Lista de Poemas

Transcendência

Transcende-te

Rasgando o silêncio dos tempos
e as vicissitudes de aurora e de todos os tempos... cavalgamos afanosamente
cantando em canto dos encantos
o desencanto em pranto
do nosso encanto sem canto. 

a tecnologia, designer e o entretenimento
serão esteios de sustento para a aposta ao desenvolvimento
deste benquisto país insular em crescimento 

por isso, faz acontecer
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.


Poetizando, fulminamos a pungente tempestade
Da vida quotidiana
E rasgamos o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
Cultivamos harmoniosamente a paz, a unidade, o amor

E entramos desapaixonadamente no seu coração
Rasgando o silêncio dos tempos e de todos os tempos 
por isso, faz acontecer...

oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.

Dramatizando, caminhamos juntos
na senda do progresso deste pais arquipelágico
e rasgamos irreversivelmente o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
por isso, faz acontecer

oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Hoje,
Agora,

Não amanhã,
Sem demora, faz acontecer.

O Galo que Canta, anuncia um novo horizonte...
O Galo que Canta, canta (...)
Canta bem mais alto que o som da ermida
Canta para anunciar um novo horizonte
Canta para transcender o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
por isso, faz acontecer, 
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Faz acontecer (...) 

Wildiley Barroca, in São Tomé 2016
454

Tempo

Quisera eu ser as ondas do mar,
e, inteligentemente, os obstáculos contornar,
para o meu destino — sem par — enfim alcançar.

Lembranças daquele tempo
em que, ainda jovem e um tanto sedento,
palcos de relevo surgiam ao vento
e ações de juventude davam rebento.

Volta,
oh tempo,
perdido nas conjunturas do teu próprio movimento,
levado sempre ao sabor do vento.

Tempo,
quisera eu poder-te tocar,
segurar-te um pouco,
fazer-te abrandar,
para que nenhum instante
viesse a se apagar.
Mas corres, implacável,
como rio imparável,
levando sonhos, moldando vidas,
deixando marcas incontidas
na memória — doce e vulnerável.

E eu,
navegante desta travessia,
procuro, em cada novo dia,
as pegadas da sabedoria
que o teu sopro deixou no ar.
Oh tempo,
se um dia voltares devagar,
traz contigo o brilho de outrora,
para que eu possa recordar
e, quem sabe, reinventar
o que a vida deixou lá fora.

E assim sigo, atento,
entre o passado e o firmamento,
a aprender — no teu movimento —
que viver é sempre recomeçar.

77

Hoje chorei!

Hoje chorei, e indigente está o meu coração.
Nos momentos de fraqueza e dor,
lembro-me do colo da tia Alda,
dos berros que incentivavam a aprendizagem,
desse olhar que, por vezes, quebra a vontade de continuar,
e de outro olhar que nos faz seguir sem manha,,
rumo ao destino que nos é consagrado.

Hoje chorei, e indigente está o meu coração.
Não mais quero verter, nestes meus olhos,
lágrimas de melancólica lembrança,
lágrimas que não secarão tão cedo,
lágrimas que carregarei pelo resto da vida.

Hoje chorei, e indigente está o meu coração…
Rogo a Deus, nessa chuva de lágrimas,
que me dê forças para continuar,
para vencer as agruras da vida,
e criar, junto dos jovens da minha terra,
um porvir novo
para o nosso querido país insular.

E se hoje chorei,
que minhas lágrimas se transformem em semente,
em força, em fogo que ilumina,
um rastro de vida que insiste em renascer
mesmo no âmago da melancolia.

424

Dia Mundial do Livro Infantil

Nesta data tão auspiciosa

Em que celebramos o Dia Mundial do Livro infantil,

A nossa alma viçosa

Recorda a mestra ímpar de coração

Cujas aspirações literárias

Nos são convertidas como dever

Para nesse dois de Abril conviver

Batizado em palmas mil.

 

Queremos de todo o nosso coração

Levar em adiante, com muita vénia e unção

As nossas pretensões de raiz

Erguendo este país

Que jamais esqueceremos os primores da sapiência,

Que É Nosso o Solo Sagrado da Terra

Como apelidaste, Alda Espírito Santo.

 

Como crianças que somos

Em nós jazerá muita euforia

Quando este dia chegar,

Pois lembraremos que sempre presente esteve

A nossa querida amiga Alda Espírito Santo

Nesta festança que une a criançada.

 

Viva dois de Abril, Dia mundial do livro infantil!

446

Coruja!

Coruja benigna ou maldita,
quem tu és?
Pela noite dentro, quotidianamente,
recebemos — com gracejo e certo temor —
a tua visita em dias de tornado.

Oh, coruja!
Que procuras no alento das nossas vidas?
Que espias pelos cantos amargos da terra,
nas noitadas vivas e mornas de segunda-feira?
Que espias na travessia do tempo 

Os nossos sentimentos amargos de tempo em tempo?

Oh, coruja!
Quem tu és?
Inimigo amaldiçoado da sorte,
aquele que expurga almas e conduz à morte;
mas que, em dias de ventura, vem tão forte,
apenas para uma visita sem rumo, sem norte.

Mas oh, coruja,
benigna ou maldita…
quem tu és?
Que fazes na calada da noite,
em passeios vacilantes, trazendo maldições à meia-noite?
Trazes tetos rasgados de sensação incerta,
que mal me permite desejar-te boa noite?

Que fazes tu?
Afinal, quem tu és?
Oh, coruja,
benigna ou maldita,
haveremos de descobrir —
no silêncio dos tempos,
e de todos os tempos —
o porquê desta cina
que recai sobre nós em tão pouco tempo.

 

— In Chácara, São Tomé, 2016

453

Conversa íntima com a morte

Tu hoje me levas…
O meu corpo jaz aqui, hoje, agora,
Neste pó, nesta terra,
Pois é a hora,
Tu hoje me levas…

Tu hoje me levas
Sem qu’inda terminasse
O porvir da minha missão.
Sem qu’inda amasse,
Sem qu’inda pudesse
Corresponder e satisfazer
As formosuras da minha terra,
Que aos meus anseios
Foram sempre queridas e almejadas…

Tu hoje me levas
Sem qu’inda vivesse
O prazer e o descontentamento,
A alegria de ver a minha terra em desenvolvimento…
Mas se hoje eu morrer,
É com amplíssima volúpia,
Embora melancólica, que vos desamparo.

Eu sei que os meus
Essa pátria hão-de defender,
Lutas e batalhas hão-de enfrentar,
Correndo léguas a caminho da paz…
Trazendo paz e desenvolvimento a estas ilhas maravilhosas do equador.

Tu hoje me levas
Sem qu’inda pudesse acabar com a hipocrisia,
Sem qu’inda pudesse explicar, talvez em filosofia,
O que é democracia.

Tu hoje me levas
Sem qu’inda pudesse dizer ao meu povo
Que reunimos condições de criar um São Tomé e Príncipe novo!
Pois é, e seja feita a tua vontade….
429

Desejo louco

Deixa-me, nos teus seios palpitantes,
aconchegar a minha alma errante,
como quem encontra porto
depois de longas tempestades.

Deixa-me, nos teus braços quentes,
acordar este coração lacerado
que apenas conhece paz
quando repousa no teu.

Deixa-me os teus lábios beijar,
beber neles o lume suave
que me desfaz e me recria.
Deixa-me…
Deixa que o teu amor permaneça,
para que algo de bom floresça em mim.

Deixa-me ainda sonhar-te,
cantar-te, murmurar-te,
e guardar em silêncio
a imagem secreta do teu corpo,
enquanto te digo
que te amo perdidamente.

Deixa-me,
deixa-me tocar-te sem temores,
mostrar-te a entrega que guardo,
a força mansa da minha devoção.

Deixa-me,
deixa-me levar-te ao limiar do desconhecido,
onde apenas dois corações ousam ir.
E que ali, juntos,
afoguemos este sentimento sem norte,
num abraço que devora a noite
e renasce no fogo do desejo.

434

Juventude da CPLP

Juventude de pretensões e ilusões,
estende, sem desalento,
as demandas de um desafio sem igual
para o poder público de agora,
onde tudo passa sem demora.

Somos jovens criadores da CPLP,
edificadores de um futuro novo para os nossos países…
E porque nos ensinaram a ser criativos,
continuamos a criar.

Jovens que cantam, jovens que pintam, 

jovens que escrevem,
jovens que inovam a cada instante,
jovens que querem inovar a própria vida…
jovens que acreditam no futuro da nossa comunidade.
Somos nós, os jovens criadores da CPLP.

Com a nossa criatividade,
queremos mostrar a todos desta gesta
que não reunimos façanhas apenas:
em nós jaz a manha de avançar em festa,
unir em catadupas as nossas forças,
erguer a bandeira nova da paz
e dizer, com orgulho:
somos nós, os jovens criadores da CPLP!

Um desafio sem igual se estende
para todos, sem exceção,
de Angola a São Tomé e Príncipe,
de Moçambique a Cabo Verde,
da Guiné-Bissau a Timor-Leste,
de Portugal ao Brasil e Guiné Equatorial.
Uníssonos numa só voz,
cantemos o hino da CPLP.

Neste momento de festa,
ecoamos nosso grito de esperança…
É porque, pela arte, somos livres,
e com nossa liberdade criamos frutos
de inúmeros trabalhos aqui expostos.

Neste café literário,
queremos beber as palavras do nosso dia a dia,
alimentar nosso âmago literário
com a harmonia das verbalizações
que só o bater de um coração poético sente.

Viva a juventude lusófona!
Avante, CPLP!

Dimas Café, Salvador- Bahia, 2013

427

Juventude

Juventude da minha era,
O porvir vos espera.
Juventude de ilusões e pretensões,
Estende-se em desafio sem igual
Para o poder público de agora.
Almejando transformações nas suas preces e anseios.
 
Nós queremos oportunidades,
Queremos mostrar que somos gentes,
Gentes que a terra hoje demanda,
Para seguir o percurso do desenvolvimento
Deste harmónico e dileto São Tomé e Príncipe.

Nós queremos que em nós
Renasça a confiança e a esperança,
Com que podemos levar adiante
Este benquisto país de bonança.

Nós queremos mostrar à malta,
Esta dita façanha,
Que somos competentes para encaminhar sem manha,
O porvir que este país nos consagra
Nos campos que nos forem outorgados.
À juventude da minha era,
O porvir vos espera.
461

Quando a Beijei

Quando a beijei,
o que soprava era o vento,
quase a impedir-nos de estar juntos.
Mas eu só beijava.
Beijei-a!
E no final do beijo, caímos.
Levantei-a,
beijei-a de novo,
e caímos outra vez.
Levantei-a e continuamos,
como se o mundo inteiro esperasse
só pelo nosso beijo.
Passava gente,
e eu não me importava.
Nada importava.
Porque o que queria
era apenas beijá-la.
Não quis que ninguém nos incomodasse,
só quis que ela me beijasse.
E assim fiz.
Beijei-a.

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Comentários (1)

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10012019

Olá, irmão africano!


Wildiley Barroca nasceu em São Tomé, no dia 20 de Março de 1991. Fez os seus estudos primários e liceais em São Tomé, bem como a formação média profissional em Secretariado Internacional e Licenciatura em Direito. 

Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.

Poeta, Jurista e observador do quotidiano, é Autor da Obra Apuros da Minh ‘Alma Errante – primeira obra do autor lançada no Complexo Cultural dos Barris em Salvador – Bahia, Brasil; Autor da obra “João Paulo II ou o Santo da Juventude”; Coautor da obra “Moi Président” lançada em 15 de Março de 2017 na França e Coautor da obra “A Poesia Multicultural”, lançada em Julho de 2019 em Portugal; Coautor da obra “O Ensino do Direito nos Países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP)” lançada em 27 de Março de 2021 no Brasil; e Coautor da Obra “WE HAVE A DREAM”, lançada em Maio de 2021 no Japão; 

Representou São Tomé e Príncipe como jovem Escritor na II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) em Luanda - Angola, na VI Bienal dos Jovens Criadores da CPLP em Salvador – Baia - Brasil e participou em Representação de São Tomé e Príncipe como jovem escritor na Bienal dos Jovens Criadores da CPLP na Vila Nova de Cerveira, Portugal.

Foi Presidente da União Literária e Artística Juvenil - ULAJE Clube UNESCO,  Coordenador do Clube dos Poetas e Trovadores de São Tomé e Príncipe e Secretário-geral da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.