Lista de Poemas
SE EU MORRER AMANHÃ...
Se eu morrer amanhã
Ninguém irá se lembrar
Nada de mim irá restar
Nem a caridade cristã!
Irão todos festejar...
Ao lado do meu caixão
Num festim quase malsão
Irão sequer lamentar!
E, num acre deletério,
Levar-me-á ao cemitério,
Para o corpo enterrar;
Numa cova funda e fria,
Qual funerária sombria,
Para sempre irei ficar!
II
Até que se complete inteira
Degeneração putrefata
O verme psicopata
Dessa terra carniceira...
Mastiga, engole, come,
Com apetite voraz...
Roendo os ossos, quer mais!
Mata a sede e a fome...
Na sombra dessa ossatura,
Jaz a treva mais escura,
Permanece a agonia;
Embora com a alma liberta,
Com a sepultura aberta,
Abraço a monotonia!
Ninguém irá se lembrar
Nada de mim irá restar
Nem a caridade cristã!
Irão todos festejar...
Ao lado do meu caixão
Num festim quase malsão
Irão sequer lamentar!
E, num acre deletério,
Levar-me-á ao cemitério,
Para o corpo enterrar;
Numa cova funda e fria,
Qual funerária sombria,
Para sempre irei ficar!
II
Até que se complete inteira
Degeneração putrefata
O verme psicopata
Dessa terra carniceira...
Mastiga, engole, come,
Com apetite voraz...
Roendo os ossos, quer mais!
Mata a sede e a fome...
Na sombra dessa ossatura,
Jaz a treva mais escura,
Permanece a agonia;
Embora com a alma liberta,
Com a sepultura aberta,
Abraço a monotonia!
453
SONETO SOLITÁRIO
Joia rara esculpida de grande beleza!
Onde se esconde, em qual lugar?
Amiúde paire essa tua realeza...
Onde guardas o ouro desse teu olhar?
Miríades de sentimentos te acolhem a alma
A brisa se esvai como num sopro leve...
Inda que aos poucos branda luz te acalma!
A liquidez dos olhos aos poucos te eleve...!
Claridade, êxtase, paz e pura poesia...
Oscilando em torno de tudo quanto pensas
Enviando aos céus toda pureza e fantasia!
Lenitivo dos fracos – tu és um grande amigo!
Hoje, amanhã e sempre uma recompensa...
Orvalho da manhã – tu és o meu abrigo!
Onde se esconde, em qual lugar?
Amiúde paire essa tua realeza...
Onde guardas o ouro desse teu olhar?
Miríades de sentimentos te acolhem a alma
A brisa se esvai como num sopro leve...
Inda que aos poucos branda luz te acalma!
A liquidez dos olhos aos poucos te eleve...!
Claridade, êxtase, paz e pura poesia...
Oscilando em torno de tudo quanto pensas
Enviando aos céus toda pureza e fantasia!
Lenitivo dos fracos – tu és um grande amigo!
Hoje, amanhã e sempre uma recompensa...
Orvalho da manhã – tu és o meu abrigo!
451
VISÃO DO AMOR
Lembra quando nos vimos?
Ao mesmo tempo sentimos
Incontrolável paixão...!
De início, ocultamos,
No olhar silenciamos
Dentro de nós a implosão!
Lentamente nós sonhávamos
Se longe ainda estávamos
Bem perto queríamos ficar!
Juntos no mesmo passo
Caminhar, sentir o abraço,
Poder enfim nos amar!
O sonho se fez verdade
Nosso amor realidade
Conjecturas da vida...
Valeu a pena esperar
Todos os dias te amar
És tudo que consolida!
Meus dias se fizeram festas
As noites numa seresta
Tudo era cor, música, luz!
Quase nada eu explicava
Quase tudo eu delirava
Nos poemas que compus!
Juramos amor eterno
Infindo clamor fraterno
Enquanto existisse a chama
Queimando dentro de nós
Antes, durante, após...
Pra sempre, quando se ama!
Hoje, busco tua ausência,
Pungente, tanta carência,
Adormecida ilusão!
Procuro-te por toda parte
Em vão te abrace, me farte,
Tu és tão somente A VISÃO!
Ao mesmo tempo sentimos
Incontrolável paixão...!
De início, ocultamos,
No olhar silenciamos
Dentro de nós a implosão!
Lentamente nós sonhávamos
Se longe ainda estávamos
Bem perto queríamos ficar!
Juntos no mesmo passo
Caminhar, sentir o abraço,
Poder enfim nos amar!
O sonho se fez verdade
Nosso amor realidade
Conjecturas da vida...
Valeu a pena esperar
Todos os dias te amar
És tudo que consolida!
Meus dias se fizeram festas
As noites numa seresta
Tudo era cor, música, luz!
Quase nada eu explicava
Quase tudo eu delirava
Nos poemas que compus!
Juramos amor eterno
Infindo clamor fraterno
Enquanto existisse a chama
Queimando dentro de nós
Antes, durante, após...
Pra sempre, quando se ama!
Hoje, busco tua ausência,
Pungente, tanta carência,
Adormecida ilusão!
Procuro-te por toda parte
Em vão te abrace, me farte,
Tu és tão somente A VISÃO!
440
ROSA AZUL
Eu queria...
Ter uma ideia original
Criar o belo irreal...
Plantar uma rosa azul
De perfume quase natural
Que colhi em órbita
No fundo do meu quintal!
Eu queria...
Olhar esse trânsito meio louco
Ver todo mundo parar um pouco
Pra pensar na guerra mundial
Pra pedir a paz do mundo inteiro!
Pra sonhar com o bem puro e verdadeiro
Pra tirar o véu do rosto sério...
Pra aparecer na penumbra sem escudos
Pra sentir a pele nas mãos negras de veludo!
Eu queria...
Deixar uma mensagem de fé
Falar do amor incomum...
Que unem um homem, uma mulher!
Cantar uma canção proibida
Saber que pra tudo tem saída
Levar a rosa azul com vida...
Plantar de novo outra semente
No jardim do coração que se fez gente!
Ter uma ideia original
Criar o belo irreal...
Plantar uma rosa azul
De perfume quase natural
Que colhi em órbita
No fundo do meu quintal!
Eu queria...
Olhar esse trânsito meio louco
Ver todo mundo parar um pouco
Pra pensar na guerra mundial
Pra pedir a paz do mundo inteiro!
Pra sonhar com o bem puro e verdadeiro
Pra tirar o véu do rosto sério...
Pra aparecer na penumbra sem escudos
Pra sentir a pele nas mãos negras de veludo!
Eu queria...
Deixar uma mensagem de fé
Falar do amor incomum...
Que unem um homem, uma mulher!
Cantar uma canção proibida
Saber que pra tudo tem saída
Levar a rosa azul com vida...
Plantar de novo outra semente
No jardim do coração que se fez gente!
489
A CHUVA
Se chover, que a chuva caia assim:
Gotejando em rendas na vidraça
Chuva fina, anda, me abraça...
Tempestade, cai dentro de mim!
As nuvens chocam-se, relampeja,
Ecoam os gritos do meu pranto...
Desaba um temporal, ermo acalanto,
Afaga o coração, frêmito me beija!
Se toda essa chuva desabasse
Sobre minha alma, ela banhasse
Essa correnteza que me invade;
Tens piedade! O’ Chuva... passa!
Traz o meu amor, ele me abraça,
E beija-me por toda eternidade...
Gotejando em rendas na vidraça
Chuva fina, anda, me abraça...
Tempestade, cai dentro de mim!
As nuvens chocam-se, relampeja,
Ecoam os gritos do meu pranto...
Desaba um temporal, ermo acalanto,
Afaga o coração, frêmito me beija!
Se toda essa chuva desabasse
Sobre minha alma, ela banhasse
Essa correnteza que me invade;
Tens piedade! O’ Chuva... passa!
Traz o meu amor, ele me abraça,
E beija-me por toda eternidade...
458
CURIOSIDADE
Em duas horas escrevo apenas uma palavra:
Saudade... saudade... saudade...
As visões que me perseguem nas noites
compridas – são sombras que se misturam
a realidade e me produzem calafrios...
As confissões de amor que morrem
na garganta – são como os espinhos
(as rosas que colhemos para serem pisadas).
À noite, fecho as portas – e sento-me
à mesa da sala de jantar: me iludo e sonho.
O pensamento longe – vaga na ociosidade.
Procuro-te em vão por todos os cantos
da casa e não te encontro. Há tantos cantos...
Nosso sonho nunca é o mesmo que vemos
quando abrimos a janela e nos defrontamos
Com um céu cinzento
Com um mar agitado
Com embarcações perdidas...
Em nosso subconsciente nublado de medo.
Ponho a saudade para repousar e vê-la
distante é o que mais quero – persuadi-la.
Que este não é o seu lugar – não comigo.
Tento arrastá-la pra bem além daqui...
Desviar seu curso, seu percurso, seu caminho
errado – como errado é meu viver – aceito.
Atiro-me, retiro-me, fico e parto...
Reparto-me em mil pedaços – reinvento
outra história menos ridícula que me revele
o quanto de cruel existe em se morrer de saudade.
Sem ao menos, poder conhecer a verdadeira razão
que nos levou a enlouquecer de tanta curiosidade...
Saudade... saudade... saudade...
As visões que me perseguem nas noites
compridas – são sombras que se misturam
a realidade e me produzem calafrios...
As confissões de amor que morrem
na garganta – são como os espinhos
(as rosas que colhemos para serem pisadas).
À noite, fecho as portas – e sento-me
à mesa da sala de jantar: me iludo e sonho.
O pensamento longe – vaga na ociosidade.
Procuro-te em vão por todos os cantos
da casa e não te encontro. Há tantos cantos...
Nosso sonho nunca é o mesmo que vemos
quando abrimos a janela e nos defrontamos
Com um céu cinzento
Com um mar agitado
Com embarcações perdidas...
Em nosso subconsciente nublado de medo.
Ponho a saudade para repousar e vê-la
distante é o que mais quero – persuadi-la.
Que este não é o seu lugar – não comigo.
Tento arrastá-la pra bem além daqui...
Desviar seu curso, seu percurso, seu caminho
errado – como errado é meu viver – aceito.
Atiro-me, retiro-me, fico e parto...
Reparto-me em mil pedaços – reinvento
outra história menos ridícula que me revele
o quanto de cruel existe em se morrer de saudade.
Sem ao menos, poder conhecer a verdadeira razão
que nos levou a enlouquecer de tanta curiosidade...
324
AMENIDADES...
Meu olhar repousa vertiginoso
Sobre essa vidraça transparente
Observo lá fora... as flores sorriem
Conversam umas com as outras
Suas amenidades do dia-a-dia...
Trocam pétalas com suas cores
Vibrantes e suaves perfumes...
Acariciam a brisa ofegante
Traduzindo seu idioma mudo
Como se fossem espelhos do sol...
Imagino os rios cantando suas águas
Transbordando seu ritmo em cadência
Desaguando em imensas cachoeiras
Como se fossem orquestras do mar
Entoando uma serenata de amor perdido...
Flores e rios: sorrindo e cantando...
Eu e tu – chorando e amando...
Perdemos nosso rumo, nosso destino
Como se fôssemos loucos prisioneiros
Num mar revolto de ondas pavorosas
Jogamos nossas queixas e flutuamos...
Quem de nós despertou mais cedo?
Quem ouviu o cântico dos passarinhos?
Quem colheu a única rosa do jardim?
Onde deixamos nosso ar respirar livre?
Onde plantamos a semente do amor?
Onde a paciência teve seu lugar?
Fico a cogitar mil hipóteses incoerentes
Sinto-me levitar num tapete gigante...
Como a relva que cobre o pântano
Essa saudade disfarçada de indiferença
Envolve teu silêncio rastejando sóbrio
Num delírio febril de múltiplos ais...
Sobre essa vidraça transparente
Observo lá fora... as flores sorriem
Conversam umas com as outras
Suas amenidades do dia-a-dia...
Trocam pétalas com suas cores
Vibrantes e suaves perfumes...
Acariciam a brisa ofegante
Traduzindo seu idioma mudo
Como se fossem espelhos do sol...
Imagino os rios cantando suas águas
Transbordando seu ritmo em cadência
Desaguando em imensas cachoeiras
Como se fossem orquestras do mar
Entoando uma serenata de amor perdido...
Flores e rios: sorrindo e cantando...
Eu e tu – chorando e amando...
Perdemos nosso rumo, nosso destino
Como se fôssemos loucos prisioneiros
Num mar revolto de ondas pavorosas
Jogamos nossas queixas e flutuamos...
Quem de nós despertou mais cedo?
Quem ouviu o cântico dos passarinhos?
Quem colheu a única rosa do jardim?
Onde deixamos nosso ar respirar livre?
Onde plantamos a semente do amor?
Onde a paciência teve seu lugar?
Fico a cogitar mil hipóteses incoerentes
Sinto-me levitar num tapete gigante...
Como a relva que cobre o pântano
Essa saudade disfarçada de indiferença
Envolve teu silêncio rastejando sóbrio
Num delírio febril de múltiplos ais...
374
É ASSIM, QUE EU FAÇO VERSOS...
Eu faço versos soltos, versos livres...
Como quem voa rumo ao firmamento
Faço versos luminosos e suspensos
Como quem depura o próprio sofrimento...
Eu faço versos presos, versos atados...
Como quem chora de arrependimento
Faço versos de remorsos e saudades
Como quem desfalece o sentimento...
Eu faço versos ardentes e de volúpia...
Como quem ama sem acolhimento
Faço versos de profundo desencanto
Como quem sonha sem nenhum lamento...
Eu faço versos de sangue e de tristeza...
Como quem morre sem padecimento
Faço versos de mágoas e de perdão
Como quem sente algum constrangimento...
Eu faço versos de amargor, versos silentes...
Como quem desvenda um encantamento
Faço versos esparsos da nossa despedida
Como quem busca um novo salvamento...
Faço versos de luto, versos náufragos...
Como quem se afunda em tormentos
Faço versos tortos e mal traçados
Como quem descreve um rompimento...
Faço versos ateus, versos cristãos...
Como quem abençoa o sacramento
Faço versos declarados e omissos
Como quem vive apenas um momento...
Como quem voa rumo ao firmamento
Faço versos luminosos e suspensos
Como quem depura o próprio sofrimento...
Eu faço versos presos, versos atados...
Como quem chora de arrependimento
Faço versos de remorsos e saudades
Como quem desfalece o sentimento...
Eu faço versos ardentes e de volúpia...
Como quem ama sem acolhimento
Faço versos de profundo desencanto
Como quem sonha sem nenhum lamento...
Eu faço versos de sangue e de tristeza...
Como quem morre sem padecimento
Faço versos de mágoas e de perdão
Como quem sente algum constrangimento...
Eu faço versos de amargor, versos silentes...
Como quem desvenda um encantamento
Faço versos esparsos da nossa despedida
Como quem busca um novo salvamento...
Faço versos de luto, versos náufragos...
Como quem se afunda em tormentos
Faço versos tortos e mal traçados
Como quem descreve um rompimento...
Faço versos ateus, versos cristãos...
Como quem abençoa o sacramento
Faço versos declarados e omissos
Como quem vive apenas um momento...
343
MUITO ALÉM...
Estou muito além das tempestades
Dos vendavais
Dos terremotos
Do céu e do mar...
Mas, diante daquele pássaro silencioso
Sem asas, para voar bem alto...
Não consigo encontrar dentro
De mim – meu ponto de equilíbrio...
Estou muito além da miséria humana
Da vileza da mente
Da vaidade
Do egoísmo...
Mas, diante daquela flor do campo
Perfumando a inocência d’alma
Não posso alcançar a pureza
Do olhar de um cego – olhar de piedade...
Estou muito além da natureza
Das montanhas
Dos bosques
Da selva...
Mas, diante daquela música suave
Penetrando nos meus ouvidos com doçura
Não é possível deter tamanha harmonia
Ao som melodioso de uma orquestra...
Estou muito além do infinito
Das estrelas
Da lua
Dos astros...
Mas, diante desse teu silêncio
Essa mudez plácida que me fascina
E me sufoca muito além da dor...
Não posso conter a ânsia que me causa
Essa espera – muito além dos meus limites...
Dos vendavais
Dos terremotos
Do céu e do mar...
Mas, diante daquele pássaro silencioso
Sem asas, para voar bem alto...
Não consigo encontrar dentro
De mim – meu ponto de equilíbrio...
Estou muito além da miséria humana
Da vileza da mente
Da vaidade
Do egoísmo...
Mas, diante daquela flor do campo
Perfumando a inocência d’alma
Não posso alcançar a pureza
Do olhar de um cego – olhar de piedade...
Estou muito além da natureza
Das montanhas
Dos bosques
Da selva...
Mas, diante daquela música suave
Penetrando nos meus ouvidos com doçura
Não é possível deter tamanha harmonia
Ao som melodioso de uma orquestra...
Estou muito além do infinito
Das estrelas
Da lua
Dos astros...
Mas, diante desse teu silêncio
Essa mudez plácida que me fascina
E me sufoca muito além da dor...
Não posso conter a ânsia que me causa
Essa espera – muito além dos meus limites...
324
FALANDO COM AS ROSAS...
A minha solidão é quase perfeita...
Observo um jarro de flores
sobre a mesa da sala de estar.
Estão ávidas – umas sobre as outras.
Quase perfeitas na sua mudez
tranquilas e imobilizadas
como eu estou – diante delas
diante da vida que me reserva...
As rosas olham-me com grande piedade
e aceitam – meu último pedido de perdão
que já vinha misturado a altivez
de uma solidão já quase perfeita...
Não pude impedir o alivio que senti.
As rosas – com sua modéstia de flor
Eu – sem uma palavra sequer a dizer...
Fazia o possível para não me tornar
luminosa, inalcançável, superior...
Voltei a minha insignificância...
Com reconhecimento. Cheia de curiosidade,
esquecida da própria submissão.
Com um vago desprezo pela rudeza natural
da humanidade. De tudo que despertara
em mim. Senti um carinho perplexo
pelas rosas que dominavam meu espaço
e me vesti de branco obedecendo ao tempo...
Com timidez e respeito – sentei-me
no sofá sem apoiar as costas.
Alerta e tranquila – como um trem que já partiu...
Há quanto tempo eu não fazia isso?
Observo um jarro de flores
sobre a mesa da sala de estar.
Estão ávidas – umas sobre as outras.
Quase perfeitas na sua mudez
tranquilas e imobilizadas
como eu estou – diante delas
diante da vida que me reserva...
As rosas olham-me com grande piedade
e aceitam – meu último pedido de perdão
que já vinha misturado a altivez
de uma solidão já quase perfeita...
Não pude impedir o alivio que senti.
As rosas – com sua modéstia de flor
Eu – sem uma palavra sequer a dizer...
Fazia o possível para não me tornar
luminosa, inalcançável, superior...
Voltei a minha insignificância...
Com reconhecimento. Cheia de curiosidade,
esquecida da própria submissão.
Com um vago desprezo pela rudeza natural
da humanidade. De tudo que despertara
em mim. Senti um carinho perplexo
pelas rosas que dominavam meu espaço
e me vesti de branco obedecendo ao tempo...
Com timidez e respeito – sentei-me
no sofá sem apoiar as costas.
Alerta e tranquila – como um trem que já partiu...
Há quanto tempo eu não fazia isso?
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Muita qualidade nos seus poemas.