas vezes não condiz com a realidade.
Eu sei!
Muitas vezes eu também não me reconheço no espelho ao ver uma foto trabalhadinha.
Por isso, me despi, estou nua.
Sentidos - Por Vida Erin Zurich
O sorriso
A sensibilidade
O grito
O choro
As mãos
O olhar
O tato
A visão
O paladar
O meu corpo fala
aquilo que as palavras não podem dizer.
Eu posso falar
eu posso falar.
Passado, presente e futuro - Por Vida Erin Zurich
Era um daqueles dias que tudo o que você mais quer é deitar na cama e descansar. Estávamos em meio ao furacão de um propósito de 28 dias cumprindo tarefas que fizessem de nós pessoas melhores.
Minha mãe era uma mulher como qualquer outra: tinha uma rotina, morava em um apartamento próprio quase na área rural de Porto Alegre, tinha meia dúzia de amigos e mais sonhos do que ela mesma poderia contar. Tinha também um cachorro feio e um emprego ruim. Está bem, a parte do cachorro feio podemos ignorar, para os olhos dela, ele era bonito (bem, eu também sou, aos olhos dela, então, ela não tem altos padrões de beleza).
Eu, se quer tinha uma vida. Não gostava de sonhar e nem imaginava que o amor ia além daquilo que eu já vivia. Meu coração não andava nada bem e eu havia perdido muito na vida, apesar de pouquíssima idade.
Cortei laços com minha família “fábrica” pois precisava crescer, sair do ciclo.
Em um dia como qualquer outro, Deus olhou para minha vida com a mesma misericórdia com que olhou para a vida da minha mãe e decidiu nos unir.
Desde o momento em que cheguei na vida dela, perdi as contas de quantas vezes ela me montou e desmontou em laços de amor, deixei de contar as tristezas e planejar meu futuro pelo dia de hoje. Ela trouxe a bagunça que só uma mãe que não gerou no útero pode trazer.
Ela tinha medo de errar, e por essa razão, errou muito. Errou mais do que deveria, mais do que poderia. Errou mais do que qualquer outra mãe erraria, errou por não ter recebido nenhum manual de instrução de como lidar comigo.
De tanto errar, começou a acertar. Acertou em todos os abraços, mimos, cheiros, beijos, zelos e cuidados. Me deu além do que eu merecia, além do que eu precisava e não me deixou crescer. Ainda não me deixa. Ela me quer por perto, tenho a impressão de que, de tão perto que ela me quer, provavelmente, se ela pudesse, me colocaria dentro dela. Me engoliria só para que eu estivesse tão perto dela que seríamos uma única pessoa.
Eu, errei pela idade, errei por temer, errei por conta dos outros, errei por culpa-la e errei por exigir demais. Errei em cada noite que não lhe dei um beijo antes de dormir, errei nas orações em que pedia a Deus para que ela fosse uma boa mãe para mim. Eu deveria era ter pedido para ser uma boa filha.
Até que, após vários anos, atravessando nossos vales mais extensos, decidimos acertar.
Oramos, choramos, passamos fome, contamos moedas para pagar a conta de energia, vendemos nossas coisas e mudamos de estado. Sem grana. Tomamos banho direto do cano pois não tínhamos chuveiro, dormimos no chão e quando tínhamos grana, decidimos não investir em nada, deixamos de comprar até mesmo um prato para comer. Ao invés disso, compramos umas passagens de avião e fomos para a Argentina. Trabalhamos, sorrimos, brincamos, fizemos amizades, erramos. Passeamos muito e comemos mais ainda.
Trabalhamos freneticamente, juntamos muita grana e construímos um sonho maior do que todos os sonhos. LIBERDADE.
Juntamos muita grana e jogamos fora. Recolhemos tudo, dissemos adeus e partimos. Outra vez. Acertamos, dessa vez.
Mudamos de país, adotamos uma gatinha rançosa e bipolar, compramos um carro mais velho que sobrevivente do Titanic e mais enferrujado que prego contaminado com tétano. Aprendi a dirigir.
Construímos uma casa dentro de um carro, moramos nela. Odiamos!
Viajamos por muitos lugares, comemos coisas diferentes. Coisas ruins e conversamos com gente boa. Boa demais. Fizemos família ao redor de muitos lugares.
Perdemos, ganhamos. Ficamos enlutadas, ficamos longe. Mas, o coração é como um imã com polaridades opostas, sou atraída pela energia gostosa que minha mãe tem, e ela pela minha.
Reconstruímos pontes, vivemos em família. Fomos família.
Reconstruímos, gastamos dinheiro, jogamos ele fora. Criamos laços, rompemos laços. Aprendemos coisas novas, bebemos até cair. Caímos de tanto beber. Compramos uma cachorra.
Mobiliamos a casa, pintamos tudo, equipamos e desfizemos tudo. Nos isolamos, crescemos, nos desafiamos.
Reconstruímos.
Carta para Buenos Aires - Por Vida Erin Zurich
Querida Buenos Aires, te conheci muitos anos atrás, quando nem mesmo ideais eu tinha formado dentro de mim ainda, quando minhas mãos não conseguiam segurar uma xícara de café direito e quando eu ainda andava de mãos dadas com a dor.
Andei pelas tuas ruas com medo, afinal, tu és uma cidade enorme, com ruas tão largas que minhas pernas curtas não davam conta de atravessar uma avenida sem que teus sinais de semáforo já sinalizassem o fim do percurso.
Ao partir, tu deixaste em mim o desejo te retornar. Retornar para o tuas ruas cobertas de folhas de outono, e para tuas árvores repletas de jacarandás na primavera.
Ao partir, doeu meu coração e senti minha alma me atrair para ti, eu sabia que retornaria, seguramente, voltaria para teus braços.
Passados alguns anos, conforme esperei ansiosamente, voltei.
Tu não mudaste muito, não mudaste nada, aliás.
Ainda me recebeste com alegres sorrisos, com as folha secas presas ao chão, com o clima adorável de outono e com o céu inconfundível que me abraça cada vez que o enxergo.
Por outro lado, voltei para ti muito diferente da menina daqui partiu, cheguei ao teu coração cheia de traumas, com muitas dores e medos que eu sabia que só cabia a ti cura-los.
Hoje, já consigo atravessar tuas largas avenidas sem necessitar correr, já sei pegar um trem e abraço tuas árvores com aquele sentimento de estar sendo privilegiada por estar aqui.
Hoje minha querida, meus sonhos não são mais conhecer a Disney, tampouco montar uma cidade de lego ou ganhar a barbie do ano, meus planos mudaram um pouco, meu sorriso já não é mais tão espontâneo e minhas palavras são mais comedidas, mas algo não mudou: meu amor por ti.
Sei que aqui ainda tenho muito chão a percorrer, mas também sei que a primavera me aguarda, com suas lindas flores e seu clima maravilhoso.
Não tenho medo, fecho os olhos e confio em ti, ainda que chegue o inverno, me sinto acolhida. Me sinto forte, já me sinto curada, por ti.